Meu maior medo


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Noite dessas o Mathy me perguntou qual era o meu “maior medo”. É uma maravilha essa coisa da infância, porque tudo é superlativo. Não temos “medo”, temos “muito medo”, não temos “amor”, temos “todo o amor do mundo”, e daí por diante. Eu respondi que o meu maior medo é perder o amor dos meus filhos.
Pelo horário que eu tenho agora, já é dia dos pais, e, portanto, um dia de receber abraços amados dos filhos amados; domingo bonito, para almoçar com os três filhos, dia de muitos afetos. Fico pensando no que me disse meu grande amigo Hamilton: a função de mãe é natural, mas a do pai não, é social, deve ser aprendida. Sempre penso nessa frase.
É claro que vamos colecionando erros durante os dias, mas também aprendemos algo muito importante: é necessário tempo para que possamos nos transformar em pais. Mas ainda mais tempo é preciso para que os filhos se transformem em pais e possam, a partir daí, terem a visão que temos hoje. Só então, somadas atitudes corretas, outras nem tanto, muitas dúvidas, algumas dívidas, respostas que não podem ser proteladas e perguntas que nem sempre ousamos fazer, só compreendendo uma época determinada, circunstanciando o havido é que, finalmente, o filho será pai. Será então mais fácil reconhecer seu próprio pai, quando o mesmo, além de continuar pai, será avô.
Hoje sou pai. Tenho três filhos, e com cada um deles existe uma relação distinta, única. E ela é a nossa guia. Existe uma relação que é um retornar, um olhar, uma discussão aqui ou ali, alguma insatisfação, às vezes um não reconhecimento, mas tudo isso é uma troca de sentidos, de sentimentos, de vida. As perspectivas são muitas vezes diferentes, mas é normal que seja assim, que por vezes caminhemos sob o frio, sob a chuva e as tempestades, muitas vezes sem um casaco ou uma sopa quente para nos aquecer. Se não cruzarmos esses caminhos, não saberemos valorizar os dias em que as folhas das árvores nos proporcionam, com suas cores, um pedaço do paraíso. Há dias em que pensamos que o que há de bom deve ser assim, desse jeito, com esse cheiro, com essa suave benção que nos ampara enquanto andamos juntos.
Sim, eu já tenho meus presentes. Mathy, Mig, Gab. Meus pedaços de corpo, de alma e de coração. De certo modo, todos aqui somos pais de nós mesmos. Nossa consciência vai nos permitindo enxergar, com o tempo, um pouco além do que a estrada possibilita ver. De certo modo, ela substitui em nós a ausência de nosso pai de carne e osso. Mas, em tudo há um PAI verdadeiro, que é infinitamente maior do que imaginamos. Perto dele, somos sempre filhos que, com suas ações e omissões buscam um olhar SEU, um olhar de luz, de paz, de plenitude, de infinito amor. Como no dia dos pais.
Filhos amados, estejam na paz de DEUS.

PSD: Este post foi escrito em 2007. Hoje, tenho, com grande prazer, de acrescentar a pequena Vitória da Silva Besnos, piolhinha que está com cinco anos. Ai, meu Deus, meu medo aumentou!!!

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