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Archive for the ‘Ignorância’ Category

Ignorantia eternae

Maio 31, 2008 noite 1 comentário

CNBB lamenta decisão do STF sobre células-tronco

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota lamentando a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de liberar as pesquisas científicas com células-tronco embrionárias criadas por fecundação in vitro e consideradas inviáveis (para reprodução).

A nota afirma que o embrião é “uma vida humana, segundo asseguram a embriologia e a biologia”, e que, por isso, “tem direito à proteção do Estado.” Segundo a entidade representativa dos bispos do Brasil, “é lamentável que o STF não tenha confirmado esse direito cristalino, permitindo que vidas humanas em estado embrionário sejam ceifadas.”

O documento é assinado pelo presidente da CNBB e arcebispo de Mariana (MG), Geraldo Lyrio Rocha, pelo vice-presidente da entidade e arcebispo de Manaus (AM), Luiz Soares Vieira, e pelo secretário-geral e bispo-auxiliar do Rio de Janeiro (RJ), Dimas Lara Barbosa.

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/30052008/25/manchetes-cnbb-lamenta-decisao-stf-celulas-tronco.html

Agora imaginemos que, ao invés da Igreja Católica, fosse essa a posição oficial de aiatolás, muçulmanos, judeus, babalorixás… Sem dúvida, seriam os mesmos tratados como fanáticos, xiitas, boçais e ignorantes, né?

Nesses momentos me vêm a mente uma frase de Einstein: “a ignorância é bem mais instigante que a inteligência, porque a segunda tem seus limites”.

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Nosso césar: o pioneiro

Março 17, 2008 noite Deixe um comentário

Oito Anos 

 Fonte: http://www.flickr.com/search/?q=a+bola+%C3%A9+minha&m=text

Quando era garoto, costumávamos brincar de jogar bola, futebol de mesa, bolita de gude, ferrinho ou, simplesmente de conversarmos, peregrinando da casa de um para a casa de outro amigo. Éramos todos filhos de pais aposentados ou comerciantes, que não tinham uma vida financeira estável. Assim, não podíamos ter o que quiséssemos, pelo que constrangidamente nos submetíamos àquele césar que tivesse à disposição uma bola de futebol (ele podia, então, escolher qual a posição e o time que iria jogar, sofrendo as pressões necessárias), a mesa para jogar o futebol (nosso césar então ditava quais as regras do jogo, que lhe eram sempre as mais convenientes) ou o melhor “som” (no qual tentava impor que todos escutássemos as suas músicas prediletas).

Cada vez que pensávamos em um jogo, um torneio, ou uma brincadeira pudesse envolver nosso césar, sabíamos que deveríamos bolar alguma estratégia para não nos submetermos de modo tão inglório ao nosso tirano particular. Nosso césar, cujo pai era médico, trazia já em si, pela educação que recebia no cotidiano a bactéria virulenta da arrogância, e não perdia uma oportunidade para, de modo mais sutil ou mais direto nos dizer “eu tenho, vocês não, portanto, pobres infelizes, vocês dependem de mim, logo eu digo o que vai ser e como vai ser”.

Fomos crescendo, passamos à adolescêcncia e quase todos morávamos próximos; um grupo leal de cinco ou seis pessoas, uma “turma” que ía aprendendo no dia-a-dia a trilhar seus próprios caminhos, buscando suas opções de vida. Éramos assim, crescendo em meio às espinhas, acnes, às expectativas, às rejeições do mundo feminino, aos primeiros ”amassos” e às aprovações e reprovações do mundo adulto, carregando apelidos, nos iludindo na escola, matando aulas, rodando por aí, tendo a noção clara de que o mundo, ao contrário do que nos diziam, não era algo perfeito, retilíneo, previsível.

O passar do tempo, contudo,  nos fez perceber que já não era tão importante o futebol de mesa ou as correrias em torno do quarteirão e, assim, aos poucos, a dependência do nosso césar foi amainando. Alguns de nós mudamos de endereço, Robson, Cacau, Ricardo e sua irmã Tania; Ricardo e seu irmão Júnior se mudaram para o Riio de Janeiro, a vida prosseguia. Um pouco antes, contudo, a notícia nos alcançou: nosso césar havia perdido o pai, o famoso pai médico de quem tanto se orgulhava e que nos tratava com um gentil desdém. O império de césar começava a ruir; sua família vendeu a casa (aquela, a mais bonita, onde morava o menino mais rico), e de um momento para outro tudo simplesmente sumiu. De repente, as coisas em relação ao nosso césar foram se diluindo, as lembranças também foram minguando.

