Judaísmo

 
Pessach: a Boca que Fala
por Iehuda Gitelman, líder espiritual do Centro Israelita

Entre as muitas interpretações da palavra Pessach, a que sempre gostei mais foi Pessach como “pe – ssach” – a boca que fala.

Em Pessach, devemos aproveitar a tão cobiçada liberdade de falar, porque assim nos libertamos dos Faraós, da obscuridão da noite.

Uma das diferenças entre liberdade e escravidão está marcada pela possibilidade de se expressar sem temor. De dizer o que se deseja. De gritar ou ficar calado. Aprender a liberdade para exercitá-la, descobrindo que na palavra esta a verdadeira força.

Nas noites dos Sedarim de Pessach, afirmamos a essencialidade da narrativa como interiorização e exteriorização do tempo. A noite do Seder deve ser tomada pela Fé e a redenção, e por isso a Hagadá passa a ser o manual que nos transporta ao Egito, nos dando um significado espiritual a nossa vida para poder elaborar o “ser livre”.

Mas, cuidado! Não deve ser unicamente um formalismo, nem uma formula mágica. O relato compromete. Deve se converter num diálogo entre a verdade histórica e a experiência pessoal que possamos aportar diante daqueles dilemas que nos permitam compreender a possibilidade de escolher.

Ser livre é poder se afastar dos prejulgamentos que levamos profundamente enraizados em nosso espírito, e a noite do Seder, através da narrativa, nos dá quase que sem percebermos esta única oportunidade de abençoar não só o que comemos, como também a “ação de comer”.

Em nossos tempos, nos quais todos tem suas verdades definitivas, sem que ninguém tente objetá-las, resulta quase impossível enxergar a Verdade. Para aqueles que não poderão alcançar essa possibilidade, o Seder nos dá os meios que não pela sua simplicidade são menos efetivos: a palavra do relato do Êxodo, através da boca que dialoga do pe – ssach, e a mesma boca ingerindo alimentos que simbolizam os que podemos colocar em nossos paladares com liberdade.

Se quisermos que Pessach triunfe, é o dialogo que devemos fomentar. Assim, poderemos nos inspirar, nos iluminar e enxergar a Verdade, para que o grito de liberdade seja proferido realmente por seres livres.

Pessach Casher Vesameach!

Shabat Shalom
Iehuda Gitelman,
Líder Espiritual do Centro Israelita

Antissemitismo
por Iehuda Gitelman, líder espiritual do Centro Israelita

 

“Morreram mais católicos do que judeus no holocausto, mas isso não aparece porque os judeus têm a propaganda do mundo”.
Palavras do Arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus 

 

  

1) os velhos preconceitos cristãos que ainda perduram em ocidente;
2) a negação ou justificação da Shoa – Holocausto.

O antissemitismo, definido como “hostilidade contra os judeus”, foi e continua sendo, embora transformada e se transformando, uma constante histórica; e é o exemplo antigo mais típico e categórico de discriminação racial e intolerância religiosa. 

Hoje se fala do “novo antissemitismo”. Um novo antissemitismo que irrompeu com enorme força na vida pública, disfarçado ou se misturando com o antissionismo e a crítica à política israelense. A isto chamamos de “judeufobia”.

O antissemitismo tradicional sempre negou o direito do judeu a existir como indivíduo ou a viver em igualdade na sociedade.

O antissionismo, ou antissemitismo pós-moderno, nega o direito a autodeterminação dos judeus como povo, o direito a se expressar coletivamente ou a existir como Estado.

O anti-israelismo não quer reconhecer o Estado de Israel, negando sua legitimidade.

Mas se o antissemitismo, o antissionismo e o anti-israelismo não são fenômenos novos, qual é a novidade no “novo antissemitismo”?

Em primeiro lugar, a crítica constante ao Estado judeu, e por extensão, a todos os judeus. Os antissemitas de antes se orgulhavam de serem antissemitas, os de hoje o negam, e até se ofendem se chamados assim. Estamos assistindo à globalização do antissemitismo. O “novo antissemitismo” transcende as fronteiras, as nacionalidades, os sistemas políticos e sociais.

