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Archive for the ‘Sistema/economia’ Category

A velha assertiva

Maio 19, 2009 noite Deixe um comentário

Grobalização por fagnersouza 

Fonte:http://www.flickr.com/search/?q=globaliza%C3%A7%C3%A3o

A velha assertiva de que “para alguém ganhar, outro tem que perder”, revela-se particularmente cruel, em razão da exclusão da cidadania, gerada no âmago de um quadro institucionalizado de injustiça social. No Brasil, hoje, em razão de crises de diversas ordens e do abuso de uma significativa parcela feudal instalada na classe política, há um entre-devorar em busca do alcance de necessidades imprescindíveis à estabilidade individual e familiar, o que, em suma, faz avultar patologias e distorções sociais que se retroalimentam e cuja solução se circunscreve a uma efetiva fiscalização do cidadão sobre as instituições políticas, econômicas e financeiras das quais é súdito. 

Aqui, o projeto neoliberal é porta-voz da globalização. De todo, vasta bibliografia sobre o tema, nos permite visualizar a origem, as tendências ideológicas e as conseqüências de tal fenômeno. Ora, o que tem isso a ver com a escola, e como pode atingir, por exemplo um aluno no interior do Ceará, do Maranhão ou do Rio Grande do Sul? O que o professor  do interior de Goiás tem a ver com tais processos, que por vezes parecem tão distantes e afastados de sua realidade? Usando-se o próprio conceito de globalização a malha de interesses que se estende de Nova Iorque a Brasília, de Hong Kong a Berlim, de Osaka a Miami, igualmente atinge a professora de Tocantins, bem como o aluno de Campinas. Como isso acontece, e quais são as suas conseqüências reais?

Os influxos econômicos e financeiros gestados dentro de uma política nacional globalizada atingem o projeto educacional por inteiro. Exigências do capital trazem conseqüências diretas a política educacional, e não poderia ser diferente. Os salários dos professores, a expansão, conservação ou manutenção das salas de aula, números de alunos matriculados, a capacidade da rede pública em atender tais demandas, tudo está interligado dentro de um sistema de orçamento público e dentro de uma legislação que regula as atividades desenvolvidas pela escola.

Os ingressos de receita nos diferentes níveis de competência constitucional da administração pública (federal, estadual, municipal) bem como sua capacidade de endividamento, moldarão a política educacional como um todo, do qual a professora de Palmas, ou o professor catedrático da USP terão de se haver.  A falta de recursos para atendimento às suas demandas, das mais diversas ordens, tem origem, sim, não raras vezes, em Londres, Nova Iorque, Washington,  Osaka, em Cingapura, e outros locais  alhures. A partir do momento em que a economia globalizada tem a capacidade de volatizar capital, atendendo interesses meramente especulativos, e o feudalismo legislativo comporta-se como porta voz de tais necessidades, seus efeitos atingem todas as instituições, idem sistema escolar, independentemente de suas necessidades, premências ou características setorizadas. Submeter-se a globalização implica submeter políticas nacionais estratégicas.

A escola pública tem seu papel regulado pela administração que a gerou, inconteste sua  verticalização hierarquizada e sua submissão ao poder político que dá-lhe sustentação, além do que seus agentes educacionais encontram-se adstritos a estatuto funcional na maioria dos casos, afora algumas distorções do sistema.  Logo, a mantenedora pública regerá a gestão de suas mantenidas, dentro de seus peculiares interesses e disponibilidade orçamentária, dispondo dos recursos humanos e materiais destinados à escola, balizará sua praxis pedagógica e dará cor a seu projeto educacional.  As tensões havidas no âmbito escolar derivam-se desde posições ideológicas,  movimentos associativos ou de caráter sindical,  diferentes visões pedagógicas, pressões comunitárias e sociais, interesses políticos (ou meramente eleitorais), qualificação do ensino e dos professores egressos de instituição de instituição de nível superior, falta de capacitação necessária para implementar tal projeto educacional, problemas relacionados à estrutura da escola, enquanto instituição inserida no âmbito social, situações de caráter material e ético, violência, predação de escolas, ameaças a alunos e professores, questões que envolvem avaliação, promoção, reprovação, índices de alunos evadidos, preponderância conteudista ou não,  democratização da escola, sendo essas apenas algumas das complexidades com que a escola, pública se depara no seu dia-a-dia.

 A educação comporta análise e visão multidisciplinares, pois seu caráter sócio-cultural predispõe a abordagens que se autocomplementam, o que, contudo está longe de ser entendido como consenso, pois as necessidades educacionais variam assim como as próprias sociedades movimentam-se de modo fluído e complexo. “Esta ruptura entre o mundo instrumental e o mundo simbólico, entre a técnica e os valores, atravessa toda a nossa experiência, da vida individual à situação mundial. Somos ao mesmo tempo daqui e de toda parte, isto é, de lugar algum. Enfraqueceram-se os laços que a sociedade local ou nacional estabelecia através das instituições, da língua e da educação, entre nossa memória e nossa participação impessoal na sociedade de produção, deixando que nós administremos, sem dedicação e sem garantia, duas ordens separadas de experiência”. (Alain Touraine, in Poderemos Viver Juntos, Ed. Vozes, Rio de Janeiro, 1999).

A complexidade animada pelos interesses econômicos, políticos e ideológicos e alimentada pelos mass mídia, pela indústria do espetáculo, pelo azeitamento e pela criação constante de necessidades artificiais via publicidade e propaganda atravessam as diversas sociedades e instâncias, impondo um modus vivendi fundado no egocentrismo e no consumo alienante, em clara oposição à autonomia e ao ser.  

1984, de Orwell cada vez mais é um ícone de um processo mundial de aculturação.Ali o mesmo criou a novilíngua, cujos signos e significações tendiam a sincretismos semânticos que reduziam o espaço para o simbólico, a abstração e o interpretativo; a mesma emprestou um brilho todo singular à ficção, que abordava o absolutismo dogmático e centralizador do Estado.  Ora, o uso da fala e do signo são uma das mais eficazes formas com que conta o homem para sua autonomia, além de possibilitar-lhe interpretar o mundo e melhor decidir a partir de tais experiências. Reduzir ou minimizar tais possibilidades é interferir negativamente na capacidade de produção intelectual e abstrata do homem, o que implica na sua maior alienação.

“Na literatura, é belo (e triste) o exemplo que Graciliano Ramos nos dá com Fabiano, protagonista de Vidas secas. A pobreza de vocabulário da personagem prejudica a tomada de consciência da exploração a que é submetida, e a intuição que tem da situação não é suficiente para ajudá-la a reagir de outro modo”. (Maria Lucia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins, in Filosofando, Ed. Moderna, São Paulo, 1993 ). Dentro de um cenário regido por signos técnicos e interesses construídos sob subterfúgios não há mais nichos que abriguem paradigmas que não possam ser extintos alterados ou cooptados por essas mesmas presentes e invisíveis instâncias de dominação ideológica e econômica.

