Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada II


USTOP

Fonte: http://www.flickr.com/search/?q=ustop&m=text

Em relação ao post citado acima, Gabriel me enviou um comentário que acho muito esclarecedor, inclusive em relação à determinadas idéias que reforçam escritores atuais que tratam, às vezes genericamente, às vezes de forma mais particularizada, do assunto. Demonstra também, claramente, quais os rumos e as confluências entre propaganda e publicidade no mundo de hoje, considerando as questões identitárias. Vale a pena ler!

GABRIEL BESNOS

É isso, pai. Mas tenho comentários adicionais.
As “coisas” em si – entenda-se aí tudo que é material, palpável e, portanto, “produto” – estão perdendo a importância em ritmo acelerado. O que importa, no mundo contemporâneo, é a “não-coisa”, tida aí como informação, serviço e, finalmente, experiência. Por conta disso, a publicidade venderá cada vez menos produto, e cada vez mais experiência. Não importa a coisa, mas o valor atribuído à coisa pelo seu consumidor. O consumo, portanto, é de imagem. Este valor percebido de uma marca depende de uma rede de referências e experiências do indivíduo – que são influenciadas pela mídia, mas não mais “massificadas”, exclusivamente. O discurso da massificação está esvaziado diante de um indivíduo com identidade fragmentada, pós-moderna, customizada, em oposição a um modelo de identidade mais sociológico.
Nessa direção, portanto, está ficando impossível separar publicidade e propaganda, porque toda a persuasão passa a ser ideológica, e não racional. Indo além, dá pra dizer que a publicidade tende a perder terreno, na medida em que está muito focada na comunicação. O design, por sua vez, está ampliando o foco, com uma abordagem mais estratégica. O design estratégico reúne profissionais de diversas áreas (além do designer mesmo, especialistas em tecnologia, em marketing, em comportamento do consumidor, caçadores de tendência, antropólogos e etc.), com o propósito de projetar um sistema-produto, ou seja, além do bem material, o seu entorno, as ferramentas de sua comunicação e posicionamento no mercado e, por último (e mais importante), a experiência do usuário com o mesmo.
Isso é uma inversão e tanto! Ao contrário de as mídias verticalizarem discursos, elas terão que se horizontalizar, recolhendo no mundo o seu conteúdo. E quem estará informando (no sentido de “dar forma a”) o conteúdo de consumo serão os designers, que não tem outra escolha senão se portarem como radares de tudo que acontece no mundo.
Interessante, né? Beijo, Gab.

Um comentário sobre “Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada II

  1. Muito louco tudo isso…o comentário do Gabriel me lembrou um professor de Direito Internacional que dizia em sala: Se você quer ter sucesso em direito nâo precisa saber fazer, precisa conhecer quem sabe fazer e se aliar a ele…”ta todo mundo louco, oba!”

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