Para a maioria da esquerda ocidental  – desde a nova extrema esquerda, da agitação de rua a intelectual de salão, como para a ultra direita, Israel é um Estado ocupante, repressor, genocida, nazista e o principal inimigo da paz.

Me preocupa o ressurgimento de uma nova extrema esquerda “antissistema” na Europa e na América Latina, abertamente antijudia.

A história nos ensina que o antissemitismo é imprevisível, e o seu combate não é só um problema dos judeus – e sim de toda a sociedade democrática. Como disse Pel Ahlmark, ex-Vice Primeiro Ministro da Suécia: “O antissemitismo começa sempre com os judeus… e por não ser contido, segue atacando a outros grupos e minorias, até finalmente destruir o sistema democrático e a norma jurídica”.

Se conseguimos de alguma forma eliminar ou pelo menos neutralizar os efeitos perniciosos do antissemitismo, teremos alcançado uma grande vitória, pelo bem da humanidade e a convivência dos povos.

Shabat Shalom
Iehuda Gitelman,
Líder Espiritual do Centro Israelita

  

Chodesh Tov!
por Iehuda Gitelman, líder espiritual do Centro Israelita

Segundo o Sêfer Yetzirah, cada mês do ano judaico tem uma letra do alfabeto hebraico, um signo do Zodíaco, uma das doze tribos de Israel, um sentido e um membro controlador do corpo que correspondem a ele.

Cheshvan é o oitavo mês do calendário judaico.

Na Bíblia, Cheshvan é chamado chôdesh bul, da palavra mabul, “o dilúvio”. O dilúvio começou a 17 de Cheshvan e terminou no ano seguinte, a 27 de Cheshvan. No dia seguinte, Nôach ofereceu um sacrifício a Deus e Deus prometeu jamais enviar um dilúvio sobre a terra novamente para destruir toda a humanidade, e então revelou o sinal de Seu pacto com o mundo, o arcoíris.
Cheshvan é o único mês que não possui dias festivos ou mitzvot especiais.

Letra: Nun

Nun é considerada como sendo a letra de Mashiach, como radical do verbo, nun significa “reinar”. Como substantivo, significa “o herdeiro do trono”. O oitavo mês é o mês de Mashiach, pois oito significa a eterna revelação do sobrenatural.

Neste mundo, o nun está curvado, confinado pelos limites da natureza. Com a vinda de Mashiach, o nun “se endireita”, o formato do nun final, rompe os limites da natureza e desce “abaixo da linha” até os reinos subterrâneos da realidade a fim de ali revelar a a luz infinita e abrangente de Deus.

Mazal: Akrav (Escorpião)

Nossos Sábios ensinam que o escorpião é o membro mais mortal da categoria geral de criaturas peçonhentas cuja figura modelo é a serpente primordial do Éden. A palavra akrav deriva da palavra akev calcanhar.

Assim, o akrav simboliza a “mordida” consumada da cobra no calcanhar do homem. De forma geral, o veneno da cobra é “quente”, e o veneno do escorpião é “frio”. O Mashiach é a única alma que pode superar, matar e por fim reviver a serpente primordial (a fim de convertê-la para o bem).

Tribo: Menashe

Menashe é o primogênito de Yossef. Derivando da palavra “esquecer” literalmente, “saltar, para cima e para longe”, Menashe sugere o poder do tsadic (Yossef) de nos fazer esquecer as provações, dificuldades e tribulações deste mundo, com a vinda de Mashiach. Pelo poder e sentido de Menashe, todo o sofrimento deste mundo se transformará e metamorfoseará no prazer da Era Messiânica. O nome Menashe permuta-se para grafar neshamá (alma). Menashe representa o sentido de revelar a alma Divina em Israel.

Sentido: Olfato

O sentido do olfato é o mais espiritual de todos os sentidos. A palavra hebraica para “olfato”, rei’ach, é cognata àquela para espírito (ruach). Nossos Sábios ensinam que o olfato é o único sentido que “a alma desfruta, e não o corpo”.

