Questionário pedagógico

Novembro 7, 2009 noite Deixe um comentário

coruja dourada 3d pedagogia desenho por camiseta-funari

Fonte: http://www.flickr.com/search/?q=pedagogia#page=2 

Se você acertar todas as questões, já pode ser Secretário de Educação, Pós Doutorado, Honoris Causa ou outro título qualquer de relevância social. As respostas estão no Gabarito – claro, lápis papel, lápis papel, lápis papel – após o questionário.

EI!

Apenas uma opção está correta.

1 – O aluno deve ser aprovado por que:

a) tem potencial

b) se não for aprovado, se evadirá

c) tem problemas familiares

d) escreve seu nome completo, sem utilizar vírgulas

2 – Os conselhos de classe se reúnem para:

a) aprovar o aluno

b) passar o aluno de ano

c) impedir que o aluno repita de ano

d) não rodar o aluno

3 – Para reprovar um aluno é necessário:

a) que o aluno, antes do conselho de classe, vá a óbito (terá aprovação post mortem)

b) um portfolio, um dossiê, trabalhos diversos e aprovação da mantenedora

c) um portfolio, um dossiê, trabalhos diversos, dois terços, um patuá, cinco estatuetas genéricas e a aprovação da mantenedora

d) um portfolio, um dossiê, trabalhos diversos, dois terços, um patuá, cinco estatuetas genéricas, uma caixa de pandora, e a aprovação…de quem mesmo? ora, da mantenedora

4 – Quando dois ou mais alunos brigam em sala de aula, você, como professor, deve:

a) ter um ataque e chamar a direção, o conselho tutelar, a orientação pedagógica, a brigada militar, a câmara dos deputados e o BOPE.

b) sentar calmamente e fazer suas apostas

c) filmar e vender para alguma rede de televisão

d) emprestar rapidamente uma arma branca para cada um dos contendores e aguardar o resultado.

5 – Reuniões pedagógicas servem para

a) planejar o que não será executado

b) executar o que não será planejado

c) perder tempo

d) avisos burocráticos

6 – Em uma oficina pedagógica encontraremos:

a) materiais diversos, como sucata, sucata, sucata e sucata

b) alguém fazendo stand up

c) aula teórica

d) afetos e desafetos

7 – Professores motivados são aqueles que

a) estão em férias

b) estão em licença remunerada

c) estão aposentados

d) não apanharam, não foram ameaçados nem morreram nos últimos cinco dias

8 – Alunos não aprendem determinadas disciplinas por que

a) não gostam do professor

b) detestam o professor

c) abominam o professor

d) hã?

9 – Para alguns o conteúdo de uma disciplina

a) é só o que importa

b) é o que menos importa

c) é algo que esqueci

d) é uma overdose

10 – No próximo verão, as alunas virão a escola

a) com tudo em cima e nada por baixo

b) com nada por cima e tudo por baixo

c) nuas

d) semi-nuas

11 – É errado cobrar atitude e desempenho escolar do aluno por que

a) isso pode traumatizá-lo

b) não é fashion

c) de todo modo cada vez mais a escola ensina menos

d) meritocracia é bobagem

12 – Alguns classificam os professores em

a) bonitos e gostosos

b) complascentes e durões

c) insuportáveis e chatos

d) velhos e jovens

13 – Cognição é

a) saber que não se aprende

b) aprender que não se sabe

c) uma proparoxítona

d) oi?

14 – Ir a escola serve para

a) encontrar os amigos e bater papo

b) Saber as novidades e as fofocas

c) participar de um clube

d) namorar e  passar à condição de pai ou à condição de grávida

15 – Em escola, escadas servem para

a) pular vários lances de degrau

b) correr, brincando de roleta russa

c) brincar de cair e rolar

d)  empurrar e ser empurrado

16 – Todo aluno sabe perfeitamente o que é

a) o ECA

b) FICAI

c) seus direitos

d) os deveres dos outros

17 - É importante que toda sala de aula tenha

a) janelas para entretenimento

b) ausência de professor

c) desafetos para que eu brigue e afetos para que eu mime

d) cestos de lixo para tiro ao alvo

18 – Corredores escolares servem para

a) correr e berrar

b) correr, berrar e brigar

c) correr, berrar, brigar e dar uns amassos

d) correr, berrar, brigar, dar uns amassos e chutar portas

19 – Em determinadas situações, apenas um dos citados conseguiria, teoricamente, dar aula. Seria

