Amor

Fonte: http://www.flickr.com/photos/aticolunatico/1107256261/
Sapere Aude, 16 de outubro de 2009.
O amor não requer horários, compromissos, agendamentos; nem sequer sacrifícios ele requer; estar amando não é estar a mando de, por qualquer motivo que se imagine. O amor não é posse, embora possuamos e sejamos possuídos no amor, nem tampouco domínio, embora nos ponhamos tão dominados; é plena liberdade. Não amamos se não nos sentimos livres, em paz. Não se define, não se troca, não se barganha, não se mercancia com o amor. Talvez o mais sublime do amor seja conviver com tudo isso e continuar com o seu encanto, e nos aquecer tanto a alma e os sentidos. É, talvez o o amor seja isso, um misto de nossos desejos e de nossos desvarios.
Amar para o futuro é quase-amar, para o passado é lembrança. O amor é agora, ele simplesmente é. Sendo tudo, não se reduzindo a nada, é uma fímbria, uma tessitura, um horizonte que nos torna mais humanos, mais próximos, mais amigáveis, enfim mais amoráveis. O amor é mesmo a saudade dos momentos de paixão que poderíamos ter tido, mas não tivemos. De todo, renunciarmos ao amor é esquecermos não apenas o mundo, mas, especialmente, de nós mesmos. Amor é poesia, é música, é dizer, é muito mais do que confusamente poderíamos tentar explicar.
Exercitemos pois o amor; as luzes e o calor nos aquecerão. Não percamos nossos tempos; o amor, esse moleque, nos espera inesperadamente no brilho do olhar que, até então era somente um olhar.