O homem de vermelho


Porto Alegre (fotos antigas)

O homem de vermelho era alguém que literalmente seguia o devedor. Uma vez determinada sua residência, ele ia lá. O homem de vermelho não cobrava diretamente a dívida, mas a sua presença indicava claramente que uma determinada pessoa era devedora. Então ele ia à casa do indigitado e ali permanecia. E seguia a pessoa pelas ruas, mantendo distância.

Inimaginável o constrangimento: começa que quando o homem de vermelho apontava na rua, a gurizada ia atrás dele, para saber quem era o devedor, mas não só elas, igualmente os vizinhos, mais cautelosos, davam um jeito de descobrir quem era o devedor e o nome do mesmo servia então de escárnio para todos.

Esse tipo de cobrança durou pouco tempo, e não existe há décadas, mas me lembro claramente do homem de vermelho e das confusões, das gritarias, dos xingamentos, das risadas e da ridicularização que o acompanhavam. Havia brigas, às vezes, e coisas desse tipo. O homem de vermelho era o dedo que cutucava diretamente a ferida, e o fazia publicamente.

Era um horror aquilo.

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