Regina Silva – E aí está


Regina Silva é professora da Rede Municipal de Porto Alegre, e assistiu, não pela televisão, mas AO VIVO, as manifestações que empunharam o Brasil nas mãos em julho de 2013. Rios de tinta já se espalharam sobre o assunto, muito já se falou sobre ideologias de direita, de esquerda e desde ha muito se manipularam desejos legítimos em tornar o país um lugar melhor para se viver.  Nós aqui, do Think, procuramos o mais possível nos aproximarmos da realidade. Não daquela oficial, nem da outra oficiosa, mas de quem viveu os efeitos no dia-a-dia. Colocamos, pois, o texto de Regina Silva, professora comprometida com uma educação pública na busca da qualidade. Para todos nós, sem qualquer corte.  HILTON BESNOS.

E AÍ ESTÁ

Amigo, estou  com a cabeça fervilhando com tudo o que estamos vivendo aqui no Centro de Porto Alegre.

Nem sei se o que escrevi ficou claro, mas é o que acho que penso no momento. 
Se achar bom, põe no teu blog. Depois eu compartilho.
Abraços
Regina 

E aí está. A nova (ou velha) cara do Brasil. O povo chega no limite. Protestos e manifestações são bem vindos, ou nem tanto. O fato é que há muita revolta pelos escândalos econômicos e políticos  que assolam nosso país, e a população começa a se enfurecer. Certo.

Vão às ruas, gritam palavras de ordem, organizam-se ou não em sindicatos, associações, grupos ideológicos.

No começo, tu achas que é por uma causa, depois vem outra, e outra, e outra, e … onde era mesmo o começo dessa história? Me perdi no meio do caminho.

A proposta é “o povo nas ruas, sem partido político”.

Chegamos ao ponto em que a desilusão partidária é o sentimento da maioria dos cidadãos brasileiros.

O país está em ebulição.

É óbvio que quando junta-se uma massa de pessoas, há de tudo um pouco. Quem talvez sozinho nem se manifestasse, num grupo toma uma força descomunal. Há os pacíficos e os mais inflamados. Os que lutam por um ideal e os que acham descolado fazer parte da massa.

De qualquer modo, tornou-se o assunto do dia o que acontece nas manifestações.

E no meio disso tudo, vem a bandidagem, marginália, delinquentes, como queiram chamar. Não é baderneiro, arruaceiro, ou coisinha mais leve. É gente da pesada, disposta a destruir, saquear, aproveitar-se do momento. Com os recursos tecnológicos de hoje tem-se a foto, a filmagem, registrando a destruição, a depredação do que estiver pela frente.

Assusta. E assusta mais quem vê ao vivo. Um ataque troglodita derrubando lixeiras públicas, ateando fogo, apedrejando carros parados, quebrando vidros de lojas, chutando portas de ferro até quebrar tudo e saqueando. Convenhamos, não é liberdade de expressão ou manifestação de descontentamento com governo, política, etc. É aproveitar a oportunidade, porque acha que a polícia vai estar ocupada em outro lugar.

A polícia? Acho que está mais assustada que a população. Senão, nada explica como está reagindo. Já olharam o pelotão do POE? Jovens, muito jovens, inexperientes, que já foram colocados nas ruas para fazer enfrentamento. E vira cenário de guerra. Bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha, spray de pimenta. Vinagre, pra combater os efeitos do gás, vira caso de polícia.

Apesar de tudo, ainda acho que há alguma forma de controle invisível nessa história, senão nada explicaria que ainda não houve tiro de verdade, com tanta gente andando armada, que mortes ainda não ocorreram por confronto direto entre manifestantes e polícia.

Onde tudo isso vai nos levar? Não sei… ninguém sabe.

 

2 comentários sobre “Regina Silva – E aí está

  1. O brasileiro sofreu calado durante muito tempo.
    Essa foi à oportunidade que tivemos para reivindicarmos nossos direito e expressar nossa indignação devido às audácias do governo.
    Estamos hoje, vivendo um período de reformas e reconstruções.
    Todos sonhamos com um pais mais justo, um pais melhor.
    Coincidentemente a ultima revolução foi no ano em que nasci, em 1992, quando todos os brasileiros saiam às ruas com suas caras pintadas e clamavam justiça.
    É com muito orgulho que digo que apos 20 anos, eu pude participar de um acontecimento que julgo ser “lindo”, sai às ruas e protestei contra o que achava errado, contra os gastos abusivos do governo, contra o péssimo ensino que e oferecido às escolas e o horrendo sistema de saúde…
    Fiz da melhor forma possível.
    Tendo em vista que, ouve grandes conflitos com a minoria, mas a maioria estava protestando em ordem e a favor de ordem.

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