Os mercados de trabalho exigem cada vez mais que o profissional tenha capacidade de interação, de diálogo e que mantenha sua criticidade inclusive cultural e artística, dentro de uma expectativa mundial que privilegia as atividades terceirizadas e de serviços em contraponto àquelas industriais, especialmente nos países desenvolvidos. As lógicas de mercado querem mais o inglês comercial do que as línguas nacionais; mais a criatividade do que o burocratismo alienante e privilegiam as habilidades de negociação e de juízo em contrapartida ao taylorismo sufocante que caracterizou o processo industrial. Não estamos aqui dizendo que as rotinas massificantes e a impessoalidade tenham deixado de existir ou que as administrações voltadas para a produção tenham uma visão mais holística da realidade. O que ocorre é uma expansão dos serviços em relação às atividades industriais, o que requer um profissional com maior capacidade de adaptação e criatividade.

A criação de novas tecnologias trouxe consigo a necessidade dos grandes conglomerados econômicos terceirizarem seus serviços, ocasionando a capilarização de atividades específicas via parcelização ou terceirização, criando assim novas profissões.  Por outro lado, o terceiro setor emerge em vários países como grande arregimentador de força de trabalho solidário. 

“Em 1870 … de 13 milhões de empregados nos Estados Unidos só três milhões dedicavam-se à produção de serviços; em 1940, dos 50 milhões de empregados mais de 24 milhões já trabalhavam nesse setor.”

“A General Electric, por exemplo, em 1980 tinha 85% do seu faturamento em atividades nitidamente industriais e 15% em atividades terciárias. Em 1997, praticamente invertera-se a proporção, com 75% de seu faturamento proveniente das atividades de serviços: basta pensar que a GE opera com satélites, cartões de crédito, companhias de leasing, transportes marítimos e aéreos em todos os cinco continentes, Só no setor de seguros possui 28 empresas.” (Domenico de Masi in O Futuro do Trabalho, Editora UNB e José Olímpio, Rio de Janeiro e Brasília, 1999)

A expansão e retração dos mercados nacionais e o consumo alienante aliado a instituições pressionadas por demandas sociais que não conseguem atender trazem um sentimento de instabilidade aos indivíduos que se isolam em seus casulos ou mergulham no mundo globalizado, perdendo sua identidade. Inserida nesse cenário de alternâncias bruscas, contínuas e complexas, encontramos a educação formalizada pela escola e para a qual, sem dúvida, chegam também os processos de ruptura e de quebra de paradigmas.

Aqui é necessário um breve corte histórico objetivando ter clara a idéia da cultura escolástica imposta pelo colonizador português à novas terras. A mesma privilegiava o texto, afastando-se do empirismo científico. O humanismo e o renascimento europeus tomaram um viés diferenciado em Portugal, especialmente a partir de 1550, com a ascenção do protestantismo e dentro do espírito da Contra-Reforma pós Concílio de Trento. O fortalecimento da Companhia de Jesus e o declínio do humanismo em Portugal privilegiaram a leitura e o fazer pedagógico imbricado nos clássicos greco-romanos.

“Por ciência escolástica, entendemos aqui a escolástica dos séculos XV e XVI, com o seu distanciamento e quase esquecimento dos métodos e conquistas da filosofia natural do período anterior. E por ciência humanística queremos significar a de um humanismo que, à força de se preocupar com as letras, desdenhava prática e, por vezes, teoricamente as ciências enquanto conteúdos de saber. Ao voltar-se para a medicina e para a filosofia natural, esse humanismo interessou-se sobretudo pelos textos, pretendendo superar com eles na mão a corrente arábico-escolástica, mas descurando de fato o exame das coisas.”

 Basta então uma releitura da influência da Companhia de Jesus nos primórdios da escola brasileira e de seu viés ideológico para termos um retrato bastante razoável do desenvolvimento da educação formal e da tendência ao tradicional que permeia uma enorme parcela das práticas pedagógicas que ocorrem ainda hoje. Tal influência ideológica enraizou-se fortemente na escola nacional; em outros termos, é grandemente responsável pela formação profissional dos professores e nas suas visões de mundo. 

Cada vez mais a sociedade cobra soluções da escola brasileira; uma das idéias semeadas e incentivadas muitas vezes cinicamente pelos sistemas públicos de educação é a de que as escolas devem “dar conta” das demandas que lhe são encaminhadas, sem que haja uma contrapartida estrutural que garanta a própria eficácia do sistema. Hoje as escolas, especialmente as públicas, lidam com violência física e verbal,  ameaças,  alunos drogados,  famílias desestruturadas, adolescentes desrespeitosos, criticidade exacerbada contra  a autoridade; alunos que são vítimas de molestamento sexual,  alunas adolescentes grávidas que vão engrossar as fichas de FICAIS, e assim por diante.

 Administrativamente lidam com a falta dos professores, com a improvisação desestruturante das mantenedoras, com uma falta de política de integração entre os órgãos públicos no sentido de uma cooperação efetiva para superar problemas que demandam saúde física e mental, lidam com encaminhamentos sem retorno, lidam com um alto nível de estresse e de corrosão da própria estrutura da escola. Ora, inexiste formação profissional que possa abarcar toda essa demanda. Somente uma rede multidisciplinar profissional extremamente bem azeitada poderia minorar tais problemas. 

Alguns fatores observados na prática:

 (a)      os professores e as escolas são um dos raros espaços públicos onde a agressão e a violência são cotidianamente suportadas como se isso integrasse o código de relações estabelecidas e sem pauta de discussões com a sociedade;

(b)     as mantenedoras públicas tem suas responsabilidades minoradas, a partir do momento em que se discute unicamente os efeitos da violência escolar mas não se discute o papel das mesmas no sentido de prevenir a violência institucionalizada com políticas públicas integradoras e multidisciplinares;

(c)      o mito romântico linkado a figura do professor ainda subjaz ao seu papel de profissional da educação fazendo com que não raras vezes, a sociedade admita que aquele cumpra a função de substituição psicológica aos papéis reservados aos pais, às famílias, às comunidades, aos serviços sociais, etc.

(d)     a visão utilitarista do conhecimento, o que faz com que o sujeito epistêmico tão-só importe-se realmente com o produto final do ensino, representado por um diploma, não raras vezes carente de valência real.

A educação comporta análise e visão multidisciplinares, pois seu caráter sócio-cultural predispõe a abordagens que se autocomplementam, o que, contudo está longe de ser entendido como consenso ou homogeneização, pois as necessidades educacionais variam assim como as próprias sociedades movimentam-se de modo fluído e complexo.

“Esta ruptura entre o mundo instrumental e o mundo simbólico, entre a técnica e os valores, atravessa toda a nossa experiência, da vida individual à situação mundial. Somos ao mesmo tempo daqui e de toda parte, isto é, de lugar algum. Enfraqueceram-se os laços que a sociedade local ou nacional estabelecia através das instituições, da língua e da educação, entre nossa memória e nossa participação impessoal na sociedade de produção, deixando que nós administremos, sem dedicação e sem garantia, duas ordens separadas de experiência”. (Alain Touraine, in Poderemos Viver Juntos, Ed. Vozes, Rio de Janeiro, 1999).

A complexidade animada pelos interesses econômicos, políticos e ideológicos e alimentada pelos mass mídia, pela indústria do espetáculo, pelo azeitamento e pela criação constante de necessidades artificiais via publicidade e propaganda atravessam as diversas sociedades e instâncias, impondo um modus vivendi fundado no egocentrismo e no consumo alienante, em clara oposição à autonomia e ao ser.

