Ideologias


Às vezes nos vem a impressão de que tudo já está pronto e definido, e que viemos aqui somente para cumprir alguns rituais sociais e profissionais. É claro que a humanidade tem algum tempo já sobre a Terra, o suficiente para estruturar sociedades e destruí-las sempre que motivos e exércitos se levantem para tanto, em busca de maior poder e de áreas de influência.

Em algumas dezenas de oportunidades essa sensação de ser um pozinho no meio do aspirador pode ser massacrante, e esse tema já foi explorado algumas centenas de vezes. No entanto, esses sentidos sempre possuem um objetivo claro que, no básico, é o de nos tornarmos conformados ao perfil ao qual nos adequaram. Como tenho cinquenta e dois anos, já passei por algumas experiências e por uma visão mais integrada do que significam movimentos sociais.

Embora não tenha sido exatamente um rebelde dos anos sessenta, nem tenha estado em Praga quando os russos invadiram, fui criando, ao longo dos anos algumas idéias e observado alguns parâmetros que, se fizeram de mim o que sou, tem muito a ver com as sociedades ocidentais de modo geral. Pensando nisso, fui esboçando rapidamente alguns nomes e idéias estruturantes, que vou chamar de ÍNDICE DE INFLUÊNCIAS. Creio que boa parte das orientações que seguimos vem daí. Vamos então ao mesmo.

ÍNDICE DE INFLUÊNCIAS

Para FREUD a civilização resulta de duas tensões permanentes entre os princípios e mecanismos psicológicos que orientam em cada um de nós o prazer (ou a libido criadora, emancipativa) e o dever (ou a repressão ou tanathos, representando o sentido de aniquilamento ou obrigacional). Essa tensão entre o que desejamos e o que a sociedade nos permite é a resultante estruturadora do próprio meio social e de como vivemos em uma determinada época histórica.

Para MARX as sociedades humanas se regulam em suas razões políticas e econômicas, criando paradigmas e nutrindo-se ideologicamente. Para ele, ideologia sempre foi um expediente das classes dominantes manterem e expandirem seu poder, graças ao domínio do capital e dos meios de produção. Analisou com acurada e crítica visão social as formações das diferentes classes que emergiram através da exploração do trabalho pelos capitalistas em relação às forças de trabalho.

Para FRIEDMAN, da escola econômica de Chicago, o mercado deveria ser incensado. O Estado, por seu turno, não deveria financiar e onerar a sociedade tão brutalmente com benefícios, garantias e direitos sociais. A economia está atrelada ao mercado, e o fortalecimento das empresas seria suficiente para criar melhores condições de vida para a reserva de milhões de trabalhadores. As idéias do economista ajudaram a criar o conceito clássico de monetarização e, portanto, da diminuição do Estado. Era o planejado fim do welfare state, que nascera na Grande Depressão e da escola keynesiana, que entendia que o Estado deveria intervir na economia para criar condições de melhoria de vida para as populações.

Ainda durante a segunda guerra mundial, as potências mundiais se reuniram em BRETTON WOODS (1944) para organizarem um sistema financeiro mundial. Compareceram mais de trinta países, mas se sabia, já ali, quem mandava e porque mandava. Não se sabia quais seriam, contudo, tais instrumentos institucionalizados de domínio econômico. A ONU foi fundada em 1945 e as instituições como o BIRD em 1946. O BIRD se cessionaria em Banco Mundial e FMI. O gerenciamento do sistema financeiro mundial caberia aos Estados Unidos da América, que detinham na época condições econômicas, poderio militar e capital em estoque para firmarem-se como líderes da nova ordem mundial.

Bem antes de Friedmann e Bretton Woods, um engenheiro americano, que no final de sua vida dedicou-se à jardinagem, FREDERIC WINSLOW TAYLOR, entendeu que o trabalho executado nas fábricas era estressante, entorpecedor e pouco produtivo. Com base nessas realidades, criou um gerenciamento logicizante pelo que o relógio passou definitivamente um fator de produção, com uma grande alteração em nível social. Para Domenico Di Masi, sociólogo especializado em trabalho e nas relações sociais daí emergentes, ainda hoje dormimos, vamos às férias, trabalhamos e amamos seguindo o management implantado por TAYLOR. Se o engenheiro pretendeu, em princípio, que as pessoas tivessem mais opção para suas vidas pessoais e mais tempo livre, o sonho de Ícaro, contudo, despedaçou-se.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s