Instantâneo


Enquanto escuto, no domingo à noite, Mallu Magalhães no Multishow, Ana fala com sua mãe e com  sua irmã em Fortaleza e o Matheus está no computador, procurando informações sobre o dragão de Komodo na Wikipedia. Hoje, no domingo do dia das mães, passamos o dia com a Cleonice. Ontem e e Ana assistimos os Demônios da Garoa na TV Cultura. Há um sentido de paz em tudo isso e especialmente o de que continuamos fazendo o que gostamos, de modo que não temos, obrigatoriamente, de fazer as mesmas cosas todos juntos e ao mesmo tempo e de que não há uma ordem unida. Dali há pouco eu e Ana podemos estar enrolados e brincando com o Matheus ou assistindo um filme em algum canal fechado ou comendo pizza e/ou salada de frutas.

Talvez esse jeito de apreciar as coisas que a vida oferece seja essencial para nós, pois há uma liberdade em tudo isso, a gentileza que cada um de nós concede ao outro de não precisar mudar, de não precisar mentir e configurar-se como interessantes dia após dia, como se fossemos um photoshop, um produto digital. Podemos continuar a ser livres para fazer o que gostamos.

Durante um tempo mais ou menos longo, as conversas, os fatos, importantes ou nem tanto são sempre compartilhados; os momentos de irritação, as angústias, as questões que reputamos mais sérias ou nem tanto, mas tudo isso constitui uma linha de argumentação, uma história da qual não abrimos mão, a das nossas vidas, de nossos instantes. Gosto de escrever, tenho o blog. Ana é nossa sábia e prática de plantão e o Matheus nos surpreende a cada dia. Temos nossas limitações mas, apesar delas, voamos. Amanhã, segunda, ou daqui há pouco, às 6 h 20 min mais uma semana de trabalho começa.

Estamos já em maio e o tempo gira conosco, mas a impressão geral é a de que determinados nossas vidas, o que nos deixa maduros, alegres e felizes. Tenho a nítida impressão que isso aconteceria em Porto Alegre, em Buenos Aire, em Campinas, em Montevideu, em qualquer outro local ou cidade. Rimos mais do que nos aborrecemos e, após oito anos, olho para a Ana e a amo como se fosse ainda 2001.

É bem possível que o dragão de Komodo não saia da Wikipedia mas, de certo modo, temos a certeza de que Mallu Magalhães nos acompanha. Ou  Gal Costa. Ou o Kiss. Ou Mireille Mathieu, tudo sob as bençãos de Chico Buarque e de Tom Jobim. Talvez tenhamos transformado nossa vida em um blues. No fundo, amar é isso: ter ritmo, pulsação, criar movimentos e momentos de certa maneira anárquicos, mas que se complementam em harmonia.

Dancemos pois, cantemos pois, aproveitemos esse imenso salão ao som deste bolero vida vamos nós e não estamos sós por favor meu bem a vida nos espera. Mais uma vez, recomeçar.  Porto Alegre, 2009. HILTON BESNOS.

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