Que me lembre, nunca mais vi nosso césar. No mínimo quatro décadas se passaram e, sem dúvida, se cruzássemos em alguma rua, provavelmente não nos reconheceríamos. Mas, honestamente, aquele guri me ensinou muitas coisas importantes, como abominar a arrogância, o mando pelo simples desejo de mostrar o poder que aos demais submete.

É claro que não precisaríamos suportar o nosso arrogante companheiro porque, de um modo ou de outro, conseguiríamos tranqüilamente viver sem ele e sem seus brinquedos e exigências tolas. Quando, por exemplo, caminhávamos ou andávamos de bicicleta, íamos aos cinemas, admirávamos e nos entorpecíamos ante o mundo feminino, raramente nosso césar estava conosco. Não que não quizéssemos a sua presença, mas a verdade é que, infelizmente (hoje vejo assim) o nosso césar era uma pessoa muito só, que precisava urgentemente dos seus brinquedinhos para justificar seu mando e a sua peculiar arrogância. Em verdade cada um de nós tínhamos nossa turma, nossa fraternidade, nossas pequenas confissões e pecados e erros e acertos, nossos propósitos; nosso césar tinha tão somente objetos, gadgets convenientes e que, em determinados momentos ou circunstâncias garantiam-lhe um poder de tigre de papel.

Lendo este post, alguns poderiam supor que nós todos éramos muito cínicos, pois sabíamos da necessidade emocional do nosso ditadorzinho e então aproveitávamos tais circunstâncias; talvez em parte isso pudesse ser utilizado como argumento, mas, mesmo assim, dávamos a ele, em contrapartida possibilidades reais de integração, chances de estreitar amizades, de participar efetivamente de uma fase cheia de ebulição, contrariedades e conquistas, como a adolescência. Por outro lado, não tínhamos maturidade suficiente para entendermos tais processos no final da infância e iniciando uma adolescência em meio a tantas possibilidades.

Para nós, o nosso césar era apenas um monumental chato, que nos levava um pouco da inabitual paciência, mas que convivíamos numa boa. Por outro lado, a vida me ensinou que o nosso césar foi apenas um biscuit,uma avant première, um prólogo ao infinito de chateação, de prepotência e de mando sem sentido com os quais fui brindado até aqui. Nesse sentido, nosso césar foi, sem dúvida, o pioneiro!

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Homem nu pode?

Dezembro 19, 2007 noite 4 comentários

1558286.jpg

O cerne (?) da discussão
Pois na sala dos professores da escola tem um computador. Alguém colocou na tela de abertura do mesmo a foto de um homem nu, deitado de bruços. O modelo tem um físico de halterofilista. Está ele ali, deitado displicentemente, e deve ser interessante, presume-se, para quem colocou a foto, mas não só para ele, tamanhos os comentários causados ao redor de tal fato.Me perguntaram o que” eu achava daquilo”, uma pergunta armada para que eu “me horrorizasse”. Disse que achava a foto esteticamente interessante. E por aí se foram comentários, comentários, e assim caminha a humanidade.

A hipocrisia, contudo, mais do que as anteriores, foi a de que alguém teve a infeliz idéia de usar alguma dessas coisas de computador e desenhar uma cueca, um cuecão ou algo tristemente semelhante para cobrir a indigitada nudez. Então o ridículo atingiu o ápice, me lembrando que, em um determinado ano, a Igreja Católica ingressou com um pedido judicial para que a GRES Beija Flor não apresentasse uma alegoria na qual Cristo era representado ao lado do povo pobre e necessitado do Rio… e ganhou!

Hoje, contudo, novamente resolveram descobrir o homem e ele voltou a ficar ali, como veio ao mundo.Ouvi comentários machistas/feministas de todos os calibres possíveis, ouvi barbáries. Talvez o que mais tenha me chocado seja o espanto das pessoas. Gente que fica chocada, como se fossem virgens vitorianas perdidas dentro de um bordel. Homens que simplificam tudo: basta chamar de viado e tudo está definido.Por incrível que pareça, esse circo todo é em uma escola, e os personagens todos são reais. Às vezes os seres humanos me parecem tão virtuais quanto as imagens que projetam.

No entanto, queiramos ou não, temos muito a discutir a respeito de tal fato; a imagem é o de menos, mas as interpretações a respeito da mesma são de pensarmos. No entanto, isso mostra como é difícil conviver com o não standardizado, mas também mostra que espaços anteiormente sacralizados como a escola já perderam tal característica. Quem faria isso há décadas atrás? Quem colocaria a foto?

