A bicicleta


O CASO DA BICICLETA

DIA 17 DE OUTUBRO DE 2012, À TARDE.

Pois normalmente as pessoas caem da bicicleta, quando estão aprendendo a andar, distraídas ou quando há algum acidente; fora isso, podem ser eventualmente atropeladas por algum ciclista mais afoito ou quando, simplesmente, estamos distraídos andando pela rua e não percebemos que estamos na rota de algum ciclista. Raramente se vê alguém cuja bicicleta caiu na sua cabeça. Mas nós, os Besnos, somos especialistas no insólito.

Anteontem à tarde, 17 de outubro de 2012, o Matheus me convidou para ir ao Parque da Redenção, um paraíso há quatro quadras próximo de casa. Antes, ele tinha saído só, na sua bicicleta aro 26.

A tarde estava luminosa, linda, e aceitei o convite. Fui andando até encontrar o Math. A bicicleta estava apoiada em seu pedal de segurança e, após afastá-la, deitei-me na relva, sentindo aquela maravilhosa sensação de abandono, enquanto o Matheus desenhava. Estávamos próximos ao espelho d’água da Redenção, mais próximos ainda do chafariz. Pelas tantas o chafariz foi ligado.

Havia sol, sombra, árvores, e mesmo uma suave “chuvinha” , uma miríade de gotas de água que o vento transportava do chafariz, tornando tudo mais delicioso; leves gotículas de água, como que enviadas pelos céus para aplacar o calor da tarde. Eu e Matheus falávamos banalidades, porque há momentos em que é indispensável dizer-se tolices, nada melhor que isso.  Suspirei fundo, espreguicei-me e pensei unicamente em aproveitar aquele instante mágico. Fechei os olhos, pensando ainda que teria pelo menos uma hora e meia de folga até para apanhar Vi na escola.

Delícia das delícia, relaxei com os olhos cerrados…

De repente algo explodiu na minha cabeça: senti uma dor violenta um pouco acima do meu olho esquerdo. Em milésimos de segundos não entendi o que tinha acontecido. Instintivamente levei a mão à testa e senti sangue. Quando me conectei ao mundo, entendi o que houve. Um vento forte desequilibrou a bicicleta,  que caiu justo sob a minha cabeça. Muita dor no meio da placidez, da calma e da lassidão gostosa.

Quando abri o olho, um desconhecido me ajudava a levantar. Fez mais: conversando a respeito de  seu pai, me contou que o mesmo tinha quase cem anos e estava internado no  Hospital de Clínicas, que ambos moravam no Paraná, e assim foi me conduzindo ao Hospital de Pronto Socorro, que fica praticamente no Parque da Redenção.

Dois pontos e uma injeção antitetânica depois, estava pronto para vir para casa. A professora Ana trouxe a Vi para casa, enquanto eu pensava na trajetória dos Besnos e nos fatos insólitos que nos acontecem de modo tão normal que sequer mais nos damos conta disso. Afinal, você, caro leitor, conhece alguém que já teve uma bicicleta desabando sobre sua cabeça? Não?  Nos acompanhe, tem muito mais por aí!

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