a) Mahatma Gandhi

b) Jesus Cristo de Nazaré

c) O capeta

d) o BOPE

20 - Os professores

a) sempre fazem menos do que deviam

b) sempre fazem mais do que poderiam

c) não entendem o que os alunos querem

d) não entendem o que a direção quer

21 – Um bom(boa) professor(a) se assemelha a

a) um psicólogo de plantão

b) uma galinha cuidando dos  pintinhos

c) Brad Pitt

d) Gisele Bundchen

22 – O modelo de escola pública ideal é o de

a) um depósito para os pais deixarem os filhos

b) abrigagem, para conter adolescentes sociopatas

c) grande creche, para os alunos se divertirem

d) presídio, para manter temporariamente presos os transgressores 

23 – Protagonismo juvenil é

a) uma novela escrita para jovens

b) um happening dos anos sessenta

c) um modelo de submissão dos adultos aos adolescentes

d) o título de uma peça de teatro

24 – Burnout é

a) um estilo de vida

b) amar incondicionalmente todos os alunos

c) um tipo de lipoaspiração

d) um famoso pedagogo

25 – Vigotsky é

a) um marxista leninista frustrado

b) um dançarino do Ballet Bolshoi

c) um personagem do Ópera do Fauno

d) um prato da alta gastronomia polonesa

26 – Bandura é

a) uma técnica de bondage

b) um existencialista espanhol

c) o criador de um método didático

d) ponta direita do Real Madri

27 – A avaliação escolar pode ser

a) qualitativa ou psicoativa

b) quantitativa ou alfanumérica

c) uma atividade psico-compensatória

d) uma viagem

28 – Desatenção em aula é algo que ocorre porque

a) as aulas são um saco

b) os professores são um saco

c) a escola é um saco

d) um saco é um saco

29 – Preguiça mental é

a) um dos objetivos da instituição escola

b) uma psicopatologia do superego

c) um enrigecimento da rede neural

d) algo vagamente biológico

30 – Cobrar disicplina do aluno é

a) um ato de arbitrariedade demodée

b) contraproducente e arcaico

c) uma prática medieval abandonada

d) incompatível com o medo dos professores

31 – Piaget é

a) o sobrenome de Deus

b) o próprio Deus

c) alguém que serve para se fazer teses de mestrado e doutorado em educação

d) um chocolate suiço

32 – O resgate do aluno deve ser feito

a) pela SUAT

b) pelo Corpo de Bombeiros

d) por um cão São Bernardo

d) pela Brigada Militar

33 – Paulo Freire é

a) irmão de Roberto Freire, fundador do Partidão

b) um ornitólogo famoso, companheiro de Villa Lobos

c) neto de Gilberto Freire, sendo coautor do livro Casa Grande e Senzala

d) um dos maiores escritores portugueses, nascido em Cascais, Portugal

34 – Construtivismo é

a) um modelo construtivo baseado na customização de materiais da engenharia civil

b) uma tese econômica baseada no modelo neo-darwinista

c) uma forma de cooperação individual

d) um método de ensino à distância

35 – Para ser diretor de escola você deve

a) ser louco ou estar em processo depressivo

b) ser sado-masoquista

c) estar em terapia permanente

d) ter a síndrome do pânico

36 – Superv isor escolar é um tipo

a) de chefe de peão

b) de alguém que ninguém escuta e quando escuta não gosta do que ouviu

c) de alguém que todo mundo escuta mas ninguém entende

d) de estressor mental

37 – Orientador escolar é alguém que

a) sempre anda com uma bússola

b) faz o papel de escrivão, anotando ocorrências do tipo B.O.

c) faz o papel de delegado, ouvindo vítimas e agressores

d) trata alunos como bebezinhos, infantilizando-os até o nível da imbecilidade 

 38 – Conteúdo é:

a) o que está contido na disciplina

b) o que a disciplina contém

c) o nó górdio de Átila, o Huno

d) algo complicado

39 – Os últimos pareceres sobre pedagogia dizem que

a) o aluno sempre tem razão

b) o aluno sempre está certo

c) o aluno sempre está correto

d) o aluno é rei.

40 – Para lidar com indisciplina, o professor deve

a) pedir desculpas ao aluno

b) pedir desculpas ao aluno e à família do aluno

c) pedir desculpas ao aluno, à família do aluno e à direção da escola

d) pedir desculpas ao aluno, à família do aluno, à direção da escola e aos serviços da escola

