Jazz & Blues em Guaramiranga 2014


FONTE CLUBE DE JAZZ

http://www.clubedejazz.com.br/noticias/noticia.php?noticia_id=1325

grandes shows em guaramiranga e fortaleza

Eventos

No Brasil, o jazz e o blues abriram a temporada de 2014 com o grande festival que ocorre em Guaramiranga, na serra cearense, há quinze anos. O Clube de Jazz foi muito bem representado por Paulo Cesar Nunes, que esteve em Guaramiranga no domingo e depois na quinta e sexta em Fortaleza e agora nos conta com toda a sua emoção, o que rolou nesses dias. E para finalizar, uma entrevista com o harpista colombiano, Edmar Castañeda.

Allysson dos Anjos, Andrea Tierra, Big Band Unifor, Carlos Malta, Edmar Castañeda, Cristóvão bastos & Edu Lobo, Itiberê Zwarg, Robertinho de Recife e Yilian Cañizares.

10/03/2014 – Paulo Cesar Nunes

Neste feriadão de carnaval, aconteceu a 15ª edição do Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga. O tradicional evento vem sendo a capital do jazz no Brasil durante os dias de folia e atrai gente de varias regiões do país. Com uma bagagem já bastante volumosa em diversos estilos musicais, os nomes dos mais variados artistas distribuídos no mural colocado na entrada atestam o sucesso incontestável dessa grande iniciativa de trazer música de qualidade ao ávido povo nordestino, tão rico em suas propostas criativas e tão curioso em absorver as demais.

Neste ano pudemos acompanhar de perto e sentir os efeitos que o festival tem causado nos habitantes do local e nos visitantes mais frequentes. Como sempre, aconteceu a oficina de música na vizinha cidade de Pacoti, na qual vários músicos consagrados se encarregam de trocar experiências com jovens músicos do interior. No dia que estive na Oficina, ela estava a cargo de Itiberê Zwarg e de seus filhos, Ajurinã e Mariana Zwarg. Na abertura do evento, ocorreu a apresentação de Itiberê com parte dos jovens que participaram dos workshops. Essa foi uma forma idealizada para que o festival deixe uma marca e revele novos talentos, algo que vem obtendo êxito, com a revelação de nomes como Allysson dos Anjosno terreno do blues, a consolidação das carreiras de Artur Menezes e Felipe Cazaux, e o sensacional baixista Pipoquinha, que apesar de muito novo já tem carreira na musica instrumental brasileira.

GUARAMIRANGA

No domingo (02/03), eu e meus amigos fomos a Guaramiranga conferir de perto a energia do evento. Depois do ensaio aberto de Robertinho de Recife, subiu ao palco o grupo de Itiberê Zwarg. Desta formação de multiinstrumentistas destacamos o infernal naipe de metais, que troca incessantemente de instrumentos, cantam, fazem percussão, enfim uma cadencia avassaladora de nuances. Ótimo show.

Depois desse começo arrasador no segmento fim de tarde, subiu ao palco já à noite, a violinista cubana Yilian Cañizares à frente de seu quarteto Ochumare. Com uma performance impecável Yilian desfilou sua mistura de latinidades, ritmos do Caribe e canções em iorubá. Com ótimo trabalho vocal e presença de palco a artista se superou em execuções primorosas ao violino, instrumento com que deixa transparecer sua forte influência da música clássica. Suas composições são cuidadosamente construidas com estilos dispares como o latin jazz, cantos afros e elementos do clássico mas que ela encaixa com enorme maestria. Sim, senhores, vimos uma estrela em ascensão com uma música inovadora que ainda vai dar muito o que falar no mundo do jazz.

Depois vem Robertinho de Recife bastante inspirado pela retomada de seu proprio trabalho, já que por mais de 15 anos vem se dedicando exclusivamente à produção musical. Um músico de muitas facetas, o recifense desfilou sua obra no espetáculo “Rapsódia Rock and Road”, concentrou o programa em momentos bastante sublimes, as releituras de temas clássicos e o tema que fez para a novela Pantanal “No Mundo dos Sonhos” mas não deixou de soltar os petardos metaleiros que infernizaram plateias pelo Brasil afora nos anos 80. No fim o público exigiu um bis e Robertinho convidou ao palco Manassés, um dos ícones das cordas nordestinas, e juntos fizeram de forma improvisada uma versão de O Elefante, sucesso de Robertinho, cravejado de citações incidentais e incríveis duelos destes legítimos representantes da guitarra brasileira.

