Buenos Aires em 2005: inesquecível


Fonte: http://www.flickr.com/photos/photos_in_the_sunset/355529739/

Calle Florida 8, muito próxima do Hotel Nuevo La Reina, onde nos hospedamos

Em 2005, submeti um trabalho sobre educação à Associação dos Supervisores do Estado do Rio Grande do Sul. O mesmo foi selecionado para Encontro Internacional de Educação em Buenos Aires, e, graças a um desses momentos imprevisíveis que às vezes as companhias aéreas proporcionam aos simples mortais, voamos para lá, eu, Aninha e Gabriel, de 20 a 25 de agosto.O encantamento com Buenos Aires transcende em muito uma questão meramente retórica; está vivo desde sua multiculturalidade até o sentido de universalidade que a compõe. Para nós, uma experiência maravilhosa, a partir do momento em que efetivamente andamos pela metrópole – desde o Centro até San Telmo, andando de subte até Palermo, visitando livrarias, observando as pessoas, notando os cheiros e as matizes que estavam ali, vendo que o tango não é apenas uma tradição, mas é algo vivo, dançado, cultivado como um poema vivaz.Essa foto foi tirada da sacada do hotel onde nos encontrávamos – Nuevo Hotel Reina, que de Nuevo não tinha nada. Contrariamente ao nome, era e é um hotel decadente em termos arquitetônicos, mas tudo é altamente compensado pela gentileza de atendimento, pela localização, pelo café da manhã com as famosas media lunas e por esses detalhes que nos remetem quase que instantaneamente a cenários europeus. Buenos Aires tem cenários urbanos comoventes, cafeterias espalhadas por toda a cidade.Às onze da noite passeávamos no centro com absoluta despreocupação, enquanto as pessoas formavam filas para ir ao cinema, ao teatro, com livrarias abertas a noite toda, e uma vida cultural fervilhante. Problemas com policiamento? Não tivemos nenhum. Buenos Aires é, por tudo, apaixonante. Ter estado lá, com um trabalho sobre educação, foi, sem dúvida, mais que um presente.

 

Café Tortoni, muito próximo ao Hotel La Reina, onde estávamos hospedados.

Buenos Aires me traz recordações de vento, de chuva, de cafeterias, de idosos à noite indo para o teatro, para as casas de jogos, de belezas escondidas ali, ao dobrar uma esquina, ao notar que os motoristas não se atiram para cima dos passageiros quando tem alguma chance, que as pessoas te cumprimentam.
Lembro de uma noite especial, em que eu e Ana fomos para a Recoleta com o Gabriel, e acabou ele indo para Palermo e nós para La Boca. Na noite o Boca Juniors jogava pela Copa Sul Americana, se não me engano. Fomos até La Bombonera, e observamos la hincha de Boca, mas foi impossível entrar no estádio. Não havia mais ingresso, e eu, que dias atrás havia conhecido o estádio, fiquei do lado de fora, com a Ana, imaginando o que seria aquele caldeirão, aqueles paredões bordados de aul e dourado. Dpois de algum tempo, fomos caminhando e, embora estivesse frio e chovesse, estávamos ali muito em paz conosco e muito tranquilos. Pegamos um ônibus e retornamos para o hotel em que estávamos, La Reina.
Aguardamos o Gabriel e mais tarde fomos no Café Tortoni, onde encontramos uma moça italiana (Luiza) que tornou a noite ainda mais agradável. E assim, foram passando os cinco dias em que ficamos em Buenos Aires, entre cafeterias, andando pelas ruas, olhando as pessoas, indo a San Telmo, comendo por aí.
Foi uma das melhores viagens que fiz; talvez por isso eu hoje escute tango com um indiscutível travo de saudades no coração.

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