Ameaças


Estou saindo para a escola, agora de manhã e passo pelo Pronto Socorro. Na porta do mesmo, há um homem visivelmente bebado, que traz uma atadura à perna e outra no braço. Atravesso a rua para aguardar o ônibus. Minutos depois, quem está lá, no meio do corredor? Pois sim, ele. Nessa altura, já tinha arrancado uma das ataduras e providenciado uma pedra enorme. Agitando a funda improvisada, ameaçava as pessoas, especialmente as mulheres.  Quando o ônibus chegou, subi e tudo aquilo desapareceu da minha vista.

Há um fundamento nisso tudo. Parece que há pessoas que chegaram ao mundo marcadas pela infelicidade e cuja revolta extrapola o razoável. Há uma odiosidade embutida em tais almas, que me faz crer, sinceramente, que elas estão aqui para aprender, mas que terão de voltar muitas vezes até chegarem a ser pessoas que possam conviver com outras. O que o impulsiona a ameaçar de modo tão deliberado pessoas a que ele não conhece? Temperamento de terrorista, ódio ao mundo, mas, especialmente, a si mesmo.

O ato de alienar-se da vida é suficientemente forte para desimportar-se inclusive com a incolumidade física do outro? Ameaçar para que, por que. qual o motivo que se impõe à humanidade? Talvez algum dia eu aprenda. O ônibus rolava na pista, cada vez mais me aproximava da escola, enquanto o pobre infeliz, sem dúvida, se afastava de tudo, imerso em sua própria miséria. 

 

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