41 – Uma boa saída para conter a indisciplina na sala de aula é

a) minimizar o que o aluno faz

b) dar uma entrada de cinema para o aluno assistir

c) ler o Kama Sutra em  aula

d) criar um teatro circense, onde a escola faz papel de palhaço

42 – Ridicularizar e escarnecer do professor é

a) desejado pelo sistema educacional

b) desejado pelos pedagogos pós-modernos

c) um movimento natural do protagonismo juvenil

d) algo totalmente normal dentro do que a escola espera que o aluno faça

43 – Círculo restaurativo é uma iniciativa que prevê

a) que a vítima e o agressor peçam desculpas um ao outro

b) a perda de tempo

c) um círculo autopolimpante

d) uma vítima, um agressor e uma carta inútil de boas intenções

44 – Um aluno que tenha um comportamento social beirando a sociopatia deve

a) fazer parte dos projetos alternativos da escola

b) representar a escola em eventos públicos

c) ser escolhido como amigo da escola

d) ser glorificado

45 – Se um professor ficar estressado em aula

a) é porque ele é desequilibrado

b) é porque não tem domínio de classe

c) é porque seu planejamento é inadequado

d) é porque não se atualizou

46 – Se um aluno adolescente disser que uma professora é gostosa e que gostaria de transar com ela, a mesma deve

a) falar calmamente sobre ética

b) fingir que não escutou

c) vestir uma burka 

d) fazer um strip-tease

47 – O principal papel dos professores é o de

a) não pensar nada e apenas executar o que lhe for mandado

b) conter o aluno em aula

c) implementar, com seu silêncio e omissão, a prática de bullying

d) tomar cafezinho na hora do recreio

48 – O professor que cobra que os alunos estudem

a) é um desatualizado machista repressor safado

b) alguém que teve uma infância infeliz e que procura descontar nos coitadinhos dos alunos

c) um sádico

d) um psicótico depressivo

49 – O ícone dos professores é

a) o Super-Homem

b) Jesus Cristo

c) Hitler

d) Mussolini

50 – Quando algo importante deve ser discutido em alguma reunião pedagógica

a) deve haver tumulto suficiente para não se chegar a qualquer conclusão

b) o tempo deve ser mínimo para discutir

c) a pauta da reunião deve ser alterada

d) mais da metade dos professores deve deixar de comparecer 

GABARITO

O gabarito? Ah, esse perdeu-se já faz muuuuito tempo…

CategoriasEducação

Professor: uma espécie em extinção

Novembro 4, 2009 noite Deixe um comentário

Mi por Atajo de locos

 

Fonte: http://www.flickr.com/groups/35468132865@N01/pool/

 

Querida Sandra M:

 

 

 

Grato pelo texto, que reproduzo como o recebi. Abraços, hILTON 

 

PROFESSOR – UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO 

 

 Por verônica Dutenkefer (20/06/2009) 

 

Esse texto que escrevo precisamente agora é mais um desabafo. 

 

Desabafo de uma profissional que está lecionando há mais de 22 anos e que não sabe se sobreviverá por mais dez anos,  que é o tempo que ainda precisarei trabalhar (por mais que ame muito o que faz). 

 

Trago comigo muitas perguntas que não querem calar. E talvez a mais inquietante é: O que será necessário acontecer para se fazer uma reforma educacional neste país???? 

 

Constantemente ouço ou leio reportagens com as autoridades educacionais proclamarem a má formação de seus professores. Culpando as universidades, a falta de cursos de formação e culpando-nos evidentemente. 

 

Se a educação neste país não vai bem só existe um culpado: o professor. 

 

E aí vem meus questionamentos: 

 

Como um professor de escola pública pode fazer o seu trabalho se ele precisa ficar constantemente parando sua aula para separar a briga entre os alunos, socorrer seu aluno que foi ferido por outro aluno, planejar várias aulas para se trabalhar os bons hábitos na tentativa vã de se formar cidadãos mais conscientes e de melhor caráter? 

 

Nos cursos de formação nos é passado constantemente a recusa de um programa tradicional e conteudista, mas nossas avaliações de desempenho das escolas, nossos vestibulares e concursos públicos ainda são tradicionais e  nos cobra o conteúdo de cada disciplina. 

 

Como pode num país….num estado…num município haver regras tão diferentes entre a rede particular e pública? 

 

Na rede particular as escolas continuam conteudistas, há a seriação com reprovação, a escola pode suspender ou até mesmo expulsar um aluno que não esteja respeitando as regras daquela instituição. 

 

A rede pública vive mudando o enfoque pedagógico (de acordo com o partido que ganhou as eleições), é cobrado cada vez menos do aluno, não se pode fazer absolutamente nada com um aluno indisciplinado que até mesmo coloca em risco a segurança de outros alunos e funcionários daquela instituição. 

 

Dia a dia…minuto a minuto… os professores são alvos de agressões verbais e até mesmo física pelos alunos. A cada dia somos submetidos a níveis de stress insuportáveis para um ser humano. 

 

Temos que dar conta do conteúdo a ser ensinado + sermos responsáveis pela segurança física de nossos alunos + sermos médicos + enfermeiros + psicólogos + assistentes sociais + dentistas + psiquiatras + mãe + pai ……. 

 

E quando ameaçados de morte e recorremos a uma delegacia pra fazer um boletim de ocorrência ouvimos: “Isto não vai adiantar nada!” 

 

Meus bons alunos presenciam o mal aluno fazendo tudo o que não pode ser feito e não acontecendo nada com ele. É o exemplo da impunidade desde a infância. 

