Hordas me seguirão


O mundo social, econômico, financeiro, cultural, as religiões, as relações políticas, amorosas, educacionais, o imaterial, a razão e as porcentagens, as virtudes, os vícios, as obrigações, as medicinas, as doenças, os sentidos, os direitos e as obrigações, os signos, a semiótica, a literatura, a imagem em milhões, em bilhões, incontáveis imagens, as palavras, as filosofias e as ciências, a pornografia, os sentimentos, os ressentimentos e as apatias, o desanimo, os crimes, as abluções, o neocortex  a apatia, o desanimo, os aparelhos de repressão, a polícia, os céus, a tecnologia, os meios, as avenidas, as ruas, as vielas, os acessos, as pontes, os mendigos, a sacristia, as cidades, vilas, os governos, o ócio, as cautelas, os jogos, os erotismos, os templos, os templários, as publicações, os livros, os livretos, os transtornos, as hipóteses, os créditos, as redes, os conhecimentos, as escolas, as igrejas, tudo, tudo absolutamente ficou em stand by.
 
Nasci, mas isso não foi notado, ninguém, a não ser parentes, e desses muitos poucos notaram que eu nasci, para continuar, já tão sem nada a aprender. Há pais, há um mundo a ser descoberto. Um pouco acima, um pouco abaixo, parte dele, ao seu lado, mamar, prazer, frio, desprazer, calor em excesso, ver, olhos, reconhecer. Nasci, e comigo e em mim, tão envolto em mim, mantas e mantas de imprinting cultural, id, ego, superego talvez, desvios, más experiências, bullying, mais tarde, escola mais tarde, humilhações dos pais, da mãe, o pai tão bêbado dizendo filhinho, filhinho, filhinho, os sentidos, paladar, visão, olfato, e talvez por uma certa orientação, esquerda, direita, embaixo, ao lado, diagonal, transversal, e, pronto, os alimentos, a gordura gordura se acumulando junto com a rejeição, ninguém quer, quem orienta, os elevadores, os plásticos, as dores, as tristezas, os ventiladores e as melancolias; não, o mundo não é plano, o mundo não é justo, de repente nos perdemos entre pessoas escusas, contraditórias, más, eu então me tatuei de raiva, de puro ódio, essa é a verdade, que já era mais que adolescente quando me tatuei para me esquecer, e é muito estranho tentar esquecer a própria vida, eu queria e ela me tomou, minha vida de neon, tudo mentira, eu sou uma mentira.
Tenho agora comigo, em minha pele, gravado em mim, no dorso da minha mão, um dragão medieval, e quando movo a minha mão ele também se move e ela nada mais é do que um instrumento, uma ferramenta, meus dedos um display que aciono do modo e da maneira que desejo e que meu neocortex, topo da minha cabeça ordena, requer, necessita, enquanto ele, o dragão aponta sua bocarra de poros e de humores para o meu indicador e daí vem a sua força, o seu fogo destruidor, o seu movimento e a minha raiva, minha incontida raiva virada  em facas, adagas, lâminas, cortes obtusos, cortes perfeitos, giletes restaurando a doutrina que dispara contra o metrô, contra as instituições e risca e rasga e fere, o que mais queriam de mim, pergunto e todos ficam iguais a você, aí, parados e ninguém diz nada, então eu avanço, eu agora sou o dragão, forte, contra os prevaricadores, as prostitutas, os guardiães das delegacias, os velhos que cheiram mal, os mentirosos de profissão, venho eu com a força do fogo, com o corte da lâmina, o fogo que provêm da minha vontade de limpar, clarificar como um jato de sol aquece o limo, como o fogo aquece a manhã; afogará, o fogo do meu dragão, de suas entranhas as mentes preguiçosas, ensimesmadas, cautelosos, anárquicas, tudo e tudo mais que deva ser silenciado o será através do sílex branco, duro e limpo do fogo, e eu serei, como meu corpo é seu mensageiro, homem-dragão mensageiro, santíssima trindade e digam amem amem amem, e a tatuagem meu deus, deus de letras minúsculas e me ajoelharei para louvar, santificada a trindade fogo, terra, pureza, da qual sou apenas e tão-só pastor que uniformiza, que normaliza e normatiza a casta neurose dos homens, filhos todos do dragão, e assim será e por isso e tão-só para isso estou no mundo e quando eu morrer, me for, hordas me seguirão.

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