Eu e os livros


デリ ヘル美の楽屋

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TENHO UMA RELAÇÃO INTERESSANTE COM OS LIVROS. É como se eles tivessem atados por fios, em uma rede constante ligada à minha história pessoal. Termino de ler um bom romance mas é como se ele não ficasse “abandonado”, por assim dizer; antes, tenho uma necessidade de mantê-los, de alguma forma,  por perto, para (re)ler alguma passagem, fazer uma consulta e assim por diante. Adoro, por exemplo, rodapés.

Sei que é um pouco (ou muito) fóbico, mas gostaria de possuir em um arquivo pessoal todas as remissões e notas de rodapé possíveis, pelo menos para passar os olhos, ler calmamente. Tenho certeza de que seria um estímulo para que escrevesse mais do que o faço. Há um triângulo que se retroalimenta a partir do leitor: quem lê, escreve e, ao mesmo tempo, auto-interpreta. Tudo isso se sustenta de modo sutil, mas especialmente forte. Claro, nem todos os que leem habitualmente tem o hábito de escrever, mas quando não o fazem por prazer, não encontram dificuldades maiores em fazê-lo em outras circunstâncias. A leitura é, assim, um portal que nos catapulta para o mundo letrado e uma possibilidade real de descobrir novos horizontes a partir das nossa novas e constantes (re) interpretações da realidade.

De todo modo, a leitura é uma forma de interação muito particular com o desconhecido, e portanto, sua experiência é – como as próprias aprendizagens – única e personalíssima. Do mesmo modo que a aprendizagem se dá através da intermediação do e com o outro, ou seja, das nossas próprias representações do mundo e dos efeitos que tais perturbações causam a nós mesmos, a leitura intermedeia uma melhor compreensão do simbólico, pelo que, ao lermos, desenvolvemos qualitativamente nossa habilidade em nos movimentarmos dentro dos diversos níveis representativos nos quais estamos imersos.

O leitor habitual cruza a fronteira da decifração do vocábulo para uma dimensão muito mais ampla e  sutil, mais diversificada e plural do que, mentalmente e em princípio, construíra como mundo. A leitura nos insere no desenvolvimento da prática do discurso, da alteridade da fala, da intencionalidade e da habilidade de nos comunicarmos com esse mesmo outro que, ainda como intermediador, nos ensina a aprender. Ler é, portanto, fundamental na aprendizagem, pois nos insere dentro do mundo das significações e, portanto, dentro de uma perspectiva simbólica. Sejamos todos bem vindos à jornada, talvez a mais expressiva de todas!

HILTON BESNOS.

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