Há uma impropriedade aqui: de espaço, de tempo, de oportunidade. Adentrar em questões moralistas (não morais, moralistas) é algo que realmente não me atrai muito, acho uma discussão estéril, em que se troca o principal pelo credo ao principal, o que são coisas totalmente distintas.  Pior que isso foi avançar para o simulacro que tapou a nudez e, depois, voltar atrás. É o que se chama, na prática, de currículo oculto, cujas conseqüências, contudo, são extremamente relevantes. Talvez até, urgentes.

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Conflito Israel Líbano 2006

Novembro 15, 2007 noite Deixe um comentário

Chiste gráfico, denuncia de la actitud hostil mostrada por el gobierno israelí contra los países vecinos. ¡Atención, no confundir la política militar del gobierno de Israel con la voluntad y esperanzas de la población hebrea!

Fonte: http://www.flickr.com/photos/jaumedurgell/199577806/

PRIMEIRO RELATO

Houve uma grande enchente, e os animais corriam risco de vida. Um cavalo, observando que as águas cada vez subiam mais, ofereceu carona para um escorpião. Este aceitou e subiu ao lombo do cavalo, que jogou-se nas águas e, lentamente, começou a nadar contra a correnteza. O esforço era grande. Quando faltavam poucos metros para alcançarem a margem, o escorpião picou o cavalo que, antes de morrer, perguntou:

- Escorpião, por que fizestes isso? Nós dois vamos morrer desse jeito!

- Porque sou um escorpião do oriente médio…

AP photo by Kevork Djansezian: “Lebanese citizens watch Hezbollah leader Sheik Hassan Nasrallah speak on television as black smoke rises from new Israeli attacks on the Hezbollah stronghold in the southern suburbs of Beirut, Lebanon during his speech Sunday, July 16, 2006. Nasrallah said Sunday that his guerrillas were ‘in their full strength and power’ after a five-day Israeli bombardment, and said the battle had just begun.” (From Yahoo News by way of Haaretz)

FONTE: http://www.flickr.com/photos/mongibeddu/191145023/

SEGUNDO RELATO

O mais complicado no Oriente Médio não é fazer a guerra, promover o massacre de inocentes, de civis, explodir rotas, destruir hospitais, fazer o sangue correr. O mais difícil no Oriente Médio não é recordar os atos de terrorismo, reciclando o ódio, relembrar os ônibus explodindo, as crianças morrendo, os jovens ficando aleijados para o resto de suas vidas, famílias perdendo maridos, esposas, filhos… O mais improvável não é gritar e berrar pedindo a morte da nação vizinha, queimar suas bandeiras, mandar mensagens através da mídia internacional, organizar terrorismo de estado ou terrorismo de grupos específicos. O mais delicado no Oriente Médio não é deliberar pelo sangue ou pela execução de quem está ao lado, ao alcance de uma fronteira. Também é fácil argumentar de um lado ou de outro, procurar a vitimização própria como justificação para a agressão vindoura.

O mais complicado no Oriente Médio é os mandatários decidirem não mais dar dinheiro para os que promovem a morte, é não alimentarem os ódios ancestrais entre nações. O mais complicado é terem a capacidade de se colocar no local daquele que terá seus filhos mortos, seus órfãos, entenderem que são de seu povo as desgraças, as fomes, as angústias, as perdas, as tristezas, e que os discursos são do Estado ou dos grupos terroristas de todas as cores. O mais difícil é os mandatários não se renderem ao ódio, à intolerância, à arrogância, ao ego inflado, aos compromissos e alianças políticas que movimentam os elos da discórdia, do terrorismo. Enquanto a idéia de morte, de discórdia permanecer, as guerras e as estupidezas vão preponderar, e a Terra Santa será a Terra do Corpo Santo, onde nascerão as flores regadas com o sangue de homens, mulheres, crianças.

O sangue, esse não importa de quem será derramado: se de católicos, cristãos, judeus, islamitas, fanáticos ou pacifistas: sempre será sangue, semplre será vida que vai se esvair. O sangue, o sangue, o sangue, o sangue das crianças vai acompanhar sempre o ódio, vai habitar a alma dos que irão morrer pela terra, pelo orgulho, pelos valores. O sangue dos mortos vai regar suas covas de iniquidades. A paz dos cemitérios. A paz da morte. A paz do sangue.

fONTE: http://www.flickr.com/photos/jaumedurgell/200659399/

TERCEIRO RELATO

 

