E se (de 2007 para 2008)


Durante o ano todo pedimos, no fim do ano também. Pedimos pelo ano novo, pedimos por desejos novos ou repetimos alguns antigos, pedimos novos amigos, novos prazeres e mais pão em nossas mesas.
Durante o ano todo pedimos, no fim do ano também. Pedimos por novas materialidades, juramos que vamos mudar se não tudo, pelo menos uma boa parte, o que significa que reconhecemos nossas pequenas ou grandes idiossincrasias
.
Durante o ano todo pedimos, no fm do ano também. Pedimos um novo ano, pedimos novos significados, novos caminhos, novas trilhas, novos amores, novas festividades, novas carnações. Pedimos mais bebidas e menos obrigações, pedimos mais tranqüilidade e menos atribulações. Pedimos para que aquela pessoa insuportável viaje para bem longe e fique muito afastada.
Durante o ano todo pedimos, no fim do ano também. O novo ano está ali, nos esperando, uma passagem no tempo de cada um de nós, uma fímbria de luz, um espaço a ser conquistado, renovado, matutado, organizado e essencialmente buscado.
E se tentássemos tratar o ano como gostaríamos de tratar a nós mesmos, ou ao grande amor de nossa vida? E se fossemos um pouco Frida Kahlo, um pouco Joan Baez, um pouco Paulo Freire? E se buscássemos o Picasso que há em nós, o Fito Paez,  até um pouco de Adeste Fidelis?
E se tivéssemos presente em nós o muito de criança que matamos sistematicamente ao longo das nossas vidas? E se, simplesmente não nos importássemos um pouco, um pouquinho só com as obrigações que tanto nos sufocam e tanto nos aprisionam durante todos os dias, nos transformando em uma linha de montagem fordiana?
E se tivéssemos um mínimo de Chaplin, de Cirque du Soleil em nossos corações? E se saltássemos, pelo menos uma vez, sem a rede que nos dá a certeza e, portanto, o monocórdio? E se fossemos um toque de jazz, um samba, um mínimo de Fernanda Montenegro?
Ai, como pediríamos menos, se, pelo menos por nós, fizessemos o que deveríamos fazer? Tivessemos um pouco de graça, de carinho e de afeto verdadeiros, daqueles que nos expõe e nos revelam?
Em 2008, vamos descobrir a nós mesmos?

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