Original e cópia


Xerox Ensemble por Blog Simonette

Xerox Ensemble, por Blog Simonette

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O que construo, mesmo que seja sobre outra imagem ou tema, é algo novo, ou seja, a novidade é perene. Mesmo a cópia não é o original, portanto, se não o é, é outra coisa. Se eu reprografo algo, aquele é o original, e por isso foi reprografado; assim, desimportando quais sejam os meios virtuais, mecanicos ou de outra ordem que sejam utilizados, o original não se repete. Cabe aqui, talvez, a lição famosa de Heráclito, de que “Não poderias entrar duas vezes no mesmo rio”.  

O que fazemos é nos aproximarmos, o mais possível, do original, sendo impossível mais do que uma aproximação. Ser original, portanto, implica muitas vezes em termos copiadores. Na linguagem da internet, no que se refere às redes sociais e semelhantes, seguidores. As celebridades, de modo geral, tem muitos seguidores em tais redes. Ao fim e ao cabo, ilusão que procura dilatar de modo artificial nossos próprios limites.   

A quebra identitária nos torna mais próximos do objeto a ser seguido; há uma psicopatologia envolvida no processo, de tal modo que, não raro, ansiamos por compartilhar do sucesso de outrem, e nos frustramos quando nos encontramos em face de nossas próprias realidades ou, em outros termos, nos reconhecemos em nossos limites. Aqui, compartilhar é desfrutar com, em um processo de seguir junto com o outro, mesmo que não o conheçamos. Nossos desejos conformam-se à aceitação por esse outro e, nesse sentido, abandonamos parte do que somos para sermos o que o aquele é. Melhor dizendo: o que o outro representa ser.  

Uma boa parte de nossas vontades segue essa trilha tortuosa, no qual flutuam a aceitação e o abandono; a conformação e a naturalização, o virtual e o real. Oscilamos, somos pêndulos e podemos passar um largo tempo assim, se interiorizarmos esse processo, se o naturalizarmos. Necessitamos de que alguém, algo, uma entidade, uma idéia, um ideário, um Messias possa nos orientar dentro de um mundo no qual poucas referências ainda podem receber esse nome.  

As religiões sabem disso, a realpolitik sabe disso, os obscuros funcionários, os mass midia sabem disso, e também o sabem os apresentadores de programas de televisão, de rádio, os locutores sabem disso, os criadores de necessidades artificiais e, especialmente, o sempre intencional e intangível mercado, ou, em outras palavras, a mercancia que objetiva o trânsito de mercadorias e de créditos não apenas em nível real mas em instâncias psíquicas e identitárias.  

Não importa o que somos, seremos mais se naturalizarmos tais relações propostas com base em nossas carências e inações. De qualquer modo, sempre podemos escolher a cópia que faremos, e que mais nos agradará na medida em que crermos que dela necessitamos.  Nosso exercício de criatividade, contudo, não vai muito além disso.  

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