Como uma das conseqüências dessa malfadada guerra entre Israel e Líbano, muitos brasileiros com origem libanesesa e muitos outros que estavam visitando ou trabalhando no país estão retornando ao Brasil.
A midia brasileira tem entrevistado algumas dessas pessoas, muitas que já têm suas vidas estabelecidas em Beirute ou em outras cidades libanesas, e perguntado sobre seus sonhos, sobre suas intenções de retornar ou não ao Líbano. As respostas são variadas; muitos deixaram seus parentes, seus bens materiais, seus amigos, enfim, sua vida, e nada mais justo que pensem em retornar. Dependesse de minha opinião eu diria: não voltem, fiquem no Brasil.
Esse é um país que vai acolhê-los muito bem, porque é um país multiracial. Embora tenhamos, claro, alguns problemas mais ou menos ocultos de racismo, conforme se pode ver com os problemas das cotas étnicas nas universidades, não passa muito disso. Aqui vocês não serão desprezados ou exaltados por serem muçulmanos. Serão muçulmanos, e freqüentarão suas mesquitas do mesmo modo que os judeus freqüentam suas sinagogas, que os luteranos, os católicos, os umbandistas, os budistas, os espíritas, os de magia negra ou branca, os wicca e outros grupos religiosos e étnicos que mantém diuturnamente sua fé.
Aqui vocês vão se espantar um pouco, mas logo ficará muito claro que, embora sejamos um país de contrastes, vocês vão sentar e vão conversar e vão comer e vão andar de ônibus junto com italianos, japoneses, negros, amarelos e pardos de todas as tonalidades, com alemães de olhos azuis misturados com asiáticos, sem esquecermos, claro, os poloneses, os africanos, os franceses, os lituaneses e assim por diante. Todos se cruzam pelas ruas afora, todos buscam paz, uma vida mais digna e mais calma.
Fiquem, vocês vão descobrir um país onde há roubos, furtos, assassinatos, e toda a miséria humana misturada com locais maravilhosos, com obras fantásticas em qualquer ramo da inteligência e da criatividade humana que se possa imaginar.
Vocês, se ficarem aqui, vão descobrir o cheiro das frutas, o valor de um jogo de futebol de um por do sol, do som do violão, e, enfim, se ficarem mais um pouco também vão entender o que significa viver em um mundo onde basicamente há um todo a ser explorado, a ser descoberto, a ser (re)inventado, e onde o pior que existe são os abismos sociais em termos de dinheiro e de acesso a bens culturais. Fora isso, a pior desgraça desse país continua sendo a subserviência, a arrogância juvenil e a corrupção.

De todo modo, infinitamente melhor do que a probabilidade de um míssil explodindo há alguns metros de distância. Fiquem com o Brasil.

QUARTO RELATO

Está bem, eu praticamente me mantive quietinho a respeito da Guerra Israel-Líbano. Sou judeu, e meus pais me ensinaram a dar mais significado aos livros, a vida, as pessoas, ao convívio e por aí adiante. É a herança que me deixaram e é o que busco também ensinar para os meus filhos, não por uma questão de tradição, mas porque acredito em tal modo de viver a vida. Creio, sinceramente, que qualquer pai ou mãe deva ensinar assim aos seus filhos, seja muçulmano, budista, cristão, católico apostólico romano, umbandista. Viver e conviver em harmonia. Ser feliz nesse planeta. Por outro lado, distribuir o ódio é disseminar tudo que ele traz: violência, estupidez, morticínio, fanatismo, liquidação do outro. É conspurcar o planeta, é viver com as mãos enxarcadas de sangue alheio.
É absolutamente possível que eu não seja nem de longe a pessoa indicada para falar a respeito dos conflitos no Oriente Médio. No entanto, diz a minha consciência que eu devo falar sobre o assunto. Então vamos lá.

1

Religiosidade é transcender a experiência comum, é buscar um contato com o divino, seja ele quem for. Embora não seja um amplo conhecedor da Torah, do Novo Testamento ou do Alcorão, tenho uma humana certeza de que nenhum desses documentos defina a guerra, o morticínio e a liquidação étnica como uma prática a ser seguida ou como uma forma de se resolver quaisquer tipos de problemas. Partindo daí, dentro da minha concepção, os termos Guerra Santa, Guerra Étnica e outros baseados em ideologia religiosa são apenas os reducionismos políticos utilizados por sociopatas que ascenderam ao poder e que necessitam de tais argumentos para justificar suas próprias barbáries.

Desde o sangue derramado pelos cristãos nas arenas romanas até o sangue vertido por muçulmanos e judeus, passando pelas barbáries diuturnamente cometidas na África, todas as estupidezas estão apostas dentro de um padrão de pensamento que passa pelo nacionalismo exacerbado, pelo militarismo financiado, pelos donos das armas e por quem detenha poder suficiente para exacerbar a ignorância, minar os valores éticos e conduzir os insanos como gado ao matadouro.