O sentido do olfato é o único sentido (dos cinco sentidos comuns) que não participou, e portanto não foi maculado ou corrompido no pecado primordial do homem no Jardim do Éden.

Shabat Shalom! Codesh Tov!

Tzav

A parasha desta semana, dedicada a toda espécie de Korbanot – oferendas -  começa com o Korban Ola Toda, sacrifícios de gratidão, de oferenda e de pazes, harmonia, oferecidos a D-us.

 

 

Iehuda Gitelman

 

Parashá Vayicrá/ E Ele chamou

Vayicrá/ Lev. 1: 1 – 6:7

Yeshaiahu/ Isaias 43: 21- 44:23

Tehilim/ Sl. 50

ESTUDOS PARA PRÓXIMA SEMANA

Parashá Tsav! / Ordena!

Vayicrá/ Lev. 6:8 – 8:36

Malachi/ Malaquias 3:4-24  

Tehilim/ Sl. 107

“E CHAMOU o SENHOR a Moisés, e falou com ele da tenda da congregação, dizendo:
Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando algum de vós oferecer oferta ao SENHOR, oferecerá a sua oferta de gado, isto é, de gado vacum e de ovelha. Se a sua oferta for holocausto de gado, oferecerá macho sem defeito; ? porta da tenda da congregação a oferecerá, de sua própria vontade, perante o SENHOR.”

  

Vayicrá/ Lev. 1: 1-3  

 

 

    Os nomes que os livros da Torá adquiriram são as suas respectivas primeiras palavras: Bereshit quer dizer “no princípio”, Shemot, “E estes são os nomes”; Vayicrá, “E Ele chamou”; Bamidbar, “no deserto”, e finalmente Devarim, que dizer “Estas são as Palavras”; no judaísmo tudo faz sentido, mesmo que não entendamos, mas por trás da falta de entendimento de tais assuntos ou preceitos existem em si um profundo ensinamento: todos nós somos limitados de conhecimento, por mais que a buscarmos, sempre teremos dúvidas, portanto devemos reconhecer esse vazio que há em nós e apontar para o D’us Onisciente, que sabe todas as coisas.

    Observe quão maravilhoso e profundo ensinamento nos trás quando unimos a Torá em nossa vida: No Principio (Bereshit) éramos vazios sem a Luz Divina (desobedientes a Torá da verdade), portanto não tínhamos nomes, éramos desconhecidos por D’us, afastados da Comunidade de Israel; após essa Luz (Torá) habitar em nossos corações, passamos então, a ter nomes (Shemot) de filhos e filhas de Jacob, principalmente para aqueles que não eram seus filhos, mesmo que sejam rejeitados pela nação de Israel, mas o D’us de Yakov nunca os rejeitará (Is. 63: 16), porque se prontificaram e se sacrificaram a pertencê-Lo, por isso que terão nomes melhores que os próprios filhos e filhas (Is. 56:1-6); por conseguinte o Eterno nos chamou (Vayicrá) para fazer um voto de submissão a sua Torá/ lei mesmo que lhes custe a vida; é sobre isso que iremos comentar, mas antes quero contar uma história que ocorreu com o Rabi Amnon:

     “Há mais de oitocentos anos, vivia na cidade de Mainz um grande homem. Seu nome era Rabi Amnon. Era um grande sábio e um homem muito piedoso. Amado e respeitado tantos pelos judeus como pelos não-judeus, seu nome era conhecido até longe da cidade em que vivia. Mesmo o duque de Essen, governante daquelas terras, admirava e respeitava Rabi Amnon por sua sabedoria, erudição e piedade.

    Várias vezes o duque o convidou ao palácio, a fim de consultá-lo sobre assuntos de Estado.

    Rabi Amnon nunca aceitou nenhuma recompensa pelos serviços prestados. Todavia, às vezes, Rabi Amnon pedia ao duque para abolir alguns decretos e restrições contra os judeus naqueles tempos e, em geral, possibilitar-lhes viver em paz e segurança. Estes eram os únicos favores solicitados ao duque pelo Rabi Amnon, que nunca lhe foram negados. Assim, Rabi Amnon e seus irmãos viveram felizes durante muitos anos.

