Cafezinho, cigarro e macho alfa


Novembro de 2012. Hoje. Estou em uma cafeteria, bem próxima de casa. Em Porto Alegre, faz 37 graus centígrados e, tirando as sombras eventuais, tudo ferve. Estou na rua, em uma mesinha, na qual estão um cafezinho, mineral com gás gelada, servido em um copo alto, com muito gelo e a sempre necessária rodela de limão, além de uma carteira de cigarro.

Um grupo de adolescentes vitaminados se aproxima. Um deles, com uma camiseta escrita “gangster” e com um cabelo que para alguns lembraria o Neimar, mas que para mim recorda a gravura de um estegossauro, olha a carteira de cigarro e diz alguma coisa incompreensível, o que significa que quer um cigarro. Com uma certa agressividade, apanha o isqueiro, acende o cigarro que lhe estendo, me olha com um jeito superior e se vai.

Observo-o com atenção. “Já dei muita aula para muitos semelhantes a você”, penso. “Não mais”, concluo, pensando em minha aposentadoria. O moço já vai adiante, com seu ar arrogante de macho alfa, devidamente escudado por seus pares. Eu permaneço aqui, tomando minha água mineral com gás. Por fim, me acode o pensamento: “você tem a sua força e eu, a minha escrita”, para logo em seguida sorrir. “Pensamento tolo, o meu… afinal ele nunca na vida vai me ler…”

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