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Archive for Maio 26, 2008

Mais de 4.500 acessos!

Maio 26, 2008 noite 1 comentário

Muito muito muito muito obrigado a todos os que acessam o BLOG DO BESNOS, e que dizem, e que comentam e que costumam visitá-lo.

É um agradecimento especial quando atingimos a marca de mais de quatro mil e quinhentos acessos, dentro de um projeto que se dedica à escrita, às reflexões e que procura dar um enfoque especial para a educação.

Esperamos elogios, críticas, consistências e inconsistências nessa viagem que busca, primeiramente, humanizar, tornar o que é reto, curvo, o que é denso, leve, o que é senso comum algo a se pensar.

Agradecimentos especiais? Ah, seria injustiça, então, creio, todos temos a comemorar!

Um beijo especial a todos vocês!

 

hILTON

CategoriasEnsaios

No recreio

Maio 26, 2008 noite Deixe um comentário

05-05-2008

 

NO RECREIO

 

Estou atravessando o pátio da escola, no recreio. Duas pequeninas me perguntam se eu sei o nome de “dois bichos que comecem com N”. Busco pela memória, mas os registros estão apagados. De qualquer modo, acho muito meiguinho o jeito que ambas falaram comigo. Continuo pensando quando um aluno meu e outro, ambos adolescentes estão a ponto de brigar a socos por uma bobagem qualquer (um foi incomodar o outro). Eu e Romualdo (guarda municipal) impedimos que eles se soqueiem, mas não o xingamento mútuo e as ameaças recíprocas. Romualdo me informa que nambu é o nome de um pássaro. Lembro-me de um peixe, nardal. Feliz, vou procurar as meninas que me perguntaram. Acho uma delas, que está conversando com outra, que não era a primeira que me questionou.

 “- Ô guriazinha – digo com carinho – descobri os nomes:…”

“- Guriazinha é filha de carroceiro!” grita a outra, debochando. Ambas riem de mim e saem correndo, uma para cada lado.

 

Tem momentos em que você só pode calar e continuar andando. É o que faço, até a sirene avisar a todos que vai começar o último módulo.

 

CategoriasEducação

Travessia

Maio 26, 2008 noite Deixe um comentário

Muitas vezes falamos em viagens, mas poucas em travessias. Nos tornamos mais auto conscientes quando temos grandes travessias pela frente. Algumas para resgatarmos outras pessoas ou situações, mas, sem dúvida, sempre que estivermos em meio às mesmas, sofremos abalos, tristezas, decepções e nos damos conta de nossas impotências, misérias, necessidades e de quanto podemos nos frustrar e, sem dúvida, de como somos menores do que, em princípio, imaginamos. No entanto, a cada quadra que vencemos, resgatamos nossos desejos, nossas forças e lutamos muito para conseguirmos energia e fé para prosseguirmos; a nossa fragilidade então se robustece em razão de nossa vontade e de nossa obstinação.

Durante a vida, alguns são mais poupados de travessias, enquanto outros tem uma grande possibilidade de prosseguir durante um longo tempo em tais esforços de alma.  Isso dependerá de tantos fatores que é impossível dissecá-los. O que importa é que nós sempre avaliamos de modo equívoco a travessia dos outros, tendo a tendência a minorá-la, a desprezar o enorme esforço dos mesmos, enquanto suprevalorizamos nossos próprios esforços quando empreendemos nossas próprias caminhadas. De certo modo, como em média nos apartamos dos outros, nos esquecemos igualmente que todos, em suma queremos as mesmas coisas. Abandonar uma drogadição, por exemplo, é uma travessia notável, na qual embora muitos possam se solidarizar no sentido de ajudar o navegante, somente ao mesmo caberá a responsabilidade da caminhada, e, portanto o gozo pelo alcance do que pretende.

Deixar de ser relapso, atingir novos patamares de conhecimento é também uma travessia significante. Normalmente, quando nos damos conta, notamos que as sensações de deslocamento, de estranhamento e de obstaculização tende a nos manter inertes dentro das nossas zonas de conforto. Atravessos é isso: muito de risco, de salto no escuro e, especialmente, de instabilidade. É levarmos conosco um peso que, sendo nosso, nois sufoca e buscarmos forças para enfrentarmos nossas angústias. Enfim, a travessia é o rompimento, no mais das vezes dramático de nossas próprias amarras, sendo sempre um crescimento, um casulo que se abre mesmo às custas de nossas próprias dores.

CategoriasReflexões