Dentro de um cenário regido por signos técnicos e interesses construídos sob subterfúgios não há mais nichos que abriguem paradigmas que não possam ser extintos alterados ou cooptados por essas mesmas presentes e invisíveis instâncias de dominação ideológica e econômica. Os mercados de trabalho exigem cada vez mais que o profissional tenha capacidade de interação, de diálogo e que mantenha sua criticidade inclusive cultural e artística, dentro de uma expectativa mundial que privilegia as atividades terceirizadas e de serviços em contraponto àquelas industriais, especialmente nos países desenvolvidos.

As lógicas de mercado querem mais o inglês comercial do que as línguas nacionais; mais a criatividade do que o burocratismo alienante e privilegiam as habilidades de negociação e de juízo em contrapartida ao taylorismo sufocante que caracterizou o processo industrial. Não estamos aqui dizendo que as rotinas massificantes e a impessoalidade tenham deixado de existir ou que as administrações voltadas para a produção tenham uma visão mais holística da realidade. O que ocorre é uma expansão dos serviços em relação às atividades industriais, o que requer um profissional com maior capacidade de adaptação e criatividade.

A criação de novas tecnologias trouxe consigo a necessidade dos grandes conglomerados econômicos terceirizarem seus serviços, ocasionando a capilarização de atividades específicas via parcelização ou terceirização, criando assim novas profissões.  Por outro lado, o terceiro setor emerge em vários países como grande arregimentador de força de trabalho solidário.

 

 

Uma ronda utópica

Abril 21, 2009 noite Deixe um comentário

Assemblée générale ouverte des 3 conseils de l'université Paris-8 por michael bunel

Fonte: http://www.flickr.com/search/?q=universite+de+Paris+8

 

Uma ronda utópica

Edson Luiz André de Sousa[i]

“O elemento milagroso que nos alegra, pode ser simplesmente o raio do sol que, numa manhã de primavera, transfigura uma rua miserável”

Georges Bataille

Capturados que estamos em uma lógica utilitarista, somos tentados a abandonar rapidamente tudo aquilo cujo sentido nos escapa, anestesiando, em nós e no mundo, os atos que tentam recuperar a força milagrosa daquilo que nos surpreende como promessa de futuro. Sem esta possibilidade de sonhar com outras configurações de mundo, a vida se reduziria a uma repetição sombria. A passividade que nos aprisiona faz a alegria daqueles que usufruem soberanamente de nossa paralisia. Portanto, um dos grandes desafios de nossos tempos é manter viva a esperança de mudanças estruturais em nosso laço social, uma vez que o ar do novo liberalismo (que veio para ficar) não tolera nenhuma crítica. Como poderíamos nos opor a um estilo de viver que se outorga a qualidade de ser um prolongamento de nossa natureza? Ressoa ainda a apocalíptica afirmação de Margareth Thatcher “there is no alternative” , defendendo assim uma economia que, sob a bandeira de uma liberdade de mercado, tenta solapar nosso potencial crítico. Este panorama é assustador e o descrédito da próprio fazer político é uma das conseqüências trágicas deste cenário. Noam Chomsky, em seu ensaio “Sobre o controle de nossas vidas”, aponta com precisão este horizonte quando mostra o quanto o povo é considerado como “estrangeiros ao sistema, ignorantes e inoportunos” e que deveria se contentar com o lugar de espectadores e não de participantes. Ironicamente, ele mostra que sempre que aumenta a participação popular o poder sabe bem como nomear tal perturbação: trata-se de uma “crise da democracia”. Contudo, ainda encontramos alguns que se recusam a andar nesta direção e buscam algum desvio na contramão das pequenas ruas miseráveis.

Diante de um dos símbolos do poder político de Paris, o monumental prédio da prefeitura às margens do Sena, centenas de pessoas de revezam em uma caminhada ininterrupta em um grande círculo. Este movimento começou no dia 23 de março ao meio dia e não tem data para acabar, razão pela qual se autodenominou como “ronda infinita dos obstinados”. Esta iniciativa partiu de um coletivo de professores, estudantes e funcionários da Universidade de Paris 8, em protesto aos novos projetos de lei para o ensino superior propostos pelo governo de Nicolas Sarkosy. Muitas outras universidades aderiram à proposta e a ronda tomou uma proporção inesperada, já se espalhando por muitas cidades francesas : Amiens, Lyon, Toulouse, Montpellier, Fort-de- France entre outras. Estas medidas, uma vez implantadas, vão mudar drasticamente o perfil da universidade francesa com substanciais cortes de orçamento, diminuição de vagas, proposta de uma “autonomia” que abrirá ainda mais as portas da universidade à iniciativa privada e o fim do estatuto de professor-pesquisad or. Não é preciso ter muito conhecimento de economia para saber o custo que tais políticas provocarão na pesquisa e no ensino. Por isto, um dos slogans que podemos ler na praça do “hotel de ville” é : “Não, a universidade não é uma empresa nem o saber uma mercadoria”.

O grande relógio da prefeitura também gira em seu pulsar contínuo e testemunha o tempo que ali se escreve. Cada hora é escrita em giz branco em um pequeno quadro-negro no centro do circulo. O relógio desenhado no tempo do caminhar tem dezenas de ponteiros e não há hierarquia entre eles. Já são mais de 400 horas de caminhada dia e noite, energia anônima em movimento, como uma maré que invade o espaço da cidade. A imagem de obstinação deste caminhar sem principio, nem fim, faz corte nos círculos viciosos do poder que insiste em dizer que nada está acontecendo. Lâmina fulminante no olho do governo como a cena inicial do clássico filme de Bunuel “O cão andaluz”. Portanto , uma luz que anda mesmo no escuro. Quando chove, a ronda desenha no chão o traço vivo do círculo como uma escritura efêmera de um olho imenso que insiste em querer ver. O movimento surgiu a partir de uma idéia do professor Denis Guedj como forma de reagir a indiferença do governo às reivindicações dos professores e estudantes universitários em greve há mais de dois meses. Em recente artigo no jornal ” Libération” (8/4) ele justifica o sentido da proposta : “Como dizia Deleuze, nós giramos por aqueles que não giram. Não em seu lugar mas por sua intenção”. Assim, esta ronda interpela por sua abertura à estagnação de outras circularidades que nos capturam.

Ronda utópica, pois insiste na criação de novos espaços e, sobretudo, uma obstinação pela esperança . O caminhar incessante desenha uma outra relação de forças entre manifestantes e o poder. Foi o que aconteceu com a ronda das mães da praça de Maio em Buenos Aires, fundamental na história de resistência à ditadura na Argentina , que deixou como saldo macabro mais de 30.000 desaparecidos.

Muitas pessoas que passam pela prefeitura buscam informações sobre o que está acontecendo. Desta forma, os passos anônimos adquirem voz e ampliam a participação popular no movimento. Circunferência inquieta e solidária que nos faz pensar na responsabilidade de cada um para com seu tempo e sua história. A praça da prefeitura tem sido nomeada como praça da greve. A língua francesa permite uma derivação precisa do que ali está se escrevendo: uma praça do sonho (rêve). Como lembra Ernst Bloch, o grande pensador das utopias do século XX, aquele que sonha não fica jamais no mesmo lugar.