 

Meus bons alunos presenciam que o aluno que não fez absolutamente nada durante o ano, passou de ano como ele, que se esforçou e foi responsável. 

 

Houve um ano que eu tinha um aluno que era muito bom. E ele começou a faltar muito e ir mal na escola. Os colegas diziam que ele ficava empinando pipa ao invés de ir pra escola. Um dia, tive uma conversa com ele, e perguntei o que estava acontecendo? E ele me disse: “Prá que eu vou vir prá escola se eu vou passar de ano mesmo assim?” 

 

Então eu procurei aconselhar (como faço com meus alunos até hoje) que ele devia freqüentar a escola, não para tirar notas boas nas provas ou passar de ano. Ele deveria vir a escola para aumentar seu conhecimento que é o único bem que ninguém poderá roubar.Que a escola iria ajudá-lo a aprender e trocar conhecimentos com os outros e ajudá-lo a dar uma melhor formação na vida.. 

 

Depois dessa conversa ele não faltou mais tanto…mas nunca mais voltou a ser o excelente aluno que era. 

 

Qual a motivação de ser bom aluno hoje em dia? 

 

Seus ídolos são jogadores de futebol que não falam o português corretamente e que não hesitam em agredir seus colegas jogadores e até mesmo os árbitros. Ensinando que não é necessário haver respeito as autoridades e aos outros. 

 

Ou são dançarinas que mostram seu corpo rebolando na televisão e pousando nuas para ganhar dinheiro. 

 

 Para quê eu me matar de estudar se há tantas profissões que não são valorizados e nem respeitadas??? 

 

Conheci (e ainda conheço e convivo) ao longo de minha carreira na escola pública, inúmeros profissionais maravilhosos. Pessoas que amam a sua profissão, que se preocupam com seus alunos, que fazem trabalhos excepcionais. Que possuem um conhecimento e formação excelentes, mas que estão desgastados e quase arrasados diante da atual situação educacional. 

 

Li a poucos dias num artigo que os cursos de filosofia, matemática, química, biologia e outros todos ligados a área de magistério não estão tendo procura nas universidades. 

 

Lógico!!!!!Quem é que quer ser professor????????? 

 

Quem é que quer entrar numa carreira que está sendo extinta, não só pela total desvalorização e respeito, mas também pela falta de segurança que estamos enfrentando nas escolas. 

 

Fiquei indignada com uma reportagem na TV (que aliás adora fazer reportagens sensacionalistas colocando o professor sempre como vilão da história) em que relatava que numa escola um aluno ameaçava os outros com um revólver e num determinado momento o repórter perguntou:”Onde estava o professor que não viu isso??!!” 

 

E agora eu pergunto: “O que se espera de um professor (ou de qualquer ser humano), que se faça com uma arma apontada pra você ou pra outro ser humano??? Ah…já sei…o professor deveria enfrentar as balas do revólver!!!! Claro!!! As universidades e os cursos de aperfeiçoamento de professores não estão nos ensinando isso.. 

 

Vocês tem conhecimento de como os professores de nosso país estão adoecendo???? 

 

Vocês sabem o que é enfrentar o stress que a violência moral e física tem nos submetido dia a dia? 

 

Você sabe o que é ouvir de um pai frases assim: 

 

“Meu filho mentiu, mas ele é apenas uma criança!” 

 

“Eu não sei mais o que fazer com o meu filho!” 

 

“Você está passando muita lição para meu filho, e ele é apenas uma criança!” 

 

“Ele agrediu o coleguinha, mas não foi ele quem começou.” 

 

“Meu filho destruiu a escola, mas não fez isso sozinho!” 

 

Classes super lotadas, falta de material pedagógico, espaço físico destruído, violência, desperdício de merenda, desperdício de material escolar que eles recebem e, muitas vezes, não valorizam (afinal eles não precisam fazer absolutamente nada para merecê-los), brigas por causa do “Leve-leite” (o aluno não pode faltar muito, não por que isso prejudica sua aprendizagem, mas porque senão ele não leva o leite.) 

 

Regras educacionais dissonantes de acordo com a classe social dos alunos. 

 

Impunidade. 

 

Mas a educação não vai bem, por causa do professor.. 

 

Encerro esse desabafo com essa pergunta que li a poucos dias: 

 

  

 

Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável. 