    Com o passar do tempo, outros homens do Estado passaram a invejar Rabi Amnon. O mais invejoso de todos era o secretário do duque, que não suportava ver a distinção e o respeito que Rabi Amnon tinha por parte de seu senhor e que, rapidamente, se transformara numa grande amizade. O secretário começou a procurar meios para desacreditar o Rabi aos olhos do duque.

    Certo dia, o secretário disse ao duque: ‘Senhor, por que não persuade Rabi Amnon a se tornar cristão como nós? Tenho certeza de que, considerando as honras e favores de suas mãos generosas, ele abandonará com prazer sua fé e aceitará a nossa. ’

    O duque considerou esta idéia. Quando Rabi Amnon veio ao palácio no dia seguinte, o duque lhe disse: ‘Meu bom amigo, Rabi Amnon, sei que o senhor foi leal e devoto para comigo durante muitos anos. Abandone sua fé e torne-se um bom cristão como eu. Se o fizer, eu o tornarei o maior homem do Estado; você terá honrarias e riquezas como ninguém mais e será, depois de mim, o homem mais poderoso de minha terra… ’

    Rabi Amnon empalideceu. Por um átimo, faltaram-lhe as palavras para responder ao duque, mas após um instante disse: ‘Ó, ilustre governante, durante muitos anos o servi lealmente e o fato de eu ser judeu de forma alguma diminuiu a minha lealdade para convosco ou para o Estado. Ao contrário, minha fé me obriga o ser leal e devotado à terra onde vivo. Estou pronto e decidido a sacrificar tudo o que possuo mesmo a minha vida, por vós e pelo Estado. Há alguma coisa, contudo, da qual nunca poderei desistir- minha fé. Estou ligado por um pacto inquebrável à minha fé, à fé de meus antepassados. Quereis que eu traia meu povo e meu D’us, desejareis um homem para servir-vos que não tenha respeito por sua própria religião, pelas amarras que considera as mais sagradas? Se eu trair meu D’us, podereis vós doravante confiar que não vos trairei? Decerto o duque não poderá querer isto. O duque está gracejando!’

    ‘Não, não…’ – disse o duque, parecendo um tanto inseguro, pois,intimamente, ficara impressionado com a resposta do Rabi.

    Rabi Amnon teve esperanças de que o assunto estivesse encerrado, mas, quando chegou ao palácio no dia seguinte, o duque repetiu seu pedido. Rabi Amnon ficou muito triste e começou a deixar de freqüentar o palácio, a menos que fosse absolutamente necessário.

    Um dia, o duque, impaciente por causa da obstinação do Rabi Amnon, foi muito contundente. Ou Rabi Amnon se tornaria cristão imediatamente ou sofreria as conseqüências…

    Pressionado para responder imediatamente, Rabi Amnon finalmente implorou ao duque que lhe concedesse três dias para refletir sobre o assunto.

    O duque concedeu-lhe este pedido.

    Tão logo o Rabi deixou o palácio, percebeu seu grave pecado.

    ‘Amado D’us’- pensou ele- ‘o que foi que eu fiz? Será que me falta fé e a coragem por ter pedido três dias para considerar os fatos? Como posso ter mostrado tamanha fraqueza, mesmo por um momento? ‘Ó D’us Misericordioso, perdoai-me… ’

    Rabi Amnon chegou em casa com o coração partido. Retirou-se para seu quarto e passou três dias seguintes em orações e suplicas, implorando a D’us perdão pela fraqueza demonstrada, mesmo se por um só momento.

    Como Rabi Amnon não chegasse ao palácio no terceiro dia, o duque ficou furioso e ordenou a seus homens que o trouxessem acorrentado.

    O duque quase não reconheceu Rabi Amnon, tanto mudara este homem venerável durante os últimos três dias. Todavia, o duque afastou qualquer sentimento de simpatia que poderia sentir pelo seu antigo amigo e disse-lhe rispidamente: ‘como ousa desrespeitar a minha ordem! Por que não compareceu no devido tempo perante mim, para me dar a resposta? Pelo seu bem, eu espero que tenha decidido me obedecer. Caso contrário, será pior para você…’

    Embora Rabi Amnon fosse agora um homem quebrado fisicamente, seu espírito era mais forte do que nunca.

