Abraço, João


Aperto de mãos por zerojuniorx

 

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Noite gélida, dessas comuns em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, região sul do Brasil, fronteira com a Argentina e Uruguay,  Em junho,  julho e agosto faz muito frio, mas, como tudo, parece que o inverno gaúcho foi igualmente tocado pelas mudanças climáticas. Nesse ano da graça de 2011 fez muito, mas muito frio, mas também choveu acima da conta. E, em pleno agosto, os dias apresentaram sol, para, no final da tarde congelar, com variações de temperatura que oscilavam até dez graus positivos ou negativos.  

Em tais noites, parece que a temperatura e a umidade criam uma névoa branca, indizível, quase uma capa que parece cobrir a tudo e a todos com suas franjas de inverno.  O frio faz com que sintamos o corpo mais dolorido; há uma pressão maior dos músculos, que tendem a enrigecer como forma de compensar as baixas temperaturas; o corpo quer revisitar seu próprio conforto, mas não é fácil manter o aquecimento interno quando temos sensações térmicas abaixo de zero. Há um desconforto, que muitas vezes não pode ser compensado por jaquetas, casacos pesados, capas, et caterva, mas, apenas, suavizado.  

Sempre há, contudo, um grande charme no inverno rigoroso, ainda mais se pensarmos que o Brasil é praticamente um continente tropical. Logo, turistas afluem, muitos aos roteiros turísticos aqui do estado. Na verdade querem vivenciar os modelos de roupas elegantes, a savoir faire, os chocolates quentes, as cervejas mais pesadas… entim, algo da Europa que se possa vivenciar, pagar em reais e se divertir.   

Realidades menos felizes parecem se desvanecer, não criar asas. Também no inverno os pobres atrapalham àqueles que querem e estão acostumados a desfrutar o banquete interminável e intermitente do consumo. De vez em quando, doe-se algum casaquinho, alguma roupa velha que não mais iremos usar ou que está irremediavelmente demodèe e não mais se discutamos o assunto.   

Pois em pleno maio meu cunhado cearense, para minha satisfação, anunciou sua vinda para fazer sua primeira visita à irmã. Após algum tempo, ele trocou a data para setembro. Eu, anjo descolado, avisei-lhe que se viesse em junho, julho ou agosto, não sairia de casa, por melhor que se agasalhasse. Aceito o conselho, vindo da experiência, pudemos passar alguns dias de convívio e alegria. Fizemos o famoso circuito da serra gaúcha e, especialmente, conversamos muito e partilhamos pontos de vista. Realmente, está certíssima a frase de que só conhecemos uma pessoa quando viajamos com ela, o que aconteceu. Em mais de dez anos com sua irmã, nunca havia trocado tantas idéias com meu cunhado, e isso valeu muito.  

Sua família mora em Fortaleza, capital do tropicalíssimo Ceará e a minha micro-família em Porto Alegre. Quase cinco mil quilômetros de distância não é assim tão pouco. Em todos esses anos não havíamos tido tempo nem a oportunidade necessárias para conversar de modo tão profundo, e agora tivemos, embora a sua visita não demorasse sequer uma semana. Quando adultos, aprendemos a atalhar , e, as experiências conferem clareza para o; conseguimos distinguir perfeitamente a luz da escuridão, passando pelos meio-tons.  

Que bom que meu cunhado veio, que ótimo que, finalmente, pudemos conversar (bem) mais que o habitual. Como se costuma dizer, viajar é muito bom. Só assim temos o prazer da convivência e da troca de opiniões, ao mesmo tempo em que fugimos da pressa dos compromissos, dos trabalhos, enfim, das obrigações que, não raro, mais afastam do que aproximam.  

Abraço, João!

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