 

“Todo mundo  ’pensando’ em deixar um planeta melhor para nossos  filhos…  Quando é que ‘pensarão’ em deixar filhos melhores para o nosso planeta?”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CategoriasEducação

Um oásis

Outubro 29, 2009 noite Deixe um comentário

desert por Carlito Juanito

Fonte: http://www.flickr.com/search/groups/?q=oasis&w=35468132865%40N01&m=pool

Os camelos varavam o deserto, enquanto eu esperava por ti. Era mais ou menos assim, no deserto, com muita sede dos teus néctares que eu me (des) encontrava. Apenas me restou tua maior ausência.  Um oásis, eu necessito de um mas – por favor – sem odaliscas. Minhas energias se esvaíram e tudo parece ter perdido o sentido. Sei que não voltarás, te foste e isso é um fato que não posso discutir ou alterar, e, se algo ficou foi o desejo de compartilhar-me contigo, redescobrir talvez algum clarão de lua, mesmo um poema subitamente surgido do teu olhar. 

Se as memórias são uma idealização do que vivemos, mesmo o que vivemos se perde entre nossos desejos. Ilusões, as memórias são ilusões que manipulamos de acordo com nossas vontades. O presente é tua partida, o presente é a tua presença enevoada em alguma paragem, em alguma estrada, em algum caminho incerto. Não havia certeza, mas meu desejo, sempre ele, traiu mais uma vez meu entendimento. Estou embotado pelas minhas recordações, pelos meus sentidos que mais uma vez se entregaram aos sentimentos. Sou, eu mesmo, uma ilusão. Um fractal. Uma semana que se esgota rapidamente, um evento. Sou um evento, com horário marcado, com sorrisos calculados, com reticências expulsas. Talvez por isso me engane tanto, embora também haja uma parte de mim que às custas da sedução, aos outros encanta. Novamente aqui, aguardando, espreitando qualquer um, qualquer uma que me diga algo gratificante, que me tome nos braços, que reinicie o signo da envolvente paixão.

A tua ausência não permite que eu exerça meu autocentramento. Não estás aqui, partilhar o que com quem? Ser visto por quem? Ser amado por quem? Se não posso dar-me a mim mesmo, a quem devo me submeter para triunfar sobre minhas idiossincrasias? Um oásis…, por favor, você viu algum? Necessito de ti para que digas quem eu sou, o que sou, pois não posso conviver com o meu passado, vazio de um tudo como um copo que insiste em transbordar de fel. Não viras, contudo, és apenas memória, e não quero chorar por ti, pois seria chorar pela minha própria solidão.

 

CategoriasContos

Desabafo

Outubro 21, 2009 noite 1 comentário

Empty man por Vlaams Frietje.

Fonte: http://www.flickr.com/photos/nadjazz/3291871373/

Nada do que necessitamos se encontra aqui. Nem atenção, nem presteza, nem interesse, nem conhecimento, nem educação, menos ainda respeito.  Aqui não há nada, senão o deboche cotidiano, diário, orquestrado por determinadas pessoas e seguido por outras. Aqui nada se entende, nada se busca, nada se efetiva ou se declara. Aqui alunos, que nem isso são, caminham pela sala, gritam, fofoqueiam, se xingam, sentam em cima das classes e absolutamente debocham dos professores, dos colegas, da direção, dos serviços da escola, enfim de tudo. Mentem com uma desfaçatez impressionante, sem o mínimo senso de ética.

A república do deboche é, teoricamente uma sala de aula. Na verdade é só uma sala, porque não há condições de se aprender qualquer coisa. Os que ali tentam ensinar ficam na posição de reféns e enquanto ali estiverem, devem cumprir a sublime tarefa de bancarem os bobos da corte; irá, tal pessoa que busca ensinar, passar por uma série de humilhações, onde será depreciada, negligenciada, ridicularizada, mergulhada no túnel amargo do estresse e da crueldade adolescente programada. Quem pensa que tais adjetivos são um exagero, é porque ainda não provou da inesquecível experiência, na qual uma horda de mais de vinte adolescentes são comandados por meia dúzia de seus iguais, o que ocorre por vários motivos que não importam ser citados aqui.

Sua capacidade profissional é jogada no lixo. Você perde seu tempo, seu ânimo, sua paciência. Fica pior ainda quando se agrega a isso um elenco discursivo que visa infantilizar o adolescente, isentando-o de suas responsabilidades ou ainda desqualificando o trabalho que o professor tenta, muitas vezes inutilmente, fazer.

Há um desperdício fantástico de energia, que deveria ser voltada para o conhecimento; na maior parte do tempo você tem de cobrar comportamentos/atitudes e quanto mais você o faz, mais o deboche aumenta, mais cresce o exercício da estupidez. Então você começa a indagar qual o propósito de estar ali e qual o sentido em existir uma turma assim. Então você percebe claramente que o seu papel não é o do professor, o do mestre, o do educador: o que você faz é simples contenção social.

