Os e-mails recebidos e as eleições de 2010


Cérebro Normal por betotester

Fonte: http://www.flickr.com/search/?z=e&w=all&q=cerebro&m=text

Por vezes soa estranha essa busca do convencimento alheio. Tenho recebido, desde 2002, antes da eleição de Lula um bestialógico formidável. Fui descartando automaticamente, o que, de certa forma, faz com que eu me arrependa, porque deletei (com meus próprios dedos!) um material memorável, que prova haver claramente um caráter discriminatório em relação àquele Presidente da República.

Hoje, passados já dois mandatos presidenciais, muitos continuam insistinto em mandar materiais desse tipo, onde inexiste qualquer pauta política, mas tão-só ridicularia. Não se trata de ter essa ou aquela linha partidária, mas de prezarmos o bom-senso e não partirmos para a baixaria insidiosa. 

Algo tão obsceno quanto dizer-se que a imprensa é neutra. Nada e ninguém é neutro, não há instituição que seja neutra. Acho que nem os bancos suíços são neutros. Apenas fazem seu trabalho. O tempo das carruagens e das diligências nos quais o General Custer ía brandir sua arma contra os apaches, igualmente se foi. Tudo levado pelo oportunismo e pela insídia redundante. 

Dentro do que penso, não é possível se discutir política como quem está ali na esquina tomando cerveja no bar e resolvendo os problemas do mundo ou discutir com quem acredita em simplificações grosseiras e não consegue ter uma visão mais ampla de um cenário no qual alguns mesquinhos interesses pessoais são um absoluto nada. Não dá pra discutir política com uma pessoa que, não sabendo mais do que diz a mídia, não tem nível de informação suficiente para  quase mais nada.

Há um processo político, social e econômico em andamento, e se queremos falar sobre o mesmo, devemos conhecê-lo minimamente. É, portanto, um processo pedagógico de aprendizagem. Negar-se a isso e contrapor argumentos que seguem a linha do “eu gosto” ou “eu não gosto” é o mesmo que tentar discutir-se equação de segundo grau com quem não sabe sequer dividir, somar, subtrair ou multiplilcar. Nos naturais, claro.

Então, não é possível tais discussões, mas invadir a caixa de e-mails é muito fácil. Basta digitar o adress correto e – pimba! – lá vem outra bobagem, outra perda de tempo em frações de segundo. Mais fácil que dizer “ai, outro!”. Sábias são as palavras de Bertold Brecht no poema “O ignorante político”. Parcas são as pessoas que leram profundamente tal poema social. Uma pena, realmente uma pena.

A questão não é, em absoluto, qual a tendência política de quem envia essas mensagens. Essa são claras. O que não é claro é o nível de entendimento que as pessoas tem para propor tais discussões, o nível de respeito que deveriam sustentar e que seria mais do que necessário para que a pessoa se impedisse de mandar adiante tanta asnice, tanto lixo disfarçado sob piadas, b rincadeiras, fotos e por aí afora. Para defendermos nossas idéias não precisamos escalpelar o próximo.

Assim, peço, rogo, me ajoelho e bato no peito bradando aos céus “mea culpa” “mea culpa” e, finalmente, “mea culpa”, mas não volto atrás. Se não houver um mínimo de inteligência e de criatividade nos argumentos que me enviarem, não tentem me transformar em uma alface que não pensa, não tentem me lobotomizar.

A não ser que seja manu militari

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