Da velha questão de gosto


Short photo study on Curzio Malaparte with emphasys on La Pelle including Malaparte’s portraits by the author of this artwork.

Antonio Augusto Mariante Furtado

Da velha questão de gosto

A questão de gosto envolve sensibilidade, perspicácia, formação e tolerância. Portanto, em nome da prudência, ela só deve ser discutida entre sujeitos dialógicos, mesmo que entre eles possa haver antagonismos variados, o que talvez até seja aconselhável, uma vez que suas dessemelhanças, aprimoradas pelo tempo, podem permitir-lhes certas trocas de assimilações, apesar de haver permanência de um distanciamento intrínseco, através de seus pontos de vista arraigados.

 

Malaparte – Kurt Erich Suckert – sentiu n’A Pele o significado de Kaputt…

Curzio Malaparte, Giogio Bassani, Alberto Moravia, Nathanael West, Aldous Huxley e F. Scott Fitzgerald, de certa forma, encontram-se alguns degraus abaixo de Kafka, Dostoievski, Thomas Mann e James Joyce. Isto para alguns críticos que se põem a classificar o inclassificável, passando a hierarquia engessada de geração para geração, sugerindo a ilusão da verdade. Isto se conforma a uma situação mítica.

Desde que se recorra ao bom senso, sem que jamais se perca de vista a onipresença da dialética, não se trata de classificá-los numa ordem que aponte o equívoco do melhor, mas de enquadrá-los em cada proposta contextual, sem nunca esquecer do próprio projeto subjetivo de cada sujeito autor, critério decisivo para que todos tenham seu lugar ao sol, apagando de vez a arbitrariedade do menor ou do maior. Isto não serve para coisa alguma. Cada um deles é o que o outro não é, sendo magistral naquilo que se propõe a estar sendo.

Portanto, a questão de gosto rompe com a tirania do objetivo. Toda objetividade em arte parte sempre de uma pulsão íntima. Ela talvez seja incomunicável, levando à bancarrota qualquer pretensão arqueológica. É a qualidade retórica de seus manipuladores (críticos – esses adoráveis parasitas do trabalho dos outros) que irá determinar sua composição e sua permanência como argumento de autoridade. Isto é geralmente um tiro no escuro.

Dostoievsky – 1872 – um epilético também pensa, e como!

Antonio Augusto Mariante Furtado

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s