A mesma sociedade que cobra educação de qualidade é a que joga filhos sem cuidados afetivos, sociais, financeiros dentro da escola  espera que a mesma os mantenha lá, enquanto o resto do mundo trabalha, compra, vende, vai aos motéis, frequenta os shoppings centers. Deseja-se que a escola retenha os adolescentes que iriam atrapalhar o fluxo normal dos negócios; cabe a ela, investida do papel de instituição pré-carcerária, minimizadora dos conflitos sociais, resolver problemas, mantendo adolescentes problemáticos temporariamente fora das ruas. Enquanto o discurso campeia solto, invocando liberdades individuais, garantias e direitos, fica o professor abandonado à própria sorte.

Talvez falte ao professor um instrumento legal/protetor semelhante ao  estatuto da criança e do adolescente ou ainda um conselho tutelar, onde os mestres exerçanm seu protagonismo (infelizmente não juvenil).  O sistema está falido, e isso todo mundo sabe. A questão é ter coragem e assumir, de uma vez por todas, que câncer não pode ser tratado com bandaid.

 

CategoriasEducação

Poema da amante

Outubro 17, 2009 noite Deixe um comentário

Poema da Amante

Adalgisa Néri

 

Eu te amo

Antes e depois de todos os acontecimentos

Na profunda imensidade do vazio

e a cada lágrima dos meus pensamentos.

Eu te amo

Em todos os ventos que cantam,

em todas as sombras que choram,

na extensão infinita do tempo

até a região onde os silêncios moram.

Eu te amo

em todas as transformações da vida,

em todos os caminhos do medo

na angústia da vontade perdida

e na dor que se veste em segredo.

Eu te amo

em tudo que estás presente,

no olhar dos astros que te alcançam

em tudo que ainda estás ausente.

Eu te amo

desde a criação das águas,

desde a idéia do fogo

e antes do primeiro riso e da primeira mágoa.

Eu te amo perdidamente

desde a grande nebulosa

até depois que o universo cair sobre mim

suavemente.

CategoriasPoesias do mundo

Amor

Outubro 17, 2009 noite Deixe um comentário

©©BODEGÓN DE AMOR™ por ©©Aticolunatico.

Fonte: http://www.flickr.com/photos/aticolunatico/1107256261/

Sapere Aude, 16 de  outubro de 2009.

O amor  não requer horários, compromissos, agendamentos; nem sequer sacrifícios ele requer; estar amando não é estar a mando de, por qualquer motivo que se imagine. O amor não é posse, embora possuamos e sejamos possuídos no amor, nem tampouco domínio, embora nos ponhamos tão dominados; é plena liberdade. Não amamos se não nos sentimos livres, em paz. Não se define, não se troca, não se barganha, não se mercancia com o amor. Talvez o mais sublime do amor seja conviver com tudo isso e continuar com o seu encanto, e nos aquecer tanto a alma e os sentidos. É, talvez o o amor seja isso, um misto de nossos desejos e de nossos desvarios.

Amar para o futuro é quase-amar, para o passado é lembrança. O amor é agora, ele simplesmente é. Sendo tudo, não se reduzindo a nada, é uma fímbria, uma tessitura, um horizonte que nos torna mais humanos, mais próximos, mais amigáveis, enfim mais amoráveis. O amor é mesmo a saudade dos momentos de paixão que poderíamos ter tido, mas não tivemos. De todo, renunciarmos ao amor é esquecermos não apenas o mundo, mas, especialmente, de nós mesmos. Amor é poesia, é música, é dizer, é muito mais do que confusamente poderíamos tentar explicar.

Exercitemos pois o amor; as luzes e o calor nos aquecerão. Não percamos nossos tempos; o amor, esse moleque, nos espera inesperadamente no brilho do olhar que, até então era somente um olhar.

CategoriasCrônicas

A janela

Outubro 8, 2009 noite Deixe um comentário

spaceballEsquecimento por Renato Trizolio (Tio_Re).

Fonte: http://www.flickr.com/photos/renato_trizolio/2359011607/

Talvez não fosse o momento de fechar a  janela, mas nem pensei no assunto. Depois me dei conta que deveria ter pensado melhor, mas já havia acontecido. Sentei no sofá e só uma hora depois me dei conta de que o amor tinha ficado lá, do lado de fora…

CategoriasConto

O mundo simbólico e Baskhara

Outubro 5, 2009 noite Deixe um comentário

 Yes, maths por akirsa

Fonte: http://www.flickr.com/search/?w=all&q=math&m=text

Estou em aula, em uma turma C30 (correspondente ao último ano do ensino fundamental), aplicando Baskhara para a resolução de algumas equações de segundo grau. Venho trabalhando regularmente há mais de um mês sobre o assunto, portanto não havia nenhuma novidade. Pura aplicação de fórmula. Contudo, pelo menos três alunos me fizeram perguntas que demonstraram claramente sua falta de conhecimento sobre o tema. Não, não se tratava de erros de cálculo, mas questões mais profundas como, por exemplo, escrever uma equação e entender que assim as suas raízes estavam determinadas. Ou de não saberem operar com cálculo algébrico, ou de não saberem a diferença entre uma equação completa e incompleta, não sabendo nominar seus termos. Isso mesmo tendo algoritmos e cálculos já postos em seus cadernos.