Independente de nossas opiniões, o ódio tem suas praças certas no mundo, seus endereços preferenciais.Suas garras, conforme se vê, são alimentadas de modo espetacular, até onde possa alcançar a sociopatia do poder e a obscenidade da violência, estimuladas pelaganância do lucro e pela ignorância meticulosamentearticulada do fanatismo, ideologia justificativa para mortes e crises artificais plantadas para a obtençãode vantagens e benesses de poucos.

2

A partir do momento em que Israel decide pela guerra total, utilizando helicópteros,mísseis, bombardeios, invasões terrestres e aviões,promovendo mais de seiscentas mortes em suasintervenções militares – até hoje! – está montando umcenário cujas conseqüências me parecem ser:

a) uma demonstração de que algo ocorre com o Mossad, e o que ocorre não é bom.

O Mossad é o serviço de inteligência de Israel, até então considerado um modelo de excelência, bastando para tanto lembrarmos sua atuação em Entebbe, nasolimpíadas de Munique, Alemanha, nas precisões de suas localizações das forças adversárias nas guerras nas quais se envolveu Israel desde a sua fundação. Em tais oportunidades, Israel soube muito bem capitalizar a simpatia do mundo ocidental. Agora, na atual guerra Israel-Líbano, me parece razoavelmente claro que, ou o Mossad não foi consultado, ou as suas decisões tem um peso político menor do que deveriam. Assim como em Washington há igualmente falcões no Knesset (parlamento de Israel).

b) a associação do estado judeu a um status de transgressor internacional e de desrespeito aos direitos humanos fundamentais.

Houve aqui uma involução na imagem de Israel. A midia mundial e as populações da Europa e dos Estados Unidospassam a associar a beligerância e a intransigênciacomo uma característica do estado judeu. As mesmas convivem precariamente com o estado democrático semeado por Israel na região.

A melhor imagem de Israel passou a denegrir-se especialmente a partir das posições radicais de Ariel Sharon, enquanto primeiro-ministro. O mundo não vai esquecer, por exemplo, Arafat preso em uma igreja cristã, cercado pelo exército de Israel. A partir de tais situações, houve uma fragmentação da imagem democrática do estado judeu.Mesmo no final de seu mandato, quando Sharon aceitou a Autoridade Palestina e retirou à força seus compatriotas mais fundamentalistas de áreas ocupadas, os prejuízos a imagem mundial de Israel já contabilizavam suas perdas.

c) O anti-semitismo deve recrudescer.

As forças que se orientam no sentido da destruição não apenas do Estado judeu mas também no ódio étnico devem ser fomentadas pela guerra atual entre Israel e o Líbano. Até porque a mesma significará o amalgamento dos países da região contra Israel. Por outro lado, se o discurso meramente retórico for insuficiente, os recursos midiáticos se encarregarão de inundar o mundo com fotografias e relatos do que as pessoas comuns passam e sofrem durante uma guerra, o que é absolutamente normal e esperado. Os fundamentalismos se fortalecerão cimentando ainda mais a continuidade do ódio e do desprezo pelos valores e pela vida judaica.Esses são alguns aspectos que me induzem a pensar em quão errada é a estratégia empregada pelo estado de Israel em continuar com essa estupideza. Sou contra a guerra, sou contra o terrorismo, e sei da glamurização que uma imagem carrega ou do desprezo que ela provoca.

Embora Israel entenda ter as suas relevantes razões (assim como o Hezbolah), o mundo não quer saber de razões nem de nada que conduza à mais morticínios.

O mundo, como – quase – todos nós, quer paz!

QUINTO RELATO

O governo de Israel anunciou que esse INFERNO vai terminar segunda-feira. O Hezbollah aceitou que esse INFERNO termine segunda feira. O Líbano não aceitou ainda a proposta para esse INFERNO terminar na segunda-feira.

Isso enquanto eu estava postando, e o Líbanos já tinha para contabilizar mais de mil mortos, Israel uns 150 e parece que uns 200 militantes do Hezbollah também morreram. Ah, sim, logicamente, enquanto não chega segunda-feira, continuam os ataques com mísseis, bombardeios, et caterva.

No comments.

PS: A guerra não terminou segunda-feira

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Mundo assassino

Novembro 15, 2007 noite Deixe um comentário

Fonte: http://www.flickr.com/photos/whitmanphotography/307033448/

A notícia abaixo é de uma estupidez e de uma falta de humanidade tão estarrecedoras que eu me permito não comentá-la.

Apenas resolvi transcrevê-la em sua íntegra, para que o registro pudesse lembrar-nos de quão canalhas podem ser as pessoas que movem as engrenagens do PODER.

