Perguntas e respostas


Há perguntas que nem sempre são feitas para ser respondidas; somente a experiência pode distingui-las das demais. Algumas são utilizadas como armas, tão-só para desqualificar aquele que deveria respondê-las; na verdade são afirmações ou cobranças disfarçadas com um ponto de interrogação. Sua existência é apenas uma forma de colocar o outro em uma situação de incômodo, de inferioridade, de culpa. Tais perguntas, no fundo, querem simplesmente ferir.

Há respostas complexas, que demandam situações, por vezes delicadas e que, em princípio, não deveriam ser envolvidas na questão; quem responde deve então ter uma perícia muito grande para recortar, do complexo, o que realmente importa e caiba aí, além de uma paciência beneditina para não encalacrar-se, deixando de citar fatos que julgue relevantes, mas que poderiam levar a discussões bem mais largas do que o que a pergunta, maliciosamente, quer saber. Nesses casos, o que mais importa na resposta são os “cortes” que a prudência recomenda.

Mais complicado ainda é você se quem pergunta é um (a) estrategista, pessoa que tem imenso talento para manipular cenários com o objetivo de obter o que deseja. Dá-se, pois, que as complicações muitas vezes são urdidas anteriormente e terminam por constituir um caminho nem sempre bem orientado, ou particularmente desorientado. A pergunta vem como um complemento para trazer maiores desentendimentos.

Recortar um conteúdo não é tarefa fácil e normalmente requer uma experiência bastante grande. Há pessoas que não se satisfazem com o que perguntaram e ficam cada vez mais buscando pontos de atrito, com o fito de poderem então dizer o que realmente pensam. Caberia às mesmas o exercício de pensar antes de perguntar ou simplesmente pensar sobre o que a sua pergunta encerra. Discussões são próprias, mas não quando simplesmente se quer partir de critérios arrogantes para impor sua própria opinião.

O exercício da mediação é quase que impossibilitado quando cremos que temos de defender como um castelo nossos próprios pontos de vista, quando queremos impor aos outros as nossas opiniões, geralmente desqualificando o terceiro para que nos sintamos vitoriosos ou para tentar inculcar um sentimento de culpa em outro, mesmo que saibamos que isso não é real. A deslealdade de uma discussão levantada a partir de prerrogativas infamantes só pode levar ao desrespeito e ao estresse sem sentido.

O que menos importa é a pergunta ou mesmo sua resposta, se partimos do ponto de vista de que possuímos a razão. Qualquer movimento contrário será visto ou como uma defesa indevida, ou como uma queixa inapropriada. O passo seguinte é querer forçar o outro a pensar e a agir de acordo com o que desejamos. Não temos aí uma relação adulta, mas a mera submissão. Submetem-se, em princípio, os que dependem de terceiros e essa dependência pode ser de várias ordens, mas sempre caracterizará a dependência. Há pessoas que se habituam a subserviência de outras, e que, por estarem assim acostumadas, não conseguem ver no outro alguém que se posiciona de modo distinto ao seu.

Trata-se, muitas vezes, de uma postura arrogante, possivelmente de alguém que encarou no mimo a si mesmo uma virtude. Para a mesma não há limites possíveis, mas a simples e comum gritaria que não leva a nada, a não ser ao desrespeito, à quebra de limites e à falta de convivência. Preços altos demais a pagar? Depende da relação que você tem com quem você quebrou os limites.

A pedagogia do silêncio, talvez, seja uma resposta apropriada, não no sentido de afastamento, mas como uma viva recordação de que estamos todos sujeitos a aprender. Nem que tenhamos de nos portar como Sísifos ou que a vida, com sua imensa sabedoria, tome a nós mesmos como aprendizes.

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