Uma das fontes de angústia quase que perene dos professores é justamente identificar, entender e buscar alternativas em relação ao aluno quando este te olha e pergunta(1) sobre um assunto já visto em aula, com exemplos e exercícios analizados de umodo consistente, como se o tema fosse algo inteira e absolutamente novo, como se não tivesse havido qualquer referência pretérita ao mesmo. Quanto, no caso, equações de segundo grau são explicitadas, exercícios são feitos, dados são coletados e, após algum termpo alunos sequer se dão conta das coisas mais triviais a respeito do assunto, temos a sensação muito clara de que uma construção conceitual erodiu, esfacelou-se como um castelo de cartas. Há simplesmente um não-reconhecimento, uma ininteligibilidade sobre o assunto, e não uma mera desistência ou erro de cálculo. O processo de aprendizagem, em relação àquele ponto, simplesmente faliu.

Ora, se o aluno inclusive possui as fontes seguras para buscar o que necessita para resolver uma determinada dificuldade e sequer se dá conta disso, há questões que, além de interferir na aprendizagem, extrapolam o processo de cognição. Seriam problemas de atenção ou de habilidades precípuas? Seria uma questão de dificuldade de aprendizagem que impede o aluno de aprender ou um comportamento que igualmente o paralise ante o tema? Necessitariam tais alunos de um atendimento especializado, possivelmente de um psicopedagoga incorporado a uma equipe tarefa multidisciplinar? Ou bastaria recomendar-se ao mesmo o uso de Ritalina, tão banalizada nos Estados Unidos como pílula anticoncepcional?

DUFOUR ao analisar as questões do pós-modernismo, se detém sobre a questão simbólica e sobre a influência e o privilégio da imagem em relação à linha argumentativa.  Sendo falantes, a fala nos estrutura, e há uma relação muito próxima e forte entre a autoridade e ao lugar da palavra no discurso. O acesso à fala nos leva não só às nossas instâncias psíquicas como nos põe em contato com um mundo simbólico, construído através de uma instância discursiva.  DUFOUR cita os significantes deiticos indicadores de pessoa (eu, tu, ele), de espaço (esse, este, aquele, aqui, ali, acolá) e de tempo (agora, ontem, amanhã). Quando falo determino, ao mesmo tempo, uma indicação de pessoa, de espaço e de tempo, podendo inserir o mundo no meu discurso. Ao representar o mundo, me insiro neste mesmo universo simbólico que (re)criei.  Assim, o discurso acessa a função simbólica a partir da representação do real ou do não-real, mas sempre dependente da minha insersão no mundo que modifico de acordo com a minha fabulação e na medida em que ocorre tal interação.

Falar, ler, escrever, ouvir se inserem e se interligam através da autoridade e da alteridade da palavra. O discurso, assim, necessita de um fio condutor, de uma alteridade coerente entre os que falam e os que escutam. Se não há tal fio discursivo, está obstruída a função simbólica. Fala-se mal, ouve-se o que é possível, lê-se o mínimo indispensável e escreve-se de modo fonético, não ortográfico. Como desenvolver uma autonomia cognitiva se é falho o ingresso no mundo simbólico, se não é o consumo ou a mídia que garantem o processo de aprendizagem? Uma vez que a exposição e o privilégio de um mundo imagético torna um espaço que, pelo própria essência do homem, era destinado para a linguagem e a fabulação, os efeitos são sensíveis e imediatos.: a minoração da capacidade de se inserir em um mundo socialmente construído com base na linguagem, uma dificuldade maior de assimilação e de adaptação a um universo no qual os significantes e o grafismo cada vez mais ocupam espaços significativos nos cenários do dia-a-dia.

Assim, uma vez que ocorrem dificuldades na formação do ingresso ao mundo simbólico e que se perdem os fios do discurso, onde se irá instaurar o senso crítico que permite a descentração de si próprio em relação ao objeto a ser conhecido? Como organizar de modo minimamente satisfatório um background que permite acercar-se do conhecimento e como entender, se entendendo, a curiosidade cognitiva benéfica e sã da qual nos falou FREIRE? Como prestigiar uma auto-imagem que rapidamente se deteriora nos meio edulcorado e acrítico da passividade imposta pela midia e pelos avanços publicitários? E, de todas, a mais grave questão: como, através de que meios fortalecer a identidade humana buscando sua autonomia real e não fictícia?