    ‘Majestade’ – respondeu-lhe Rabi Amnon sem medo- ‘não pode haver outra resposta a não ser que eu devo permanecer um judeu leal, enquanto puder respirar!’

    O duque ficou fora de si e disse: ‘Agora a questão é mais grave, que o fato de se tornar cristão. Você me desobedeceu por não ter vindo voluntariamente para me dar a sua resposta. Por isto, você deverá ser punido… ’

     ‘Majestade’ – Rabi Amnon lhe disse- ‘por ter pedido três dias para refletir, cometi um grave pecado perante meu D’us. ’

    Essas palavras corajosas enfureceram mais ainda o duque.

    ‘Por pecar contra o seu D’us’- disse o duque com ira- ‘que Ele o castigue. Eu devo castigá-lo por você ter desobedecido minhas ordens. Suas pernas pecaram contra mim, por terem se recusado vir a mim; portanto, que sejam cortadas as suas pernas!’

    Havia apenas um fraco sinal de vida no corpo desprovido de pernas do Rabi Amnon, que foi enviado à sua casa, à sua família estarrecida… ”(Fonte: Livreto” O som do Shofar” autor Rabino Yossi Alpern).

 

 

    Esse episódio nos inspira para lutar contra tudo aquilo que interfere nossa conexão com o D’us de Abraão. Não faz nenhum sentido desertar nossa fé genuína judaica para aderir esse cristianismo paganizado! Temos é que evoluir na fé, aceitando o Mashiach prometido, conforme as Sagradas Escrituras, jamais aceitar uma religião que contraria os princípios da Torá.  

   Quanto pagaremos para abandonar tudo aquilo que não agrada ao Criador? Aqui na realidade não se trata de dinheiro, mas sim do nosso “sacrifício devocional pessoal”; infelizmente quando se trata de apresentar um voto de servidão ao Eterno por meio de sacrifício a maioria das pessoas começa a buscar infinitos obstáculos para dificultar mais ainda a concretização desse voto; mas por outro lado, elas estão dispostas até perder a saúde para alcançarem os seus “ideais”, seus planos, obtendo somente coisas temporárias. Exploram-se com todas as suas forças em virtude a objetos que não geram virtudes. Não devemos desprezar nossos bens, mas os tais não devem nos administrar e nem tê-los como prioridade da nossa vida. Na realidade não temos nada neste mundo, porque se realmente tivéssemos daríamos para a morte em troca da nossa alma.

     Nesta parashá o Eterno nos orienta a oferecê-Lo sacrifício perfeito (iremos estudar com mais detalhes neste estudo) para que sejamos aceitos por Ele para a nossa expiação. Era o único recurso viável e representativo ao Soberano Sacrifício para recebermos o “perdão dos nossos pecados”; cremos piamente que, segundo as Sagradas Escrituras, Yeshua Hamashiach/ Jesus o Messias, varão judeu sem defeito, foi quem realmente levou sobre si os nossos pecados (Is. 53:4, 13), que na essência aqueles animais em si não tiravam os pecados dos israelitas (Heb. 10:1-7), mas nos dias da implantação da Nova Aliança por intermédio de Yeshua, Rabenu Gadol, profetizada por Yrmiahu/ Jeremias 31:31-33 o Eterno perdoaria os nossos pecados e não mais lembraria dos mesmos.