October 12th, 2006

La ONU cifra en dos millones

los niños muertos en los conflictos bélicos

de los últimos 10 años
Entre 8.000 y 10.000 fallecen

o resultan mutilados cada año por minas

Fonte: http://www.elmundo.es/elmundo/2006/07/25/solidaridad/1153786228.html

Actualizado martes 25/07/2006 11:59 (CET)

EFE NUEVA YORK.- Dos millones de niños han muerto en conflictos en los últimos 10 años, mientras que decenas de millones se han visto obligados a desplazarse, según cifras divulgadas por la ONU.
El Consejo de Seguridad celebró una reunión a puertas abiertas para conmemorar el primer aniversario de la adopción de la resolución 1612, por la que se creó un sistema para controlar y recopilar información con el objetivo de frenar los abusos y violaciones de que son víctimas los niños en situaciones de conflictos armados.
“Durante siglos, los niños han sido víctimas de los conflictos, y su tragedia ha sido ampliamente ignorada”, señaló Anna Veneman, directora ejecutiva del Fondo de la ONU para la Infancia (UNICEF).
“Ahora, con el apoyo del Consejo de Seguridad, estamos finalmente en condiciones de supervisar el impacto real en los niños de las guerras y actuar de forma eficaz al respecto”, agregó.
Alertó que en los últimos 10 años, dos millones de niños han muerto a consecuencia de las guerras, e hizo hincapié en la importancia de seguir avanzando en la protección de la infancia en los conflictos armados.
El Consejo debatió qué nuevas medidas se pueden tomar para acotar las violaciones de los derechos humanos de los niños, especialmente en un momento convulsionado por los recientes acontecimientos en Oriente Medio.
La subsecretaria general y representante especial de la ONU para la cuestión, Radhika Coomaraswamy, remarcó que “los niños a menudo soportan la carga más pesada de los traumas físicos y psicológicos en los conflictos armados”.
Recordó que desde 2003, más de 14 millones de niños se han visto obligados a desplazarse dentro y fuera de sus países, y que entre 8.000 y 10.000 mueren o resultan mutilados cada año por minas.
Entre las agresiones más comunes a los derechos de la infancia están el secuestro, el abuso sexual y el reclutamiento de niños como combatientes.
“Más de 250.000 menores siguen siendo explotados como niños-soldados por grupos y fuerzas armadas en todo el mundo”, subrayó Coomaraswamy.
El presidente del Consejo de Seguridad, el embajador francés Jean Marc de la Sabliere, enfatizó la importancia que la problemática de los niños en los conflictos armados sigue teniendo y la necesidad de que este órgano de máxima decisión de la ONU impulse sus trabajos en este campo.

Fraterna estupidez e divina ignorância

Novembro 14, 2007 noite Deixe um comentário

ESCRITO EM 27 Julho 2006

Homossexualidade é menos que heterossexualidade: religiosos decidem?

Impressiona como questões sexuais revelam a incapacidade das grandes religiões em se desatrelarem de um parâmetro conservador. Quando as mesmas tratam a homossexualidade como doença ou desvio comportamental, incentivam claramente a homofobia e o fascismo, além de desrespeitarem o outro enquanto ser humano, desincluindo-o socialmente.
Normalmente as grandes religiões invocam as palavras de Deus, Cristo, ou Alah. Que eu saiba – e me desmintam e antecipadamente me desculpem pela ignorância – nenhum D’ELES delegou a determinadas pessoas julgarem e discriminarem outras pelo exercício de sua sexualidade.
Enquanto quem detenha status e capacidade institucional para falar em nome e por conta de qualquer religião mantiver esse discurso discriminatório, estará apenas mantendo um discurso dissociado do humano, do justo e do real.
Enquanto perdurarem tais situações, teremos o desprazer de convivermos com notícias como a abaixo.

Fonte: http://diversao.uol.com.br/ultnot/reuters/2006/07/11/ult26u21878.jhtm
11/07/2006 – 11h00