Novo intervalo para mudança de cenário, as cadeiras foram retiradas para o segmento Hora do Blues, que este ano fechou todas as noites no festival, para alegria da rapaziada da madruga, que rapidamente lotou o espaço. Nesta noite a festa ficou a cargo do guitarrista cearense Allysson dos Anjos, que concentrou seu vigoroso set em trabalhos de sua autoria e clássicos do blues e do rock, sem alongar os temas, num certeiro formato curto e grosso. Foi uma pauleira incessante, com refresco apenas num duo de guitarra e harmônica, um blues lento de sua autoria , com direito a citação a “Blowin’ in the Wind”, de Dylan.

FORTALEZA

Na etapa de Fortaleza estivemos no ótimo Teatro Via Sul para nova apresentação da sensacional Big Band Unifor, regida pro Robson Lima e formada há apenas cinco meses, mas já exibe grande desenvoltura em sua proposta de versões de temas de cinema e MPB. Uma grata surpresa. O palco ficou a cargo de um gigante da MPB, Edu Lobo. Um desfile impecável de clássicos de toda sua carreira, através de belos arranjos do pianista Cristovão Bastos, executados pelos músicos Jorge Helder no contrabaixo, Jurim Moreira na bateria e um inspiradíssimo Carlos Malta nos saxes e flautas. Lobo conversou algumas vezes sobre os temas e seu histórico com a censura e os festivais de 40 anos atrás. Um grande momento do festival.

No dia seguinte (07/03), no Via Sul foi a vez do colombiano Edmar Castañeda, o grande representante da harpa no mundo atual do jazz, e seu quarteto espetacular composto por David Silliman na bateria e percussão, Marshall Gilkes no trombone e a cantora colombiana Andrea Tierra. A música do grupo viaja entre os vários caminhos do jazz, inclusive as curvas arrojadas do free jazz pelo trombone atrevido de Gilkes, e a música folclórica colombiana. Castañeda exibe virtuosismo e muito sentimento nos solos, e toma a cargo a harmonia e os baixos das composições, tirando o máximo de seu instrumento customizado pela fábrica segundo suas especificações, a harpa EC Llanera: é uma verdadeira usina de sons nas mãos do mestre. Participando em alguns números, sua esposa Andrea Tierra traz enorme brilho ao concerto, e lembra a forte influência andina que hoje aparecem em poucas cantoras mas que em Tierra revive o espírito do lamento latinoamericano tão celebrado em diversos acontecimentos deste nosso continente. Outro grande momento desta 15ª edição.

O Festival de Guaramiranga teve um variado cardápio sempre com muito bom gosto e grande empatia com o público. Francis e Olívia Hime, com sua homenagem a Vinicius, o incendiário Artur Menezes, o grupo Marimbanda, o Ricardo Hertz Trio, Felipe Cazaux, todos espetáculos que se comentava com entusiasmo pelos recantos da serra. Só temos a agradecer as organizadoras Maria Amélia Mamede e Rachel Gadelha, e todo o pessoal da Via de Comunicação por realizar este bastião da cultura musical no Brasil, o Festival Jazz & Blues de Guaramiranga. E também agradecemos ao grupo da Dégagé pelo sempre prestativo suporte. Parabenizamos a todos pelo resultado de muita qualidade, já vislumbrando e desejando sucesso para o próximo ano.

Papo com Edmar Castañeda

PCN – Você vem participando de festivais na Am do Sul, tendo já se apresentado varias vezes no Lapataia Jazz de Punta del Este, em São Paulo e agora em Guaramiranga e Fortaleza. Como você vê o intercambio musical neste continente de música tão diversificada?
EC – Penso que é um bom momento e tenho grande interesse em estar nesse movimento. Estamos neste grupo de formação panamericana fundindo gêneros. Me sinto muito feliz como sulamericano que a África, New York, Espanha, sintam esta música. Em particular gosto muito desta aproximação com músicos brasileiros. Hamilton de Holanda tocou no meu último disco, e tenho agora um espetáculo agendado com Cesar Camargo Mariano.

PCN – É mesmo inusitado ouvir a harpa em formação jazzista. Recentemente o musico de new age Andreas Vollenweider e a brasileira Cristina Braga nos recordam que o instrumento pode ser melhor apreciado. E você aparece com sua proposta dentro do mundo do jazz, uma divulgação mais abrangente deste instrumento.
EC – É o que estou buscando. Que a harpa seja mais ouvida ao redor do mundo, e que os folclores da Colômbia e também me lembro agora a música regional do Paraguai como veículos levados por este instrumento. Quero que a llanera e outros ritmos colombianos sejam levados aos palcos mundo afora pela beleza do som da harpa.

PCN – Algum novo projeto em vista?
EC – Temos esse espetáculo na Bahia com Cesar Camargo, e alguns agendados com o grupo em outros palcos. Por enquanto é só. Agradeço a enorme acolhida que tive aqui.

Plus pelo GRIOT BALALAIKA: Alysson dos Anjos in Old Man Blues

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