    Irei usar como base para nos aprofundar mais ainda sobre está parashá algumas fontes rabínicas, facilitando assim o nosso crescimento espiritual:

 

 

“E chamou 1:1 – Os comentaristas da Torá, que encontrou em cada palavra, às vezes em cada letra, pontos de apoio para os seus ensinamentos éticos, chamam a nossa atenção para a palavra Vayicrá com que começa este livro. Não apenas nos livros impressos, mas também na própria Torá/ Rolo, a última letra da primeira palavra- a letra Alef- é minúscula/ pequena, dando-nos neste contexto duas belíssimas lições: 1) O prazer e a alegria de oferecer algo deve ser ensinado mesmo às crianças pequenas na mais tenra idade. Se ela é favorecida pela sorte e tem muitos livros ou brinquedos, deve aprender a dar aquilo que possui a mais ao seu amigo ou amiga e a um pobre que não tem nada ou muito pouco; 2) Que cada Alef- e a letra Alef vale um- cada qual, mesmo com recursos muito limitados, não se pode se excluir nem esquivar de contribuir, na medida de suas posses para objetivos nobres e caritativos. O homem de fato aprecia o valor das coisas pelo tamanho e quantidade, mas D’us considera as nossas ofertas pelo sentimento que as acompanha, e muitas vezes só a boa intenção já equivale a uma boa ação.”Uma boa intenção que produz proveito, D’us considera-a como se fosse praticada.” Porque o homem só vê os olhos, enquanto D’us vê o coração, e é o coração, o sentimento, a intenção que D’us deseja.

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

  

  

 

 

 

 

 

 

 

Sacrifício ao Eterno 1:2 A Torá enumera aqui as leis dos sacrifícios e a missão dos sacerdotes (cohanim). Seria um grande erro confundir estes sacrifícios com os dos pagãos da antiguidade, os quais faziam com os seus sacrifícios descer as suas divindades ao nível das paixões humanas atraindo-as em seu favor, e praticar algumas vezes atos abomináveis; ao passo que os sacrifícios mosaicos têm como base a adoração do Eterno, agradecer Suas bondades, pedir perdão por uma falta cometida involuntariamente ou por uma falta voluntária após tê-la reparada. Os sacrifícios dos israelitas tinham que ser acompanhados pela Cavaná (intenção) de voltar ao bom caminho e, geralmente por uma prece.

é uma oferta de elevação 1:13 – No sacrifício chamado Olá, a oferta era queimada completamente no altar (menos o couro no caso da oferta de elevação privativa, que pertencia ao Cohen/ sacerdote). Este sacrifício vinha acompanhado de uma oblação (Minchá) de farinha misturada com azeite, e de libação de vinho (Néssech). A palavra Olá significa subir; o sacrifício subia a D’us quando expressava fidelidade e sinceridade. A oferta de elevação exigia um animal (novilho, carneiro ou bode) macho sem defeito. Estes animais podiam ser substituídos por pombos, rolas ou flor de farinha de trigo, segundo a situação financeira do ofertante.

 

Oferta queimada – O famoso moralista e filosofo Rabi Bachiá Ibn Iossef Pakuda, explica que a razão de a “Olá” (oferta que deveria ser queimada totalmente no altar) ser o primeiro sacrifício tinha por objetivo perdoar antes de qualquer coisa os maus impulsos do coração e os perversos pensamentos; o coração e os pensamentos são os dois maiores propulsores de persuasão, pois toda ação tem a sua origem numa idéia; e enquanto o homem não for capaz de reprimir os seus maus impulsos nem de conter os seus pensamentos desprezíveis, todos os seus sacrifícios materiais serão considerados aos olhos do Eterno como uma blasfêmia.

 

Aceita com agrado pelo Eterno – A respeito da introdução dos sacrifícios no culto judaico, existem profundos desacordos na literatura rabínica entre os maiores mestres. Maimônides (1135-1204), por exemplo afirma que o objetivo elevado dos sacrifícios era desacostumar o homem pouco a pouco dos usos e praticas do seu antigo meio ambiente e que o objetivo desse serviço era evitar que os filhos de Israel sacrificassem seus filhos á idolatria, como a praticavam os egípcios e os cananeus, povos em cujo ambiente o povo de Israel viveu durante séculos. O Midrash é da mesma opinião, afirmando: “ Como povo santo (Goi Cadósh) que são, vocês não podem imitar este abominável serviço idolatra que observaram entre os povos da sua convivência”. Nachmânides (1194-1270) rejeita a explicação de Maimônides e afirma que o alvo básico do sacrifício não era o sentido negativo, isto é, para evitar a idolatria, mas sim um alvo positivo: despertar, pelo sacrifício oferecido, sentimentos de remorso pelo mal praticado e avivar a responsabilidade que cada ser humano deve ter perante D’us e a sociedade. “boas ações estimulam a consciência”. E Nachmânides conclui: Aquele sacrifício, dádiva ou oferta que não é nada mais que simples rotina, que não tem bases éticas, que é despido de sentimentos elevados, é considerado por D’us como sendo Zébach Reshaim, oferta ignóbil, e deve ser desprezado.” (MD