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[i] Psicanalista. Professor da UFRGS em pós-doutorado em Paris na Universidade de Paris 7 e na École des Hautes Etudes en Sciences Sociales.

[Les parties de ce message comportant autre chose que du texte seul ont été supprimées]

De Davos a Davinhos

Abril 21, 2009 noite Deixe um comentário
Abertura XXI Fórum da Liberdade por Forum da Liberdade
 
 
 
Subject: DE DAVOS A DAVINHOS – Col. Juremir CP
Juremir Machado – Correio do Povo – 7 Abril, 2009
 
DE DAVOS A DAVINHOS

Porto Alegre é demais. Não vive sem um bom anacronismo. Já teve o seu tempo de Fórum Social Mundial. Quem não se lembra de todos aqueles bichos-grilos dizendo que outro mundo era possível? Quem não se lembra, sobretudo, do sarcasmo dos modernos neoliberais? Como riam aqueles homens. Como tinham certezas. Como eram pragmáticos e seguros. Mas até os seguros se revelaram maus investimentos. Porto Alegre é demais. Mantém-se fiel ao mais ideológico dos fóruns, o da liberdade, cujo mundo idealizado se tornou repentinamente impossível. Pena que não pude acompanhar de dentro. Eu adoraria estar presente no Fórum da Liberdade para escutar as sessões de mea culpa.
Imagino que todos tenham aproveitado para chicotear as costas em público e reconhecer os erros dos últimos 30 anos. A ideologia, sabemos, é cheia de astúcias. Tem mais astúcias do que a razão. Uma delas é considerar ideologia exclusivamente o pensamento dos outros. Essa é a grande astúcia da direita, que nem se chama de direita. As astúcias ideológicas, repito, estão por toda parte. Os adversários das cotas, por exemplo, em defesa de interesses particulares e de privilégios mantidos ao longo do tempo, recorrem a um universalismo abstrato como forma de tentar barrar uma necessidade muito concreta de reconhecimento das singularidades. Todo argumento é bom quando se trata de converter o particular em universal por conveniência.
O Fórum da Liberdade deu-se a liberdade de preconizar o Estado mínimo com o máximo de pretensão e uma gigantesca dose de minimalismo teórico. Deve ter acontecido uma sessão inteira apenas para explicar em bom português os bônus pagos, nos Estados Unidos, com dinheiro público, para executivos que fracassaram em iniciativas privadas de pouco risco para eles e de muita vertigem para contribuintes e governos. Como diz o outro, aqui se faz, aqui se paga. Com o dinheiro dos impostos. Haja impostos para pagar tudo o que foi feito e não pode ser desfeito para não romper contratos malfeitos. Eu perdi o melhor da festa. Queria tanto ter ouvido os ideólogos do neoliberalismo explicando o ‘risco-Estados Unidos’, a oferta de dinheiro do Luiz Inácio atrevido da Silva para o FMI, os bilhões saídos dos cofres públicos para salvar a lavoura neoliberal, as críticas de neoliberais de ontem à falta de regulamentação de hoje e, principalmente, teria amado ouvi-los comentar o retorno de Keynes, o economista desprezado na alta e suportado na baixa. É mais ou menos como a volta do Zorro e do Tonto. Que fazer sem eles? Sucumbir? O Zorro é o herói mascarado que evita a tragédia. Tem um preço. Tonto é o contribuinte.
Meu nome é Tonto. My name is Tonto. Je m’appelle Tonto. Não entrei para ouvir as conferências. Não existe almoço grátis. Nem ingresso. Mas compareci ao local do evento para observar antropologicamente os personagens. Que seres estranhos! Pareciam saídos da máquina do tempo com seus ternos fashion, seus relógios de marca, suas ideias recém-vencidas e seus perfis ousados e inovadores com um cheiro fresquinho de intervenção estatal. Confesso que senti medo. E se me pedissem contribuição para salvar o planeta, a GM, a Chrysler, a AIG e todo o sistema financeiro norte-americano? Eu daria uma sugestão: deixem quebrar! Mas cobraria por ela. Consultor é consultor. A vida é assim mesmo. Tem Danone e Danoninho, Davos e Davinhos. Porto Alegre é demais. Este é o Estado atual.

CategoriasSistema/economia

Put people first

Abril 13, 2009 noite Deixe um comentário

Documento lançado há dias: além do protesto, alterntivas

Fonte: Le monde diplomatique, http://diplo.wordpress.com/2009/03/16/recado-ao-g-20/

 

O cartaz acima foi utilizado por mais de cem movimentos civis em protesto à reunião do G20, ocorrida dias atrás. O que ele busca é que seja dada primazia ao humano, em detrimento dos frios cálculos capitalistas que, cada vez mais produzem crises, milhares de desempregados e que sustenta os lucros absurdos da jogatina no mercado de capitais. Pode ser que eu seja desinformado, mas os jornais brasileiros não produziram nada de muito relevante a respeito das reuniões preparatórias para o G20, especialmente aquelas nas quais as entidades civis buscaram ter uma maior visibilidade, considerando que o capitalismo, da forma como se apresenta é absolutamente predatório e desumano.

As coberturas jornalísticas que vi se contentaram em mostrar algumas passeatas pacíficas e algumas manifestações mais radicais e acabou, o que me lembrou que realmente a imprensa foi criada depois da mesa de edição, que é comandada não pela notícia, mas pelo interesse de mostrar ou não a notícia. Também me lembrei de uma frase de Millor: “quando a imprensa quer, ela transforma uma revolução numa briga de vizinhos.” A frase não é bem essa, mas o sentido sim. Provavelmente se Churchill vivesse hoje, diria que nunca tantos acreditaram em tão poucos. É o milagre da tecnologia, mas não a tecnologia do milagre. Os interesses econômicos continuam sempre preponderando e a idade da inocência, desde há muito se perdeu.

É tempo de nos organizarmos de modo solidário e sem líderes messiânicos. Usemos a rede para isso.

A crise dos mercados: inúteis apelos

Outubro 21, 2008 noite Deixe um comentário

 The Wall Street Bull at the Financial District, Manhattan, New York City por Scandblue

 

The Wall Street Bull at the financial district, Manhattan, New York City

Fonte: http://www.flickr.com/search/?q=wall+street&m=text

 

Um comentário de quem não é economista, não trabalha no mercado financeiro, não é banqueiro (embora já tenha sido bancário em priscas eras) e menos ainda empresário, a respeito da atual crise mundial de crédito, denominada genericamente de crise dos mercados. Não há outro assunto que ocupe tantos espaços na mídia. Os que ainda não sofreram irão purgar as conseqüências terríveis e virulentas da crise dos mercados, que irão se abater como as sete pragas que contaminaram o Egito. Ainda não se identificou quem faz o papel de Moisés, se a Coca-Cola, a Pepsico, a Monsanto, a Warner, a CNN, a Phillips, a Sony, a TNT, a city de Londres, a Exxon, La Maison Vuiton, a indústria automobilística, o Vale do Silício, a Microsoft, o Carrefour, a American Express, a General Electric, os bancos comerciais, a Apple, a indústria bélica, a máfia, as bolsas asiáticas, os países europeus, o euro, o dólar, a Rua do Muro de Nova Iorque, as transferências e as deslocalizações financeiro-monetárias, os clubes de futebol que funcionam como transnacionais, o Mc Donalds, a Disney, a Mottorola, a Vale, a rede mundial de computadores, o Mastercard ou o Visa, et caterva, ou uma ampla e etérea união de capitais que congrega todos esses entes aos quais nos curvamos e batemos palmas, submissos no papel de consumidores. Mas, sem dúvida, no papel de egípcios estaremos todos nós, de modo indistinto.   