Na escola, ao aluno que se comporta passivamente ainda mais acorrem e confortam teorias e psicologismos de caráter duvidoso, que se apóiam ou em sentimentos de culpa ou em políticas educacionais compensatórias. Aos alunos que cada vez mais menos sabem, cola-se a idéia de que efetivamente eles são menos, do ponto de vista cognitico e, portanto, merecedores de créditos adicionais que os equiparem aos demais. Pensemos, por exemplo, na distorção naturalizada da aprovação automática. Se aceitarmos realmente que dificuldades profundas existem, não é tratando uma infecção com bandaid que iremos resolver a situação.

Compreende-se, pois, que a apreensão do conhecimento via conceito depende basicamente do acesso ao mundo simbólico, através da insersão em um mundo discursivo, no qual haja preponderância de uma linha argumentativa em detrimento ao mundo imagético. Esse acesso, contudo, esse caminho não se torna razoável na medida em que o desejamos, mas na medida em que possamos detectar as suas ausências, determinadas pela dificuldade no exame do objeto que se dá a conhecer.

 

DUFOUR, Dany-Robert_ A arte de reduzir as cabeças: sobre a nova servidão na sociedade ultraliberal. Companhia de Freud Editora. Rio Comprido. RJ.2005 

 

 

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A expressão mágica

Outubro 5, 2009 noite 2 comentários

Estranha Criatura por José Ferreira 2009.

Fonte: http://www.flickr.com/photos/josesilvaferreira/3471482991/

Se você não está interessado na aula, se não entendeu algo, se não quer fazer o que foi proposto, se não pretende o mínima para tentar aprender se “não gosta” da aula, da disciplina, do professor, de seus pais, do mundo, se tem certeza de que o tema a ser estudado é muito difícil, quase que impossível de ser compreendido, se, ou qualquer outra coisa que, teórica ou praticamente o impeça de aprencder, especialmente sua própria vontade, basta usar a expressão ”eu sou burro(a), não entendi”, e pronto! é o seu passaporte para o Éden.

A partir do momento em que você diz isso, você está também comunicando ao seu (sua) professor(a) que está se autoliberando de qualquer compromisso com o estudo, seja lá o que for que a palavra compromisso signifique.

Aluno, liberte-se: assuma publicamente a sua indolência, ignorância e preguiça mental: basta clicar os botões certos e voilá - o pátio será sua saída para a felicidade!

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Lástima (aconteceu em 2006)

Outubro 4, 2009 noite Deixe um comentário

Cadeado em Florença por luís...

Fonte: http://www.flickr.com/search/?q=cadeado

Escrito em 17 de novembro de 2006 

Estou temporariamente sem a chave geral das salas de aula. Na escola onde trabalho, tudo deve ser fechado, lacrado, cadeado; nada pode ficar aberto. Há colegas que dão aula chaveados(as). Hoje, ao sair de uma das turmas, esqueci do caderno de chamadas na mesa do professor. Isso antes do recreio, que durou trinta minutos. Na volta, minha supervisora avisou que outro colega, ao entrar na mesma turma, viu que alguns alunos estavam mexendo no caderno de chamada e mesmo adulterando-a.

Esse, infelizmente, é o espírito da escola onde trabalho. Você deve tratar os alunos como estranhos, como pessoas nas quais não se pode confiar (e, verdade, pior ainda, muitas vezes realmente não se pode!). Objetos somem a toda hora e a tendência é você não questionar mais nada. Penso: fui ingênuo ao deixar o caderno na sala de aula? Ou simplesmente achei que isso não iria acontecer e que poderia confiar brevemente nos alunos?

Ah, sim, claro, eu liberei os alunos às10h10min exatamente no horário que bate para o recreio e, naquele horário, não havia mais ninguém no corredor, pois ficou informalmente instituído por alguns colegas que os alunos devem ser liberados às 10h, dez minutos antes, se possível. Se houvesse um professor no andar, eu teria para quem pedir a chave para fechar a sala. Como não havia, pensei que podia confiar, esquecendo que trabalho em um lugar no qual inexiste confiabilidade no outro. Os alunos que adulteraram sabem que absolutamente nada vai ocorrer com eles, que nada disso terá conseqüência, a não ser uma advertência que, teoricamente, é séria, mas que na prática é mero discurso.

Já com o professor, não. Fui chamado a atenção – justiça seja feita, minha supervisora foi gentil e mostrou-se pesarosa com o fato – terei de retificar o caderno, conferir data a data, etc., em um trabalho chato, maçante, burocrático.

A situação demonstra que questões de valores e de ética, que deveriam ter imensa relevância em uma escola, já que sua principal tarefa é a de formar pessoas, está esvaziada. Somente fazem o que lhes traga alguma vantagem. Se for preciso adulterar, se adultera, se for preciso mentir se mente, se for preciso passar como um trator por cima do outro, se passa. E isso, muito claro fique, não é de hoje.

Uma lástima.

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