Ato gay em Jerusalém provoca aliança entre judeus e muçulmanos
Por Jonathan Saul

JERUSALÉM, Israel (Reuters) – Os organizadores do festival gay previsto para acontecer na cidade sagrada de Jerusalém, em agosto, prometeram dar prosseguimento a seus planos apesar da inusitada aliança entre líderes judeus, muçulmanos e cristãos que tenta impedir a realização dele.
O WorldPride, um evento de uma semana com uma parada, conferências e exibições, deve começar no dia 6 de agosto. “Os santuários sagrados de Jerusalém estão em sua melhor forma quando todos os seres humanos da cidade são respeitados igualmente”, afirmou Hagai El-Ad, da Jerusalem Open House, organizadora do festival.
A homossexualidade é um tabu entre muitos muçulmanos, judeus e cristãos, todos com importantes santuários na cidade. Líderes dessas religiões colocaram de lado as diferenças que alimentam os conflitos no Oriente Médio e tentam impedir a realização do evento. Alguns opositores do WorldPride colaram cartazes oferecendo 4.500 dólares para qualquer um que “mate uma dessas pessoas de Sodoma e Gomorra”.
Um judeu ultra-ortodoxo esfaqueou e feriu três participantes de uma parada gay realizada em Jerusalém, no ano passado. “Estamos enfrentando dias difíceis. Tais eventos não são aquilo de que Jerusalém precisa”, disse Adnan Husseini, diretor do Waqf, que administra o terceiro local mais sagrado do Islã.


ALIANÇA RELIGIOSA

O Monte Templo é o local mais sagrado do judaísmo e também é importante para os cristãos. Shlomo Amar, rabino chefe dos sefarditas em Israel, apelou ao papa Bento 16 a fim de que criticasse a parada publicamente. O Vaticano já se manifestou, opondo-se ao evento.
Grupos evangélicos cristãos vêem no festival um “ato calculado e confrontacional pensado para provocar e ofender.”
Autoridades municipais prometeram não ficar do lado de nenhum dos grupos em conflito e disseram que caberá à polícia decidir sobre se a parada pode ou não ser realizada.
Em uma conturbada sessão parlamentar realizada na semana passada em Israel, um clérigo muçulmano disse que, se a parada gay for realizada, Jerusalém corria o risco de ser alvo da ira divina como havia acontecido com a cidade bíblica de Sodoma. “Se vocês realizarem a passeata, vão nos prejudicar e vão prejudicar a Deus”, afirmou o xeique Abu Ali, diante de uma comissão parlamentar.
(Reportagem adicional de Ari Rabinovitch)

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Lidando com o perigo: códigos

Novembro 12, 2007 noite Deixe um comentário

1 – O fato.

Hoje, 28 de abril de 2006. Terminamos de almoçar e só faltam quinze minutos para as treze, horário limite para que eu pegue o ônibus e vá para a escola municipal, onde sou professor. Deixamos nosso menino na escolinha, próximo à nossa casa e minutos depois estou embarcando no ônibus.Tenho um livro às mãos; gosto de ler durante o trajeto, a não ser que esteja muito cansado. No entanto, hoje De Masi me absorve.Desço na parada habitual; agora devo andar três quadras, pela Martim Felix Berta, sentido bairro e depois dobrar à direita na primeira rua, descer uma quadra e dobrar à esquerda. Levo em média uns seis ou sete minutos para cobrir o percurso. Faltam poucos metros para atingir a esquina onde devo dobrar à esquerda, para entrar no mundo da escolaAinda estou pensando na leitura, quando passam por mim, no sentido contrário, dois jovens: enquanto eu desço a mesma pela calçada, em direção à escola, os dois seguem pelo meio da rua para a Martim Felix Berta. O sol brilha intensamente, e ouço um latido forte no quintal da casa à minha direita, do outro lado da rua. “Proteção”, penso.No momento em que brevemente nos cruzamos, um dos rapazes pergunta/ordena:“Aí, tio, me dá um dinheiro pr’eu fazê um rango! Depois te devolvo!”Olho para ele. Não o conheço. Não é aluno meu, nem foi. Está vestido dentro do código básico dos jovens das zonas periféricas: camiseta larga, com algo escrito em inglês, bermudona larga abaixo dos joelhos, cabelo com uma tintura que o deixa amarelo.Embora não o conheça, abro um sorriso e lhe digo que não tenho dinheiro. Continuo andando em direção à escola, e eles em sentido contrário. É aí que ele explode. Berra, no meio da rua, onde passam alunos, senhoras, transeuntes:“Então vai te fuder, seu filho da puta! Enfia o dinheiro no teu cu. Corno, veado, filho da puta!” – ele continua berrando, ofendendo, jogando seu ódio diretamente em cima de mim. Enquanto grita, faz gestos com a mão, com o corpo todo se preparando para uma briga.Os xingamentos, a explosão de raiva do jovem me atingem como uma bofetada; de repente estou ali no meio da rua, sendo xingado, humilhado e publicamente constrangido. Sinto-me nu. A adrenalina comanda a minha resposta, no mesmo tom:“Vai você, palhaço! Vai você, infeliz, boçal, imbecil!”A raiva com que eu grito é tão grande quanto a humilhação que estou sentindo. O jovem continua a xingar, a ofender. Sempre subindo a rua, vem a ameaça:“Tenho vontade de te dar umas porradas, seu filho da puta!”“Então vem dar, imbecil! Vem, canalha!!”, eu respondo.Ato contínuo eu paro e fico esperando que ele venha cumprir o que disse. Faço uma rápida análise visual do mesmo. O rapaz tem no mínimo quinze centímetros a mais que eu, é forte e deve ter quase trinta anos a menos. No entanto eu fico ali, adrenalina pulsando, aguardando o que ele vai fazer.Enquanto ele está com um amigo que possui o mesmo perfil físico e idade muito próxima, eu trago somente o livro de De Masi na mão direita, enquanto a esquerda segura a alça da sacola onde trago meus materiais para a escola.Entre nós há uma tensão constante; o outro continua a repetir as ameaças, mas continua andando no sentido contrário ao meu, que estou ali, esperando. Quando eu pressinto que ele não irá me atacar fisicamente, começo a andar para a escola, dando-lhe as costas. Parece que a situação toda se fluidificou, perdeu-se em algum ponto entre a estupidez e a humilhação, entre a violência verbal e a resposta física. Quando chego à esquina, instintivamente olho em direção a Felix Martim Berta. Ambos me observam; provavelmente estão considerando as possibilidades reais de agressão. Segundos após, estou entrando na escola.