 

Botando os pingos nos iis: os mercados são o resultado visível e concreto das operações efetivadas por megacorporações que dominam a mercancia mundial e que detém poder suficiente para submeter as economias e portanto as políticas da maioria dos países. Para termos uma idéia da concentração e da força econômica de tais empresas, vamos citar, apenas de passagem, a Monsanto.

 

  • “Em 2005, dez empresas controlavam a metade do mercado mundial de sementes. Apesar de inundados de notícias sobre fusões de empresas mostrando que há cada vez menos empresas controlando maiores percentuais de mercado em todas as áreas, sementes não são a mesma coisa que televisores, automóveis ou cosméticos. São a chave de toda a cadeia alimentar no mundo e o coração da vida camponesa e da agricultura. A quarta parte da população mundial, os camponeses e camponesas do mundo, guardam suas próprias sementes para cultivar a comida de muitos mais.

    Em 2003, as 10 maiores controlavam um terço do mercado mundial. Hoje chegaram a 49 por cento do valor global das vendas desse insumo, segundo o informe Concentração da Indústria Global de Sementes – 2005, do Grupo ETC. Agora a Monsanto é a maior empresa de venda de sementes comerciais, além de já ter o monopólio virtual na venda de sementes transgênicas (88 por cento em nível global). Na última década, a Monsanto engoliu, entre outras empresas, a Advanta Canola Seeds, a Calgene, a Agracetus, a Holden, a Monsoy, a Agroceres, a Asgrow (soja e milho), a Dekalb Genetics e a divisão internacional de sementes da Cargill. Suas vendas de sementes, no último ano, alcançaram mais de 2,8 bilhões de dólares. A Monsanto e a Dupont têm sede nos Estados Unidos. 

    Em relação à área global cultivada, as sementes transgênicas da Monsanto cobriram 91 por cento da soja, 97 por cento do milho, 63,5 por cento do algodão e 59 por cento da canola. Em nível global (somando cultivos convencionais e transgênicos), a Monsanto domina 41 por cento do milho e 25 por cento da soja. A aquisição da Seminis permitiu à Monsanto alcançar a distribuição de 3.500 variedades de sementes a produtores de frutas e hortaliças em 150 países. Em setores onde a Monsanto era invisível, agora controla 34 por cento das pimentas, 31 por cento dos feijões, 38 por cento dos pepinos, 29 por cento dos pimentões, 23 por cento dos tomates e 25 por cento das cebolas, além de outras hortaliças. Silvia Ribeiro,pesquisadora do Grupo ETC www.etcgroup.org em http://alainet.org/active/10410&lang=es

A partir da década de 70 e capitaneados pela Escola de Chicago, tendo como guru Milton Friedman, os arautos do neoliberalismo implementaram uma nova ordem mundial, com o aporte ideológico e financeiro dos mesmos países que trouxeram a si os papéis de protagonistas em Bretton Woods: Estados Unidos e Inglaterra. A Escola de Chicago contrapunha-se ao keynesianismo, segundo o qual “a mão invisível do mercado” absolutamente não garantia nenhuma estabilidade reguladora na economia mundial, além de não ser eficiente no combate às crises e menos ainda dava qualquer segurança ao que se convencionou chamar de welfare state (estado de bem-estar social), ideologia política que propugnava por políticas sociais garantidoras dos direitos dos cidadãos. Para Keynes o Estado deveria intervir sempre que necessário para garantir uma economia saudável e socialmente compatível com sua própria função.

 

Os governos Reagan e Tatcher empunharam firmemente a bandeira do neoliberalismo que propunha a “diminuição do estado”, processo que foi acelerado especialmente a partir da década de setenta (século XX) com a crise mundial do petróleo. O neoliberalismo elencava como agenda a privatização de empresas estatais geradoras de lucro (muitas vezes em atividades sensíveis ou estratégicas), um trânsito mais liberado de encargos em relação ao fluxo internacional de capitais, especulativos ou não, a desregulamentação das leis trabalhistas, como meio de forçar o desmonte dos sindicatos, corroer os salários e forçar ajustes mais benéficos ao capital, a queda tarifária e tributária, como meio de desoneração das empresas, e o incentivo à guerra fiscal, pelo qual os estados deveriam ser selecionados para as atividades produtivas na proporção inversa dos tributos a serem pagos pelas empresas, além de outros critérios econômicos e políticos.

 

Por outro lado, o neoliberalismo foi beneficiado, igualmente, com um denso aporte tecnológico, em especial representado pelo desenvolvimento exponencial da informática e dos sistemas de telecomunicações. Não há praticamente um lugar de interesse ao mundo econômico que não seja rastreado via satélite e as informações nos chegam a todo momento dos mais diversos cantos do mundo. As mega-empresas, assim, podem usar todo um processo de deslocalização e transferir seus capitais a um toque no computador ou a um telefonema, visto que todos os sistemas econômico-financeiros são informatizados, a exemplo das redes bancárias, para usarmos um exemplo mais comum. Da mesma forma como operamos em caixas eletrônicos o fazem as grandes corporações. Só que o celular nunca está temporariamente desligado ou fora de área.

 

A atual crise dos mercados é uma crise de crédito. Emprestou-se dinheiro a quem não podia pagar. Depois venderam-se os títulos que não seriam pagos, e que foram comprados. Por outro lado, especulou-se na bolsa sem um lastro de liquidez possível.  Dito assim parece ser simples. Na verdade é. Quando você vai viajar de carro, deve fazer uma revisão no veículo antes da viagem. Se ele tiver algum problema, resolva-o e só depois pegue a estrada.  Simples assim. No caso o véículo teve problemas longe de tudo, mas o proprietário já sabia que iria dar problemas. Daí se conclui que, como não estamos lidando com amadores, muitos devem estar lucrando, mas, sem dúvidas, muitos mais estão pagando esses lucros adicionais.

 

Embora haja um razoável esforço midiático para aproximar metaforicamente mercados e pessoas comuns através da linguagem, não podemos nos enganar com expressões como “mercados nervosos”, “os mercados estão estressados”, “os mercados estão flutuando”, os “humores do mercado” ou qualquer outra preciosidade semelhante: se há algo que é absolutamente inumano são os mercados. Aos mercados só interessa o lucro, especialmente dentro de uma ideologia neo-liberal.  Portanto não tenhamos ilusões. Capitais tem de vir de alguma parte; de onde eles venham, serão acolhidos. Continuaremos.

Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada II

Abril 11, 2008 noite 1 comentário

USTOP

Fonte: http://www.flickr.com/search/?q=ustop&m=text

Em relação ao post citado acima, Gabriel me enviou um comentário que acho muito esclarecedor, inclusive em relação à determinadas idéias que reforçam escritores atuais que tratam, às vezes genericamente, às vezes de forma mais particularizada, do assunto. Demonstra também, claramente, quais os rumos e as confluências entre propaganda e publicidade no mundo de hoje, considerando as questões identitárias. Vale a pena ler!

GABRIEL BESNOS

É isso, pai. Mas tenho comentários adicionais.
As “coisas” em si – entenda-se aí tudo que é material, palpável e, portanto, “produto” – estão perdendo a importância em ritmo acelerado. O que importa, no mundo contemporâneo, é a “não-coisa”, tida aí como informação, serviço e, finalmente, experiência. Por conta disso, a publicidade venderá cada vez menos produto, e cada vez mais experiência. Não importa a coisa, mas o valor atribuído à coisa pelo seu consumidor. O consumo, portanto, é de imagem. Este valor percebido de uma marca depende de uma rede de referências e experiências do indivíduo – que são influenciadas pela mídia, mas não mais “massificadas”, exclusivamente. O discurso da massificação está esvaziado diante de um indivíduo com identidade fragmentada, pós-moderna, customizada, em oposição a um modelo de identidade mais sociológico.
Nessa direção, portanto, está ficando impossível separar publicidade e propaganda, porque toda a persuasão passa a ser ideológica, e não racional. Indo além, dá pra dizer que a publicidade tende a perder terreno, na medida em que está muito focada na comunicação. O design, por sua vez, está ampliando o foco, com uma abordagem mais estratégica. O design estratégico reúne profissionais de diversas áreas (além do designer mesmo, especialistas em tecnologia, em marketing, em comportamento do consumidor, caçadores de tendência, antropólogos e etc.), com o propósito de projetar um sistema-produto, ou seja, além do bem material, o seu entorno, as ferramentas de sua comunicação e posicionamento no mercado e, por último (e mais importante), a experiência do usuário com o mesmo.
Isso é uma inversão e tanto! Ao contrário de as mídias verticalizarem discursos, elas terão que se horizontalizar, recolhendo no mundo o seu conteúdo. E quem estará informando (no sentido de “dar forma a”) o conteúdo de consumo serão os designers, que não tem outra escolha senão se portarem como radares de tudo que acontece no mundo.
Interessante, né? Beijo, Gab.

Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada

Abril 1, 2008 noite 1 comentário

 propaganda

Fonte: http://www.flickr.com/search/?q=propaganda&m=text

Comentários a respeito do que Gabriel Besnos me ensinou.

  Publicidade não é a mesma coisa que propaganda. Grosso modo, a propaganda é voltada para questões políticas e ideológicas, enquanto a publicidade se ocupa com a venda de um produto.  A propaganda deve ser associada com um ideário, com uma teoria política, econômica ou cultural que lhe dê sustentação, buscando estabelecer novos parâmetros ou lutando pela supremacia de determinados nichos de poder. O racismo, por exemplo, advém de uma teoria segundo a qual uns são essencialmente melhores que os outros e, portanto, aos primeiros cabem condições privilegiadas de acesso social, reduzida aos demais que devem ser discriminados e excluídos. Se analisarmos o racismo, iremos encontrar muitos estudos (inclusive neocientíficos) que irão corroborá-lo, dando-lhe sustentabilidade no mínimo argumentativa. Aqui (mas evidentemente não só nesse exemplo), a propaganda é o vetor que proporcionará que seja disseminada tal teoria para alcançar seus objetivos sociais, políticos, culturais e econômicos. Quando uma corrente de pensamento entende que descabe ao Estado se envolver com questões sociais, insiste na hipótese de que descabe àquele investir em questões como previdência, saúde, habitação, devendo tal ser remetido ao livre mercado. Ao mesmo tempo, quem entende assim pode dizer-se contra os impostos, pois os capitais investidos em contrapartidas sociais são alijados do investimento no sistema produtivo. Devemos então nos dar conta de que nem sempre quem é contrário aos impostos (ou, eventualmente aos excessos tributários) o faz por espírito público, mas talvez porque queira usufruir melhor das possibilidades de acesso a tal capital.    É claro que existe uma zona cinzenta aí; como reconhecemos hoje, nada é tão cartesiano assim. O poder de influir da propaganda e da publicidade é enorme, mas atuam em campos distintos. Encarado desse modo, o fazer da propaganda pode ser bastante perturbador, ao vender idéias, ao negociar dialogicamente com política, economia, culturas e estamentos sociais.   A publicidade, ao vender/imagens tem grande alcance no meio social, por lidar com sonhos, desejos, consumos e comportamentos. Em uma época na qual cada vez mais a indústria se inova tecnologicamente, customizar assume uma enorme importância. Dentro desse processo, a publicidade cada vez mais vem se ocupando em esmiuçar, compreender, mapear o que denominamos de identidade. Quem somos, quais são as nossas preferências, com quais grupos nos identificamos, a qual “tribo” nós pertencemos, quais as nossas idiossincrasias, medos, ancestralidades, referências culturais, todas essas são questões que remetem à identidade de modo geral e que tem força considerável nas relações de consumo e de produção e, portanto, interessam vivamente à publicidade. Por outro lado, em nosso mundo não-linear, os conceitos de/em rede se encontram cada vez mais próximos e presentes. Assim, sociólogos e teóricos como Michel Foucalt, Félix Guatary, Gilles Deleuze, Szygmunt Baumann, igualmente se ocupam de questões identitárias. Para Guatary, há dois caminhos para a individuação: ou você parte para o individualismo assumindo a cultura de massa, realizando o que a mídia diz que você tem de ser e consumir de modo alienante, ou então você assume sua liberdade de modo autêntico, assumindo seu desejo e fazendo desabrochar sua criatividade, passando a ser alguém singular, um consumidor pensante, com um sentido de projeto para sua existência.  Ora, se trata, aqui, de uma composição comportamental, social e afetiva que traz conseqüências para a economia, para a empregabilidade e para o consumo. Afinal, ao comprador de um automóvel, além das questões práticas, podem acudir também certos signos e desejos, sinalizações de poder, de ascensão social, de status.  Assim, o binômio propaganda/publicidade, dentro de um enfoque mais abrangente apresenta regiões de tensionamento, mas também uma estreita interação, a partir do momento em que há toda uma estruturação de comportamento humano que dinamiza a economia, a política e a cultura e que, inclusive, informa os movimentos marginais, desviantes a uma institucionalização de tais ou quais parâmetros ou paradigmas de preferência.  Há décadas atrás, a US Top veiculava, em rede nacional de televisão, a publicidade de seu produto. Todo o Brasil reconhecia e sabia cantar: “Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada, que você pode usar do jeito que quiser (não usa quem não quer). US Top desbota e perde o vinco (denin índigo blue)”. A “liberdade” aqui era reduzida ao consumo da calça da US Top. A identificação com a juventude era direta. No entanto, ao mostrar, a publicidade, que os jovens “rebeldes” deveriam usar a calça, estava também endossando a ideologia de que aqueles eram ameaçadores ao status quo. Um exemplo claro de que a propaganda e a publicidade interagem freqüentemente, com campos comuns de interesse, o que inviabiliza limites conceituais precisos, o que é esperável dentro de um mundo fragmentado, facetado e midiático, orientado para o consumo e para a normalização.  Talvez por isso os publicitários tenham tanto cuidado com a interação entre propaganda e publicidade, e não sem motivos. Há uma diferença bastante significativa entre vender uma plataforma política e apartamentos em um condomínio. A questão é que cada vez mais a publicidade é utilizada para veicular propaganda, explícita ou não. Um dos fenômenos mais claros é a publicidade aplicada à política.  Sabemos que candidatos devem se preocupar e muito com a sua imagem, com o que dizem, com as conveniências de manter um ou outro padrão de referência em relação ao próprio discurso político. Um minuto de televisão em rede nacional pode sacrificar ou eleger uma proposta política, sem que sequer o telespectador médio perceba, aquele que recebendo a informação, não tem condições reais de analisá-la ou de confrontá-la com outros níveis de realidade. A manipulação política se viabiliza através da mass media que a veicula e, especialmente, de como a veicula. Os livros que falam sobre o fenômeno são infindáveis e conhecê-los é uma grande viagem e a exploração de um conhecimento que só é reconhecível após nos conscientizarmos de que somos, em tudo e por tudo, consumidores. Cabe a cada um de nós, dentro do possível, optar entre o que Guatary, inteligentemente, nos aponta.

