Viagens e sabores locais


Muitas vezes, quando viajamos, ignoramos tudo que circunda o ponto de chegada, normalmente por que, mesmo em férias, nos planejamos para seguir determinadas metas. Então, o que é circunstancial passa batido, os entornos passam batidos, e, de certo modo, perdemos muitas fragrâncias, muitas sensações, muitos finais de noite em locais que talvez achássemos interessantes, mas que, provavelmente não conheceremos, o que é uma pena.

Passe de carro pelas estradas de Minas e você entenderá o que estou dizendo. Pequenas cidadezinhas, vilarejos que se espraiam pelas montanhas como pequenos cartões postais que convidam a dar uma parada, caminhar um pouco pelas suas ruas e descobrir a beleza do simples, do natural, mas o automóvel, na estrada principal, não baixa de cem por hora.

Se não apreciamos tudo que gostaríamos, seria razoável aproveitar o que é possível. As coisas, as pessoas, as ladeiras, os sorrisos, a arquitetura, os costumes e a música locais, os cheiros, as conversas, o outro, enfim, tudo passa como uma folha em branco. Adotamos o ritual e como uma novidade balsâmica, como uma inviolabilidade civilizatória, e assim perdemos os sabores locais. E os locais não são transferíveis, não são globalizados e no interior do Brasil, com a graça de Deus, uma moda de viola é mais apreciada que a Britney Spears ou a Lady Gaga.

Sabores locais são intransferíveis, quase que inegociáveis. Como os seus olhos quando, apressados, ignoram os meus.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s