 

Fará queimar no altar 1:17 – tentaremos interpretar estes ensinamentos do ponto de vista alegóricos, um instrumento profundamente ilustrativo e instrutivo; Dám (o sangue) simboliza temperamento, agilidade, atividade, enquanto que Chélev (sebo, gordura) significa passividade, preguiça, estagnação. De ambos, Dám e Chélev, o homem necessita: atividade -para praticar o bem e cumprir boas ações; passividade- para evitar e fugir de más ações. Mas acontece, como a vida nos ensina, que o homem desvirtuado troca os papeis, abusando das dádivas de D’us para fins contrários; e é por isso que se sacrificavam no altar essas duas partes, sangue e gordura, que o pecador trazia. (MD)

 

Sacrifícios de pazes 3:1 – O sacrifício de reconhecimento a D’us pela sua generosidade e bondade em geral chamava-se Shelamim, palavra que expressava as idéias de paz, pagamento ou remuneração. Oferecia-se em culto publico nas seguintes ocasiões: na consagração de Aarão e seus filhos, na festa das semanas, no fim da observância do Nazir, etc. quando uma pessoa oferecia o sacrifício de Shelamim, comia de sua carne como refeição sagrada e entregava o peito e a espádua direita do animal aos sacerdotes. Pertenciam a esta categoria de sacrifício o cordeiro da Páscoa (Zebach Pêssach), o sacrifício de inauguração (Miluim), o do primogênito do gado, cuja carne pertencia aos sacerdotes. Quando o Shelamim expressava o reconhecimento por uma bondade especial de D’us, chamava-se Zebach Toda, sacrifício de agradecimento.

 

Sacrifício de pecado 4:24 –  O sacrifício de pecado chamava-se Chatat e oferecia-se por faltas involuntárias de transgressão de algum mandamento da Lei, como por exemplo: ter recusado testemunhar sobre algum fato visto ou conhecido; ter tocado em alguma coisa impura e, por esquecimento, usado a seguir um objeto sagrado; ter profanado um juramento, etc. Este sacrifício era oferecido pelo pecador involuntário logo que tomava conhecimento da sua transgressão. Ele confessava a sua falta perante o sacerdote encarregado de fazer o seu sacrifício para perdoar o seu pecado. O caráter altamente moral deste ato obrigava a pessoa reconhecer sua culpa e ficar em paz com a sua consciência.

 

E lhe será perdoado 4:26 – O termo Corbán (sacrifício) tem a sua origem etimológica no verbo Lecarev, que significa “aproximar”, “juntar”, “unir”. Esta explicação é de máxima importância para a maneira de pensar e para a concepção filosófico-judaica, pois só desta forma conseguiremos compreender o valor ético e moral dos sacrifícios. O sacrifício de oferta de elevação vem redimir os pecados cometidos pelos pensamentos; o de pazes expressa a tranqüilidade existente na alma do homem, entre ele e D’us; a oferta de delito dá à pessoa a sensação de que ele próprio deveria ser sacrificado, e ele agradecer a D’us que não  o tratou de acordo com seus pecados, mas aceitou seu arrependimento. A forma superior de oferecer um sacrifício é aquela pela qual o ofertante oferece-o voluntariamente, do fundo de sua alma. Os sacrifícios constituem a expressão de desejo da alma pela proximidade de D’us; tais oferendas são feitas segundo a vontade do ofertante, e por isso são aceitas pelo Criador. (E)

 