Política e caldo de galinha

Março 25, 2008 noite Deixe um comentário

Urna 

 Fonte: http://www.flickr.com/search/?q=urna&page=2

É claro que os leitores eventuais sabem que política vem de polis, cidade, ou seja, a política é a arte de bem administrar uma cidade. A própria palavra tem o signo da complexidade, porque os interesses são conflitantes; muitas vezes, o que importa a uns não é o que importa aos demais. As relevâncias e as necessidades são distintas, dependendo do cenário social e dos seus atores, e a política brota desse meio, sendo, portanto, uma atividade regida pelo tensionamento, pela contradição, pela maior ou menor capacidade da afirmação de poder. Em nosso sistema político-institucional delegamos a alguém a capacidade, o mandato para que esse alguém fale por nós, nos represente e busque estabelecer os nossos interesses ou outros interesses com os quais concordemos. O conflito, portanto, nasce daí, pelo menos no que importa ao homem enquanto ser político. É óbvio que as necessidades de quem passa fome e vive abaixo da linha da miséria não são aquelas de alguém que tem uma vida confortável: no entanto, ambos podem votar no mesmo candidato, mesmo que haja um oceano entre o cotidiano dos dois. No caso, o candidato representa o desejo, ou pelo menos parte do desejo social de ambos. Se, no campo estrito da lógica histórica, o menos afortunado e aquele mais privilegiado do ponto de vista social teriam muitos motivos para uma convivência não pacífica, a eleição de um candidato pode mediar tais diferenças, no que tanje à representatividade, àquilo que ambos querem. No entanto, na prática do mandato, tais divergências irão surgir de modo mais palpável e, provavelmente, menos palatável.

O eleitor deposita esperanças e quer que sua visão social seja privilegiada em relação às demais; como o jogo político se perfaz dentro dos tensionamentos e das multiplicidades dos desejos, o não atendimento, pelo candidato, aos pleitos de seus eleitores traz uma grande frustração. Aquela mesma do pai que limita o filho quando este não quer limite. Há, porém, uma enorme diferença entre ambos, pois se o pai detém, em tese, o poder de determinação, de mando, seja pela via da autoridade ou pela via do autoritarismo ou mesmo do desmando, o político não possui tal poder; contrariamente, para realizar o que se propõe depende, em princípio, de seus pares, de composições partidárias, de cenários muitas vezes nebulosos e das suas reais possibilidades de negociação e de flexibilização de interesses que se encontram díspares, contraditórios e normalmente em conflito. Se considerarmos a complexidade do mundo político veremos que não é uma atividade para a qual todos estejam preparados; assim, poucos dos eleitores que tanto reclamam dos seus próprios eleitos teriam efetivas condições avaliativas, discursivas, dialógicas, culturais e uma visão estratégica coerente para exercerem tal função pública. O mandato não é algo simples de ser realizado no cotidiano, pois não implica necessariamente na satisfação dos desejos dos mandatários. Talvez esse seja o primeiro vetor de insatisfação quanto ao jogo político.

“Os políticos prometem mas não cumprem”, tem muito mais a ver com as dificuldades em exercer um cargo dessa ordem e alcançar os interesses de seus correligionários do que procurar frustá-los. Qual político não gostaria de alcançar o reconhecimento de seus eleitores? Do ponto de vista meramente pessoal, seria continuar desfrutando de uma posição social de privilégio o que não é desprezível ou desprezável, como queiram. Tal posição é a conseqüência prática e visível da outorga de um mandato inicial: alguém confiou-lhe uma tarefa a qual nem sempre é possível cumprir, pelo próprio cenário teórico em que isso deva ocorrer, independentemente de sua própria vontade, até mesmo pela oposição que recebe de seus pares. Por isso é da natureza do cargo político negociar interesses, próprios ou de terceiros, participar de alianças nem sempre duradouras ou éticas ou mesmo tomar atitudes que nem sempre são consideradas como positivas por parte de seus eleitores. Às vezes há alternativas melhores, outras não; de qualquer modo, o político, o votado é aquele que deverá responder na integralidade pela sua ação ou inação, pelos votos seus e pelos seus opositores.

Uma das faces que ritualiza o papel do político é a inversão do que se entenda por representatividade. Em um mandato, há um mandante e um mandatário. O político, mandatário, deve buscar cumprir o seu mandato, ou seja, deve procurar viabilizar o que os seus votantes, os seus eleitores, os mandantes querem dentro do cenário político institucional. Contudo, o comportamento de uma boa parte dos mandantes é o de pedir, de solicitar, de requerer. Há, portanto, uma inversão consentida e tácita, mesmo porque, na maior parte dos casos, o eleitor não tem acesso aos canais de poder ou não tem força política para tanto. A criação do senso comunitário muitas vezes é nublada pela ditadura do individualismo e do consumo. Se o eleitor não conhece a força que tem em seu voto, o político a conhece sobremaneira.

Uma das situações que faz com que o votante não saiba avaliar o poder de seu voto é a sensação do grau de  volatilidade desse poder dentro de um universo relativamente grande, considerando-se a massa de votantes. Visto assim, o voto passa a ser algo quase que desprezível, mas seu somatório é bastante considerável. 

Um exemplo razoável: em 2004, no segundo turno da última eleição para prefeito de Porto Alegre concorreram Fogaça, pelo PPS e Raul Pont, pelo PT. Fogaça teve 431.820 votos e Raul Pont teve 378.009 votos. Pois muito bem: não importa se você votou em Fogaça, em Pont, anulou o voto ou seu voto foi nulo. Qual a força efetiva de seu voto? Ou, vendo de outro modo, quando você votou para vereador de Porto Alegre, qual foi o seu movimento em relação ao seu escolhido? Se foi nenhum, é evidente que o candidato “escapou” de suas mãos. Ele não o conhece, você faz parte de uma massa de votantes, assim como o número que consta em uma cédula de identidade, o número de um cartão de crédito, o número do seu telefone ou do seu cpf. Pronto, acabou. Não há identificação entre aquele que vota e o seu escolhido; o político votado não sabe a cara do seu eleitor, a não ser dos mais próximos. Quando um político tem uma “bandeira” de luta, ele está dizendo a uma massa indistinta que ele lutará por essa ou aquela causa, portanto, conclama a que, através do voto, essa massa se identifique na hora da votação. Até porque, após a mesma, terá dificuldades enormes em saber quem votou ou quem não votou em tais ou quais bandeiras. A democracia, sem a participação do cotidiano, torna-se um show de aparências e de midia. 