2 – A reflexão

Estou na sala dos professores, refletindo sobe o que houve. Estou só, e não contei nada a ninguém. Penso.Até o momento em que respondi que não tinha dinheiro para dar ao rapaz (na situação concreta, usar o verbo “emprestar” era um eufemismo, uma licença semântica), estávamos ambos dentro de uma situação esperável. Se alguém pede algo que você não tem, ou não quer, ou não pode dar, doar, ceder, quem pediu sabe que seu desejo não obriga o outro. São regras de convívio social, para o bem ou para o mal.No momento em que parei, fisicamente convidando o rapaz a agir, havia entre nós um abismo, que não podia ser medido em metros, mas em dimensões que se incluíam e se excluíam mutuamente. Ali convivia no mesmo instante a civilização e a barbárie, como faces intensas do humano, do inesperado.Quando me senti humilhado, atingido na minha auto-imagem, reagi fortemente. Embora não tenha dito nenhum palavrão propriamente, a intensidade e a ira com as quais me defendi eram muito fortes.Penso. No momento em que aceitei o desafio, que não recusei o embate, será que agi bem ou mal? Deveria ter ficado quieto? Passivo, como fui e sou obrigado a ser incontáveis vezes na escola onde leciono?Talvez o mais prudente fosse engolir a humilhação, digerir a agressão, submeter-me ante o agressor, intelectualizar a situação como forma de minorar o agravo que estava sentindo. Mas nem sempre consigo seguir o que é mais prudente, mais politicamente correto, mais conveniente ou o que a razão manda.Ainda não sou de plástico.Há situações nas quais a pressão é muito grande, e normalmente elas provêm do inesperado, do agressivo, da abusividade que busca ser artificialmente superior. Ao repensar no que houve, me vem a certeza que eu usei o mesmo código, a mesma linguagem que o meu agressor usou. O não demonstrar medo, aqui, significa ser respeitado.Na comunidade em que trabalho como professor presencio, dentro da escola, vários atos de agressão por dia, patrocinados indistintamente por todos contra todos, desde a violência simbólica de Bordieu até o primitivismo atávico e agressivo dos códigos locais e que envolvem a não representação e a não aceitação do outro.Não creio, contudo, que respeitar diferenças seja um passe livre para a submissão, ou que ao humilhado caiba o papel de humilhar terceiros, indistintamente, reproduzindo um ciclo de insanidade. Quando fui agredido, defendi-me, para demonstrar claramente que havia sentido a agressão e não concordava com ela, mas que não iria ficar passivo: esse o código do local, e não o código burguês que impulsiona boa parte de nós, professores.Tenho plena consciência de que participo de uma sociedade doente; por isso, não devo ser brutal, sob pena de não apreciar as manifestações positivas, que são muitas e que brotam indistintamente aqui e ali, e nem tolo ou romântico demais no sentido de tudo perdoar, em razão de pretensamente carregar em minhas costas um sentimento de culpa infinito e indefinido, pelo fato de ter conquistado o que até hoje conquistei, fruto do meu trabalho e da minha dedicação.Sou responsável pela minha história e pelas minhas escolhas; se não devo alimentar a violência, por outro lado uma submissão genérica não pode ser encarada como a única alternativa ou opção possível.

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