Sacrifício de pecado 5:9 – O rabino Moshê Grylak cometa que o pecado é um ato que não está de acordo com a consciência humana. É a efervescência de instintos e impulsos, e a rendição da pessoa aos mesmos. A pessoa que busca a unidade, a elevação e a perfeição é golpeada ao pecar. Ela sente que suas ações a afastaram de D’us. De acordo com o Sêfer Hachinuch, “os princípios dos corações- pensamentos e sentimentos- dependem das ações. Assim, aquele que fizer um pecado, não poderá purificar seu coração apenas através de palavras que venha a dizer para si entre quatro paredes: ‘Pequei, não voltarei a fazê-lo’, mas sim terá uma ação importante por seu pecado, como pegar um bode de seu curral e levá-lo aos sacerdotes… A partir de toda esta ação laboriosa, ficará gravada em seu coração a maldade do pecado, evitando que o cometa novamente.” Assim, a uma ação contrapõe-se outra ação. Diante do ato do pecado, do qual toda a personalidade do homem participou, vem um ato reparador como reação, do qual toda a personalidade do homem deve participar. E o Sêfer Hachinuch explica de que forma: “Ao se sacrificar um animal, há um despertar maior da semelhança, pois os corpos do homem e do animal assemelham-se, diferenciando-se antes de tudo pela razão que um possui e o outro não. E como o homem, ao cometer um pecado está escapando da esfera racional e entrando na esfera animal, foi-lhe ordenado que trouxesse um corpo de carne e osso, assim como o dele, e o queimasse, ficando gravada em seu coração a imagem forte de que a essência de um corpo sem razão e juízo é nula e vã.” Em outras palavras, o choque causado pelo sacrifício do animal despertará na imaginação do pecador o reconhecimento da bestialidade do pecado; em última análise, um ato contrário à sua própria consciência. O sacrifício é, portanto, um processo purificador da alma de modo a elevá-la novamente. Trata-se de uma jornada ao interior do ser humano que se regenera. (E)

 

Fazer falsidade contra o Eterno 5:21 – O Talmud (Lei oral) explica: uma pessoa entrega um objeto valioso sob custódia sem que ninguém saiba deste ajuste, confiando na boa fé do seu amigo e na presença de um terceiro entre eles (D’us!); depois, caso o segundo negue que recebeu algo em custódia, ele estará declinando também o terceiro, quer dizer, ele estará contestando a existência Daquele invisível mas Onipresente Terceiro, para quem todas as combinações e os ajustes entre os homens devem ser feitos com fidelidade mútua e sinceridade recíproca. (MD)” (Fonte: Torá da livraria e Ed. Sêfer).

 

 

 

 

 

 

Shabat shalom (Sábado de Paz)!  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
   
 
 
 
 
 
 

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A os cohanim – sacerdotes – lhes foi outorgado a mitzvá de t´rumat hadeshen, recolher as cinzas das oferendas diárias. Também era responsabilidade de manter o fogo do altar aceso permanentemente. Aharón, o sumo sacerdote -  Cohén Gadol, recebe instruções de levar diariamente uma oferenda de comida de manha e ao anoitecer.
Também foram promulgadas outras leis que especificavam os deveres dos cohanim e das porções das oferendas  foram promulgadas outras leis que especificavam os deveres dos cohanim e das porções das oferendas que receberiam.

Poderiam comer so as oferendas de comida, pecado e das infrações so se estavam puros, e so dentro do Santuário.

Numa grandiosa cerimônia, Aharon e seus filhos foram consagrados em seus respectivos cargos por Moshe em presença da assembléia do povo.

Apos eles terem tomado o banho de purificação, Moshe os veste com distintas roupas  e unge o Tabernáculo e seus elementos – a Arca, a mesa de pão, os castiçais – bem com o altar das oferendas -.
Por ultimo os demais cohanim são vestidos com roupas especiais. Moshe encerrada esta cerimônia leva uma oferenda de pecado. Este ritual se repetiu por sete dias, tempo no qual Aarón e seus filhos permaneceram no átrio.

O antissemitismo tem uma origem “sui generis” e bem complexa. Nele se dá uma combinação excepcional de motivos raciais, religiosos, econômicos, sociais e políticos. Sua especificidade pode se encontrar também em algumas manifestações:

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