Conheço a Dona Florinda


E não se misture com essa gentalha, hunf! por Nihonjin IlustraRÁ-RÁ-RÁ! por Nihonjin Ilustra

… e não se misture com essa gentalha!                           RÁ – RÁ – RÁ

Nihonjin ilustra

Fonte: http://www.flickr.com/search/?q=dona+florinda+chaves&page=2

Eu conheço a Dona Florinda e também o Kiko. Mas, todo Kiko só é Kiko porque sua mãe é a Dona Florinda. No caso, a Dona Florinda que conheço é extremamente controladora, que vive projetando em seu filho seus delírios de grandeza. Ela sempre está on board, fazendo a mais absoluta questão de clicar em sua inseparável digital dezenas, centenas, milhões de fotos. Se há um evento que envolva outras mães e outras crianças, ela será aquela que orbitará ao redor dos organizadores, querendo saber quem veio, quem não veio, porque veio e porque não veio e invariavelmente fará o possível (e por que não o improvável, senão o impossível) para fazer parte da comissão que organizará o evento. Se for aceita, o evento será ótimo. Se ocorrer o contrário, o evento será, no máximo, razoável, sobrando, por evidente, farpas para alguém (ou alguéns) da mesma comissão.

Dona Florinda faz questão absoluta de criar seu filho de modo competitivo e frugalmente educado. Explico: por mais que ela gentilmente diga que as outras crianças são ótimas, não sentimos, aí, sinceridade. Se os filhos dos outros são ótimos, o dela é o maravilhoso. Faz questão de que o filho seja sempre o melhor em tudo. Enche, abarrota o menino de brinquedos: para ela, o melhor é que o filho tenha todos os últimos lançamentos de brinquedos, especialmente se forem de marca, custarem caro e forem eletrônicos. Aí, é imbatível. No entanto, embora pregue uma situação economica e financeira superior, sabe que isso não é verdadeiro. A Dona Florinda que conheço é inconstante e por vezes inconsequente. Prepara o mundo para o filho, e não o contrário.

Talvez por ser assim, a mesma, do ponto de vista cultural, é um pouco mais que lamentável. Não há muito o que conversar com ela, a não ser dar risadas das suas histórias familiares, ficarmos constrangidos com as suas fofocas diárias ou repararmos que todo o seu esforço em tornar seu filho o melhor não se reflete, por exemplo, em aquisições de conhecimento na escola. O filho não escreve bem, mas sabe que deve seguir à risca o ritual polimórfico religioso que a mãe lhe impôs. Determinadas expressões são proibidas, e Dona Florinda se diz religiosa, e nada que escape a um vocabulário asséptico pode ser dito, pois sua moral religiosa imporá limites muito precisos. Assuntos mundanos só servem quando suprem sua língua viperina, que não poupa parentes e, se duvidar, nem suas melhores amigas.

Dona Florinda é um caso perdido no mundo, porque se julga acima da média, e gostaria que o mundo lhe dispensasse tal tratamento, mas, como não é, vive amargurada, embora seja bem humorada. Dona Florinda poderia ser bem melhor, mas isso somente o tempo irá revelar. Quanto ao filho, somente quando chegar à adolescência saberemos os resultados. Espero, de coração, que ele não continue sendo Kiko.

(+) Dona Florinda, aqui, é a personagem de Chaves.

 

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