Assim, dizer de participação política não é apenas gritar aos quatro ventos na esquina que meu candidato ganhou ou coisas do gênero, mas, sim, participar efetivamente de movimentos sociais com natureza bastante específica ou filiar-se a algum partido político, exercendo sua cidadania de modo mais pleno.

Como o votante não sabe em quem votou, porque votou em uma projeção do que desejaria, assim também o político não sabe efetivamente quem o considerou como uma opção em meio a tantos outros nomes. O caminho que mais tem sido trilhado, então, é um só: agrada-se aos meios de comunicação, adere-se aos discursos do bem comum, do óbvio, e procura-se diminuir os contrastes e as diferenças essenciais entre os partidos políticos. Pratica-se o discurso da mais rasteira obviedade, e toma-se um ar de conciliação. Todos querem conciliação, a tv, os rádios, os eleitores não suportam mais tanta violência, tanto bate-boca, tanta vituperação, tanta baixaria. Todos querem apenas uma coisa: chegar em casa e botar os pés pra descansar. Nada mais reconfortante nessa hora, do que praticar-se o reducionismo alienante, aquele mesmo que diz que se você tiver o cartão de crédito “A” ou “B” ou “C”, será, per secula seculorum, feliz, happy, de bem com a vida, talvez até mais magro. O discurso da conciliação fácil para o povo é isso: um belo caldo de galinha. 

Money transfer

Janeiro 6, 2008 noite Deixe um comentário

Olhar do Dinheiro ( The Eye of the Money )
 

Fonte: http://flickr.com/search/?q=dinheiro&page=3

 WOOD JR., Thomaz__A gestão da rede de valores, in Mudança organizacional, 3. ed., SP, Atlas, 2002, p. 193 Da década de 70 para a década de 90… 

De mercados domésticos protegidos para mercados abertos

De mercados financeiros regulamentados para mercados financeiros desregulamentados

De taxas de câmbio estáveis para taxas de câmbio flutuantes

De baixo nível de desemprego para relação de trabalho flexível

De dois pólos econômicos (EUA e Europa) para blocos econômicos (NAFTA, EU, Ásia)

De crescimento das economias industrializadas para indústrias transferidas para lugares onde a mão-de-obra é mais barata

De estruturas organizacionais pesadas para estruturas enxutas e flexíveis

De organizações burocráticas para pluralidade de modelos organizacionais

 

WOOD JR., Thomaz__A gestão da rede de valores, in Mudança organizacional, 3. ed., SP, Atlas, 2002, p. 193 Da década de 70 para a década de 90… 

De mercados domésticos protegidos para mercados abertos

 

De mercados financeiros regulamentados para mercados financeiros desregulamentados

 

De taxas de câmbio estáveis para taxas de câmbio flutuantes

 

De baixo nível de desemprego para relação de trabalho flexível

 

De dois pólos econômicos (EUA e Europa) para blocos econômicos (NAFTA, EU, Ásia)

 

De crescimento das economias industrializadas para indústrias transferidas para lugares onde a mão-de-obra é mais barata

 

De estruturas organizacionais pesadas para estruturas enxutas e flexíveis

 

De organizações burocráticas para pluralidade de modelos organizacionais

CategoriasSistema/economia

Direitos e necessidades: recortes reais

Janeiro 6, 2008 noite Deixe um comentário

Pobreza 

 Fonte: http://flickr.com/search/?q=pobreza&m=text

Fonte: COSTIN, Cláudio__ Criando alianças estratégicas entre universidades e empresas: o caso UNIEMPPg. 88 

Países em desenvolvimento e países desenvolvidos 

Aos países em desenvolvimento são associadas perspectivas de necessidades

Aos países desenvolvidos são associadas perspectivas de direitos

  

Perspectiva de necessidades

A criança é percebida como um recipiente passivo

Perspectiva de direitos

A criança é um participante ativo

Perspectiva de necessidades

As necessidades implicam objetivos, inclusive os parciais

Perspectivas de direitos

Os direitos implicam o atendimento a todas as crianças

Perspectivas de necessidades

As necessidades podem ser atendidas sem sustentabilidade

Perspectivas de direitos

Os direitos devem ser atendidos com sustentabilidade

Perspectivas de necessidades

As necessidades podem ser classificadas numa hierarquia

Perspectivas de direitos

Os direitos não podem ser organizados hierarquicamente

Perspectivas de necessidades

As necessidades nem sempre implicam obrigações. As necessidades são associadas a promessas.

Perspectivas de direitos

Os direitos envolvem obrigações. Estão associados à obrigações, não a promessas

Perspectivas de necessidades

As necessidades variam conforme as culturas e os ambientes (settings)

Perspectivas de direitos

Os direitos são universais

Perspectivas de necessidades

As necessidades podem ser atendidas mediante caridade

Perspectivas de direitos

A caridade não é aceita

Perspectivas de necessidades

Atender as necessidades depende de vontade política

Perspectivas de direitos

Dar conta dos direitos depende da escolha política

 

COSTIN, Cláudio__ Criando alianças estratégicas entre universidades e empresas: o caso UNIEMPPg. 88 Países em desenvolvimento e países desenvolvidos 

Aos países em desenvolvimento são associadas perspectivas de necessidades

 

Aos países desenvolvidos são associadas perspectivas de direitos

  

Perspectiva de necessidades

A criança é percebida como um recipiente passivo

 

Perspectiva de direitos

A criança é um participante ativo

 

Perspectiva de necessidades

As necessidades implicam objetivos, inclusive os parciais

 

Perspectivas de direitos

Os direitos implicam o atendimento a todas as crianças

 

Perspectivas de necessidades

As necessidades podem ser atendidas sem sustentabilidade

 

Perspectivas de direitos

Os direitos devem ser atendidos com sustentabilidade

 

Perspectivas de necessidades

As necessidades podem ser classificadas numa hierarquia

 

Perspectivas de direitos

Os direitos não podem ser organizados hierarquicamente

 

Perspectivas de necessidades

As necessidades nem sempre implicam obrigações. As necessidades são associadas a promessas.

 

Perspectivas de direitos

Os direitos envolvem obrigações. Estão associados à obrigações, não a promessas

 

Perspectivas de necessidades

As necessidades variam conforme as culturas e os ambientes (settings)

 

Perspectivas de direitos

Os direitos são universais

 

Perspectivas de necessidades

As necessidades podem ser atendidas mediante caridade

 

Perspectivas de direitos

A caridade não é aceita

 

Perspectivas de necessidades

Atender as necessidades depende de vontade política

 

Perspectivas de direitos

Dar conta dos direitos depende da escolha política

 

CategoriasSistema/economia